Acordo Mercosul-UE pode reposicionar Ceará no comércio global

Pecém ceará exportações
Acordo Mercosul-UE amplia exportações do Ceará, com impacto em investimentos, competitividade e acesso ao mercado europeu. (Foto: Divulgação/CIPP)

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) ganha destaque na edição n.º 01 de 2026 do Farol da Economia Cearense, publicada pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), ao apontar impactos diretos sobre a economia do estado. O estudo indica que a parceria, com vigência provisória prevista para esta sexta-feira (1), cria condições para ampliar exportações, atrair investimentos e diversificar a base produtiva local. Além disso, o acesso preferencial ao mercado europeu, aliado à matriz energética e à capacidade em energias renováveis, reposiciona o Ceará no comércio internacional.


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A análise mostra que a pauta exportadora do Ceará para a União Europeia inclui semimanufaturados de aço, frutas frescas como melão e manga, além de calçados, castanha-de-caju, quartzitos e ceras vegetais. Esses segmentos já operam com demanda consolidada e, com a redução gradual de tarifas prevista no acordo Mercosul-UE, tendem a ampliar competitividade frente a países sem acesso preferencial. Ademais, o estudo reforça que o acordo pode reconfigurar o desempenho dessas cadeias produtivas ao longo dos próximos anos.

O levantamento integra a publicação elaborada pela Diretoria de Estudos de Gestão Pública (Digep) do Ipece, sob coordenação do professor José Fábio Montenegro, com participação de Bruno Maia Cavalcante, Luiz Nivardo Melo Filho e Tiago Emanuel Gomes dos Santos. Segundo Montenegro, “a captura efetiva dos benefícios do acordo depende de um conjunto de condições que extrapolam o texto do tratado”, o que coloca o ambiente competitivo como fator determinante para os resultados do Ceará.

Entre os pontos críticos, o estudo destaca que a infraestrutura logística e a competitividade industrial terão papel central na execução do acordo Mercosul-UE. O documento aponta que gargalos em portos, rodovias e conectividade digital geram custos adicionais e reduzem o impacto das vantagens tarifárias. Montenegro afirma que “a exposição progressiva à concorrência europeia exigirá ganhos de produtividade, inovação e redução de custos de produção, especialmente no setor industrial local”.

Desafios estruturais e impacto econômico

Outro eixo envolve a qualificação da mão de obra, já que setores com maior potencial de expansão, como máquinas, produtos químicos e serviços digitais, exigem maior nível técnico. Nesse contexto, Montenegro observa que “setores com maior potencial de expansão das exportações demandam trabalhadores com nível técnico e educacional superior à média atual da força de trabalho brasileira, especialmente no Nordeste”.

O histórico da parceria mostra que as negociações começaram em 1999 e avançaram ao longo de mais de duas décadas, com conclusão técnica em dezembro de 2024. Ao longo de 2025 e início de 2026, houve consolidação dos textos legais, o que viabilizou o início da vigência provisória. Segundo o professor, o acordo “já se consolida como elemento central da estratégia de inserção internacional do Brasil e do Mercosul”, diante de um cenário de reconfiguração global e regionalização do comércio.

Dados apresentados no Farol indicam que a União Europeia reúne cerca de 450 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 19 trilhões. Montenegro afirma que o acordo “permite acesso ao mercado da União Europeia”, que registra exportações de US$ 2,86 trilhões e importações de US$ 2,69 trilhões. Ele acrescenta que, em 2025, “a corrente de comércio bilateral foi de US$ 100 bilhões e representou 16% do comércio exterior brasileiro”, com impacto estimado de 0,34% no PIB, aumento de 0,76% no investimento e redução de até 0,56% nos preços ao consumidor.

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