A Diamante Geração de Energia enviou 880 quilos de carvão vegetal produzido com casca de coco para a UTE Energia Pecém, no Ceará. A empresa pretende testar o material em uma mistura com carvão mineral na caldeira industrial da termelétrica, em outubro.
A iniciativa integra uma pesquisa da Diamante em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece). O estudo avalia o uso do biocarvão na geração de energia e seu potencial para reduzir emissões de gases de efeito estufa.
Biocarvão entra em teste industrial
A Uece produziu o carvão vegetal ao longo do ano no Laboratório de Conversão Energética e Inovação. Depois, a equipe levou o material para a UTE Energia Pecém e iniciou a preparação da mistura.
Até agora, a mistura reúne 87.120 quilos de carvão mineral e 880 quilos de biocarvão. Para completar o volume previsto no experimento, a equipe ainda precisa acrescentar 520 quilos de carvão vegetal.
Em outubro, os pesquisadores vão acompanhar a combustão da mistura na caldeira industrial. Com isso, o estudo poderá avaliar o comportamento do biocarvão em condições reais de operação.
Pesquisa mira créditos de carbono
O engenheiro Diego Rebouças, que participa do projeto, explica que a pesquisa também pretende medir a quantidade de CO₂ capturada pelo carvão vegetal. A partir desses dados, os pesquisadores poderão avaliar o potencial de geração de créditos de carbono.
Além disso, o percentual de biocarvão na mistura pode influenciar o potencial de redução das emissões. Por isso, os testes devem fornecer dados para futuras avaliações sobre a aplicação da tecnologia em maior escala.
A pesquisa também cria uma alternativa para o aproveitamento energético da casca de coco. Dessa forma, o projeto combina o uso de um resíduo da cadeia produtiva com uma estratégia de redução de emissões na geração de energia.
Projeto recebe R$ 2,7 milhões
Segundo Pedro Litsek, presidente da Diamante Geração de Energia, a empresa busca viabilizar tecnicamente o uso da matéria-prima e criar novas possibilidades para reduzir as emissões da usina.
Nesse contexto, a empresa investiu R$ 2,7 milhões na pesquisa. O programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) financia os recursos.
Agora, a equipe concentra os trabalhos no teste de outubro. A partir dos resultados, a Diamante e a Uece poderão avaliar o desempenho da mistura de carvão mineral e biocarvão e o potencial de aplicação da tecnologia na operação da termelétrica.
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