Assessoria de investimentos amplia presença fora do eixo Rio-SP

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Expansão de escritórios de investimentos pelo interior e pelo Nordeste amplia acesso a produtos financeiros e muda a distribuição do capital. (Foto: Envato Elements)

A expansão dos escritórios de assessoria de investimentos pelo interior do país vem alterando a distribuição do capital e o perfil do investidor brasileiro. O movimento avança principalmente nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste, onde o crescimento do agronegócio, da indústria, dos serviços e de novos projetos de infraestrutura amplia a demanda por gestão patrimonial.

Com isso, cidades fora dos grandes centros financeiros passaram a concentrar estruturas voltadas à administração de patrimônio e à distribuição de produtos financeiros. O fenbômeno também acompanha a expansão das plataformas de investimentos, que buscam ampliar a presença regional e disputar a custódia de empresários, produtores rurais e investidores.

Capital regional ganha novas opções

Historicamente concentrada em São Paulo e no Rio de Janeiro, a intermediação financeira passou a encontrar novos polos no interior. Nesse contexto, estados como Mato Grosso, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além do interior paulista, aparecem entre as regiões com maior presença de escritórios especializados.

A demanda regional também apresenta características próprias. Por exemplo, empresários e produtores rurais podem concentrar grandes volumes de recursos em determinados períodos do ano, em razão de safras, exportações e operações de venda. Por isso, o planejamento financeiro precisa considerar ciclos de caixa diferentes daqueles observados nos grandes centros urbanos.

Além disso, o investidor regional passou a encontrar acesso a uma variedade maior de produtos. Entre eles, estão títulos de renda fixa privada, CRIs, CRAs, debêntures incentivadas, fundos imobiliários e estratégias de diversificação internacional.

Assessoria ganha função estratégica

Nesse cenário, o assessor de investimentos passa a exercer uma função que vai além da distribuição de produtos. Como está próximo do cliente, o profissional pode compreender melhor as características da atividade econômica local e os ciclos financeiros de empresas e produtores.

Ao mesmo tempo, a evolução regulatória do mercado abriu espaço para estruturas independentes e modelos de atendimento mais especializados. Alguns escritórios passaram a incorporar serviços relacionados a planejamento patrimonial, reestruturação de dívidas, fusões e aquisições e estratégias de wealth management.

A profissionalização também cria oportunidades de trabalho fora das capitais. Dessa forma, profissionais do mercado financeiro podem atuar em suas próprias regiões, enquanto escritórios ampliam a contratação de especialistas em investimentos, planejamento financeiro, tecnologia e compliance.

Grandes plataformas disputam mercado regional

A interiorização também mudou a estratégia dos grandes grupos financeiros. Nesse contexto, plataformas como XP, BTG Pactual, Safra Invest, Ágora e Itaú BBA ampliam a presença regional por meio de escritórios, parceiros e estruturas de atendimento.

A disputa ocorre, principalmente, pela relação com clientes de maior patrimônio. Por isso, os escritórios precisam combinar atendimento local com tecnologia, governança e estrutura de compliance compatíveis com as exigências do mercado.

Além disso, o avanço da concorrência aumenta a pressão por transparência na remuneração. O modelo fee-based, baseado em uma taxa pelos serviços prestados, ganha espaço como alternativa aos formatos que utilizam comissões ou rebates vinculados aos produtos distribuídos.

Interiorização exige atenção do investidor

Para quem busca uma assessoria regional, a expansão do mercado também exige cuidados. Antes de contratar, o investidor deve verificar o credenciamento do profissional e da instituição nos órgãos competentes, além de compreender quais atividades cada agente está autorizado a exercer.

Da mesma forma, é importante identificar onde os ativos ficarão custodiados. O escritório atua como intermediário, enquanto os investimentos permanecem registrados em nome do cliente na instituição custodiante ou nos sistemas oficiais de registro. Por isso, o investidor não deve transferir recursos diretamente para contas pessoais de assessores ou escritórios.

Outro ponto é o suitability. A carteira deve considerar objetivos, prazo e tolerância ao risco. Assim, a proximidade do assessor regional pode contribuir para uma estratégia mais adequada aos ciclos financeiros do cliente, mas não elimina a necessidade de acompanhar os investimentos.

Por fim, o investidor deve perguntar como o escritório é remunerado. É importante entender se a estrutura utiliza comissões e rebates ou um modelo baseado em taxas. Com essa informação, o cliente consegue avaliar melhor os custos e possíveis conflitos de interesse antes de tomar decisões sobre a carteira.

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