O rali do Ibovespa em outubro tem forte concentração em poucas empresas. Itaú Unibanco, B3, Petrobras, BTG Pactual e Bradesco respondem por 46% da alta do índice no pregão seguinte ao primeiro turno da eleição.
No mês, o Ibovespa acumula avanço de 11%. Além disso, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, sobe 15,4%.
O movimento ganhou força na segunda-feira (5), quando o índice avançou 8,7% e encerrou o pregão acima dos 206 mil pontos. Assim, a Bolsa registrou sua maior alta diária em seis anos.
Cinco empresas puxam o Ibovespa
A maior contribuição veio do Itaú Unibanco (ITUB4), que avançou 10,4% e adicionou 1.771 pontos ao índice. Na sequência, aparecem:
- B3 (B3SA3): +22,6%, com 1.530 pontos;
- Petrobras (PETR4): +8,2%, com 1.319 pontos;
- BTG Pactual (BPAC11): +22,5%, com 1.268 pontos;
- Bradesco (BBDC4): +13,6%, com 950 pontos.
Ao todo, o Ibovespa ganhou 14.797 pontos no pregão. Desse total, o setor financeiro respondeu por 48,1%. Já energia elétrica e saneamento contribuíram com 20%, enquanto petróleo e gás representaram 13,8%.
Dessa forma, os três segmentos concentraram cerca de 82% do avanço do índice.
Commodities ficam na contramão
Enquanto bancos e empresas domésticas avançaram, o setor de materiais básicos registrou contribuição negativa. O segmento retirou 294 pontos do Ibovespa.
Entre os principais pesos negativos estão Vale (VALE3), com queda de 1%, Embraer (EMBJ3), com baixa de 3,3%, Suzano (SUZB3), com recuo de 5,4%, e Gerdau (GGBR4), que caiu 1,2%.
Além disso, o dólar recuou 4,5% no pregão e chegou a ser negociado abaixo de R$ 5. Nesse cenário, as exportadoras apresentam desempenho inferior ao índice. O grupo acumula alta de 4,3% no mês, menos da metade do avanço do Ibovespa.
Há espaço para novas altas?
O movimento também chama atenção para empresas que ainda apresentam desempenho inferior ao índice em 2026. Entre elas estão Rede D’Or (RDOR3), Localiza (RENT3), Sabesp (SBSP3) e Equatorial (EQTL3).
A Rede D’Or está 19,3 pontos percentuais abaixo do Ibovespa no ano. Já a Localiza permanece 9,1 pontos atrás do índice, mesmo após a forte alta no pregão pós-eleição.
Por outro lado, o cenário de juros pode favorecer setores ligados à economia doméstica. O relatório destaca concessionárias de energia e saneamento, bancos, shoppings, construtoras e empresas de saúde.
Fluxo pode ampliar o rali
Além do desempenho das ações, o potencial de entrada de recursos pode sustentar novos avanços. As simulações apontam para até R$ 270,2 bilhões em compras adicionais caso investidores estrangeiros e fundos locais retomem participações próximas às médias históricas.
Do total, os estrangeiros responderiam por cerca de 45%. Os fundos locais representariam os outros 55%.
No mercado doméstico, os fundos de ações representam 7,6% do patrimônio da indústria, equivalente a R$ 687 bilhões. Caso essa participação volte à média histórica de 8,9%, o potencial de entrada chegaria a R$ 147,1 bilhões.
Por fim, a continuidade desse movimento depende principalmente da trajetória dos juros e do cenário eleitoral. Com a queda das taxas futuras após o primeiro turno, o mercado passou a incorporar um ambiente mais favorável para ativos de risco.
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