Jev: nova IA aposta em decisões automatizadas e menos alucinações

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Jev, nova IA da TypeSafe, toma decisões a partir de dados e opções predefinidas e busca reduzir alucinações em sistemas automatizados. (Foto: Reprodução/Techtudo)

Uma nova inteligência artificial começa a ganhar espaço entre programadores ao propor uma abordagem diferente dos chatbots tradicionais. Em vez de produzir textos ou códigos, o Jev toma decisões a partir de dados e alternativas previamente definidas.

A TypeSafe AI criou a tecnologia. A startup foi fundada por Diogo Almeida, profissional que trabalhou na OpenAI e participou das pesquisas relacionadas ao InstructGPT, modelo que antecedeu tecnologias usadas no ChatGPT.

Além disso, a ferramenta registrou rápida adesão após chegar ao AI Gateway, da Vercel. Em apenas 24 horas, quase 13% das equipes pagantes da plataforma testaram o modelo.

Segundo a Vercel, esse foi o maior nível de adesão registrado por um novo modelo no serviço. Assim, o lançamento chamou atenção pela proposta técnica e pela velocidade de adoção entre equipes de desenvolvimento.

Jev muda a forma de usar IA

Modelos como ChatGPT, Gemini e Claude trabalham, em geral, com geração de linguagem. Nesse formato, o sistema constrói uma resposta a partir da sequência mais provável de palavras.

O Jev segue outro caminho. Em vez disso, recebe informações sobre uma situação e um conjunto de alternativas possíveis. A partir desses dados, o modelo escolhe uma opção e apresenta também uma probabilidade associada à decisão.

Na prática, uma empresa pode utilizar a tecnologia em um sistema de atendimento ao cliente. A companhia envia os dados de uma solicitação e pede ao Jev que determine para qual setor o caso deve seguir.

O modelo analisa as informações e devolve uma escolha que o software pode utilizar diretamente. Dessa forma, a IA não precisa produzir uma resposta extensa para executar a tarefa.

Modelo busca reduzir alucinações

A arquitetura também ajuda a explicar a proposta de redução das chamadas “alucinações”, quando sistemas de inteligência artificial apresentam informações incorretas ou inexistentes como se fossem verdadeiras.

Nesse caso, o Jev trabalha dentro de um conjunto limitado de possibilidades. Portanto, o modelo não precisa gerar livremente uma resposta, o que reduz o espaço para criar informações que não aparecem nos dados fornecidos.

Isso não significa, porém, que a tecnologia esteja livre de erros. O Jev ainda pode interpretar uma informação de maneira incorreta e selecionar uma alternativa inadequada.

Por outro lado, cada decisão acompanha uma estimativa de confiança. Esse indicador ajuda o sistema a determinar quando deve executar uma ação automaticamente e quando precisa encaminhar o caso para uma pessoa.

IA mira decisões dentro de softwares

O Jev é o primeiro modelo público de uma categoria que a TypeSafe chama de System One Models. A empresa criou essa categoria para automatizar decisões dentro de softwares.

Entre as aplicações possíveis, estão classificação de informações, encaminhamento de solicitações, definição de prioridades e avaliação de respostas produzidas por outras IAs.

Assim, a tecnologia ocupa uma posição diferente daquela associada aos chatbots generativos. Em vez de atuar diretamente na interação com o usuário, o Jev busca operar nos processos que acontecem por trás dos sistemas.

Velocidade e custo entram na disputa

Além da adesão na Vercel, velocidade e custo ajudam a explicar o interesse pelo modelo.

Em testes próprios, a TypeSafe registrou resultados que colocaram o Jev 194 vezes mais rápido e 445 vezes mais barato do que modelos de linguagem em determinados fluxos de trabalho.

Entretanto, a própria empresa ressalta que esses números representam alguns dos melhores resultados dos testes. Portanto, os ganhos não devem servir como referência para todas as aplicações.

Parte dessa diferença está relacionada ao tipo de tarefa executada. Enquanto modelos de linguagem precisam construir respostas completas, o Jev pode analisar diferentes questões e retornar escolhas, pontuações ou respostas binárias.

Com isso, o resultado chega ao software em um formato mais simples de processar automaticamente.

TypeSafe recebe US$ 40 milhões

A proposta também despertou interesse entre investidores. Depois de dois anos operando de forma reservada, a TypeSafe anunciou uma rodada inicial de US$ 40 milhões.

A gestora de venture capital DCVC liderou a rodada e passou a apoiar o desenvolvimento da tecnologia.

Nesse contexto, o investimento ocorre enquanto empresas de tecnologia buscam novas aplicações para modelos de inteligência artificial além dos chatbots.

Jev mira os bastidores da inteligência artificial

O Jev ainda está em estágio inicial e ocupa um espaço diferente daquele que impulsionou a popularização dos assistentes de IA.

Por isso, a proposta da TypeSafe não é substituir ferramentas como o ChatGPT em tarefas de escrita, pesquisa ou conversação. Em vez disso, a startup concentra a tecnologia em decisões automatizadas dentro de sistemas.

Na prática, a empresa busca usar IA para classificar dados, encaminhar processos e definir ações sem exigir que o modelo produza uma resposta textual completa.

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