A Yduqs, dona de Estácio e Ibmec, e a Afya fecharam na última quarta-feira (23) o acordo de fusão entre as duas companhias. As empresas já haviam informado ao mercado, no fim de agosto, que negociavam uma possível combinação de negócios.
A operação une dois grupos com atuações complementares no ensino superior. De um lado, a Afya amplia sua escala no segmento de medicina. Do outro, a Yduqs incorpora uma plataforma relevante de educação em saúde ao seu portfólio.
Além disso, a operação reúne empresas que somam mais de R$ 9,2 bilhões em valor de mercado. A Yduqs tinha avaliação de R$ 2,98 bilhões, enquanto a Afya alcançava US$ 1,2 bilhão, cerca de R$ 6,2 bilhões.
Medicina concentra estratégia da fusão
A combinação ocorre em um cenário de expansão dos cursos de medicina no país e de aumento da concorrência nesse mercado. Nesse contexto, a Afya busca ampliar escala, enquanto a Yduqs reforça sua presença em saúde.
A Yduqs reúne 11,8 mil alunos de medicina e cerca de 380 mil estudantes em cursos presenciais. Na Idomed, sua operação voltada à formação médica, o tíquete médio de estudantes com mais de um ano de matrícula chegou a R$ 13.037 no primeiro semestre.
Por outro lado, a mensalidade média dos demais cursos presenciais da companhia ficou em R$ 973 no mesmo período. A diferença mostra o peso econômico que a formação médica representa dentro da operação.
A Afya, por sua vez, mantém 38 instituições de saúde no Brasil. Desse total, 32 oferecem cursos de medicina, enquanto 25 também atuam com pós-graduação e educação continuada nas áreas de saúde e medicina.
Segundo Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação, a união das empresas cria uma operação com cerca de 38 mil alunos de medicina e quase 5,9 mil vagas anuais nessa área.
Resultados financeiros são diferentes
Os resultados recentes das duas companhias mostram trajetórias distintas. No segundo trimestre, a Yduqs registrou lucro líquido de R$ 14 milhões, queda de 54,2% na comparação anual.
No primeiro semestre, porém, o lucro da companhia chegou a R$ 11 milhões, recuo de 11% ante os seis primeiros meses do ano anterior.
Já a Afya apresentou desempenho diferente. A companhia registrou lucro líquido de R$ 463 milhões no primeiro semestre, alta de 6,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Assim, a fusão reúne empresas com perfis financeiros distintos e amplia a participação conjunta no segmento de educação médica.
Yduqs tem histórico de grandes operações
A fusão com a Afya também se insere no histórico de movimentos de consolidação da Yduqs. Em 2019, a companhia comprou a Adtalen Brasil, controladora do Ibmec, por R$ 1,92 bilhão.
Antes disso, em 2016, a então Estácio anunciou uma fusão com a Kroton, hoje Cogna. A operação envolvia R$ 5,5 bilhões, mas o Cade barrou o negócio no ano seguinte.
Agora, a companhia volta a participar de uma operação de grande porte no setor educacional. Entretanto, a conclusão da fusão ainda depende do cumprimento das condições previstas no acordo e das aprovações necessárias.
Nova companhia terá Afya como principal acionista
Pelos termos anunciados, os atuais acionistas da Afya ficarão com 69% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Yduqs terão 31%. A operação prevê a incorporação da Afya pela Yduqs, que continuará listada na B3.
Além disso, o acordo prevê a distribuição de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs, conforme informações divulgadas sobre a operação.
Com a combinação, as empresas passam a concentrar uma parcela relevante do mercado de educação médica. Ao mesmo tempo, a operação cria uma companhia com atuação mais ampla em ensino superior, saúde e educação continuada.
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