Pecém entra no mapa federal de portos estratégicos para energia eólica offshore

Porto de Pecém ceará exportações
Porto do Pecém está entre seis terminais brasileiros com potencial para atender à indústria eólica offshore, mas precisa de adaptações. (Foto: Divulgação/CIPP)

O Porto do Pecém, no Ceará, está entre os seis terminais brasileiros mapeados pelo Governo Federal para atender à futura indústria de energia eólica offshore. O estudo analisou 43 instalações portuárias e selecionou aquelas com potencial para apoiar a montagem de equipamentos e a operação de parques eólicos no mar.

O levantamento foi apresentado nesta quarta-feira (28), durante o Brazil Windpower 2026. Além do Pecém, a seleção inclui Suape (PE), Porto Central (ES), Açu (RJ), Imbituba (SC) e Rio Grande (RS). O diagnóstico também identifica as adaptações necessárias para preparar esses terminais.

Apesar do potencial, nenhum dos seis portos está totalmente preparado para receber grandes projetos offshore. Por isso, serão necessários investimentos em infraestrutura e adequações operacionais.

Entre as principais demandas estão a ampliação das áreas de armazenamento e montagem de equipamentos. Além disso, o estudo aponta a necessidade de reforçar estruturas portuárias e adequar as operações de movimentação de cargas.

O trabalho foi desenvolvido pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Dinamarquesa de Energia (DEA). A elaboração técnica ficou a cargo da COWI.

Adaptações podem levar até sete anos

De acordo com o levantamento, as intervenções nos portos podem levar de cinco a sete anos ou mais. Dessa forma, o planejamento precisa começar antes da implantação dos empreendimentos, prevista para ocorrer entre 2032 e 2035.

Entre as mudanças recomendadas estão a ampliação das áreas operacionais e a criação de espaços para armazenar e montar componentes. Também será necessário reforçar estruturas portuárias e aprimorar os procedimentos de segurança.

A chefe de Gabinete da Secretaria Nacional de Portos, Marina Bailão, destacou a importância da preparação dos terminais para o desenvolvimento do setor.

“Não há desenvolvimento competitivo da energia eólica offshore sem portos preparados. Esse diagnóstico nos ajuda a identificar prioridades, antecipar gargalos e qualificar o diálogo com o setor privado. Como as adaptações necessárias podem levar de cinco a sete anos ou mais, precisamos começar esse planejamento desde já, integrando as necessidades dessa nova indústria à preparação da infraestrutura portuária brasileira”, afirmou.

Planejamento para a indústria offshore

O estudo considera o marco legal do setor, estabelecido pela Lei nº 15.097/2025. Além disso, apresenta recomendações para orientar o desenvolvimento da atividade.

A seleção dos seis portos, no entanto, não significa que eles serão necessariamente utilizados pelos futuros parques eólicos. O mapeamento identifica instalações com potencial para atender à demanda, desde que recebam as adequações necessárias.

Para o período de 2026 a 2028, as recomendações incluem a atualização do planejamento portuário e o avanço da regulamentação da energia eólica offshore. Também estão previstas a definição de áreas prioritárias e a melhoria dos processos de licenciamento ambiental.

Já entre 2029 e 2032, o foco passa a ser a redução de riscos para os investimentos. Nesse período, o governo também prevê ações para desenvolver a cadeia produtiva nacional e qualificar profissionais.

Com isso, o diagnóstico busca antecipar as necessidades logísticas e reduzir gargalos antes da implantação dos empreendimentos. Para o Porto do Pecém, a inclusão no mapeamento representa o reconhecimento de seu potencial para integrar a infraestrutura de suporte à futura indústria eólica offshore no Brasil.

Leia também:

Pecém coloca município cearense entre os maiores exportadores do Nordeste

Sebrae-CE e ArcelorMittal Pecém incentivam projetos para negócios de impacto

Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado

Siga a Trends: