A dívida dos Estados Unidos (EUA) alcançou US$ 39,2 trilhões nos 12 meses encerrados em março de 2026, segundo o Comitê para um Orçamento Federal Responsável (CRFB), e superou o Produto Interno Bruto (PIB) anual do país, estimado em cerca de US$ 31 trilhões. O dado aponta para o avanço contínuo do endividamento público, impulsionado por déficits fiscais elevados e pelo aumento do custo de financiamento da dívida ao longo do período recente.
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O crescimento da dívida ocorre em um contexto de desequilíbrio fiscal persistente, uma vez que o governo registrou déficit de US$ 1,78 trilhão em 2025, com gastos superiores à arrecadação. Esse movimento pressiona o endividamento público, enquanto amplia o volume de recursos destinados ao pagamento de juros, o que reduz o espaço para outras despesas no orçamento federal.
Além disso, a dinâmica fiscal indica que déficits elevados alimentam a expansão da dívida dos EUA, e, em paralelo, elevam o custo de carregamento desse passivo. Quando a dívida cresce em ritmo superior à arrecadação, o espaço fiscal se estreita, mesmo sem a implementação formal de medidas de ajuste, o que limita a capacidade de resposta do governo em cenários de crise.
A pressão sobre as contas públicas também se reflete na avaliação das agências de risco. Na última semana, a Fitch Ratings alertou que a nota de crédito do país enfrenta riscos diante de um déficit em expansão, destacando que o nível de endividamento público permanece acima do observado em economias com classificação semelhante.
A Fitch Ratings rebaixou a classificação de crédito dos Estados Unidos para AA+ em agosto de 2023, após impasses recorrentes relacionados ao teto da dívida. No relatório mais recente, a agência apontou que a deterioração das contas públicas se intensifica com medidas fiscais previstas no One Big Beautiful Bill Act, que incluem cortes de impostos e impactam a arrecadação federal.
Esse cenário reforça a trajetória de alta da dívida, ao mesmo tempo em que amplia a percepção de risco fiscal entre investidores. Como resultado, o custo de financiamento tende a subir, o que retroalimenta o crescimento do endividamento e mantém a pressão sobre a política econômica do país.
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