Chinesa Anta Sports aposta em expansão global e desafia Nike e Adidas

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Anta amplia presença global com aquisições e estreia nos EUA, enquanto busca competir com Nike e Adidas no mercado de roupas esportivas. (Foto: Getty/BBC News Brasil)

A Anta, empresa chinesa de roupas esportivas, expandiu suas operações globais ao inaugurar, em fevereiro de 2026, sua primeira loja nos Estados Unidos, em Beverly Hills, Los Angeles, enquanto amplia participação em marcas internacionais e reforça presença fora da China. A companhia, fundada por Ding Shizhong em 1991, construiu um portfólio com aquisições estratégicas e busca competir diretamente com Nike e Adidas em mercados ocidentais, em um contexto de reconfiguração das cadeias globais de produção.


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A trajetória da Anta começou no fim da década de 1980, quando Ding Shizhong, então com 17 anos, vendeu 600 pares de sapatos produzidos em uma fábrica familiar e utilizou o capital para montar sua própria oficina. Desde então, a empresa evoluiu de fabricante terceirizada para uma marca global, com mais de 10 mil lojas na China e patrocínio de atletas como a esquiadora Eileen Gu. Em 2005, o fundador definiu a ambição da companhia ao afirmar: “Não queremos ser a Nike da China, mas a Anta do mundo.

Fundada na cidade de Jinjiang, na província de Fujian, a empresa se beneficiou de um ecossistema industrial que transformou a região na chamada “capital mundial do calçado”. Em 2005, Fujian respondia por quase um quinto da produção global de calçados, segundo estimativas das Nações Unidas, enquanto até um terço da força de trabalho local atuava no setor. Esse modelo concentrou fornecedores, logística e manufatura em polos integrados, o que acelerou a produção e reduziu custos.

Expansão global e estratégia multimarca

A Anta consolidou sua expansão ao abrir capital na Bolsa de Hong Kong em 2007, levantando cerca de US$ 450 milhões, e passou a investir em aquisições para fortalecer sua presença internacional. Entre os movimentos, destacam-se:

  • Aquisição dos direitos da Fila na China em 2009
  • Compra da Amer Sports em 2019, controlando marcas como Arc’teryx e Salomon
  • Participação de 29% na Puma em 2026
  • Controle da Wilson, fornecedora esportiva usada pela NBA

Essa estratégia multimarca permite à empresa acessar consumidores em diferentes mercados sem depender exclusivamente da marca Anta, reduzindo barreiras associadas à percepção de produtos chineses. Segundo o analista Rufio Zhu, da IMG, a empresa utiliza marcas ocidentais como porta de entrada em regiões onde há resistência ao rótulo “made in China”.

Atualmente, a Anta opera mais de 12 mil lojas na China e cerca de 460 unidades internacionais, com plano de atingir mil pontos de venda no Sudeste Asiático em três anos. O movimento ocorre enquanto rivais enfrentam desafios. A Nike registra pressão nas vendas após dificuldades no comércio eletrônico no pós-pandemia, enquanto tarifas comerciais impactam margens de empresas que dependem da produção asiática.

Além disso, a expansão da Anta ocorre em paralelo à evolução da indústria chinesa, que investe em automação e robótica para reduzir custos e aumentar eficiência. Para o professor Fei Qin, da Universidade de Bath, o aprendizado acumulado com clientes internacionais permitiu às empresas locais aprimorar produção, velocidade e consistência.

Apesar dos avanços, a Anta enfrenta desafios relacionados à percepção de marca e à competição por contratos de patrocínio de grande escala. A empresa reconhece esse cenário e afirma, em comunicado à BBC, que mantém visão realista sobre a concorrência, destacando que o mercado global de roupas esportivas não opera como um jogo de soma zero.

*Com informações do BBC.

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