Dívida pública federal sobe para R$ 9,29 trilhões em julho

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Dívida Pública Federal sobe 0,22% em julho e chega a R$ 9,29 trilhões, impulsionada pela apropriação de juros, aponta o Tesouro Nacional. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

A Dívida Pública Federal (DPF) avançou 0,22% em julho e chegou a R$ 9,288 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional na última quarta-feira (26). Em junho, o estoque estava em R$ 9,268 trilhões.

Apesar da alta, o valor permanece dentro das projeções do governo. Conforme o Plano Anual de Financiamento (PAF), a dívida deve terminar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.

O avanço em julho ocorreu mesmo com o Tesouro tendo resgatado mais títulos do que emitiu. Isso porque a apropriação de juros somou R$ 89,95 bilhões e superou o efeito dos resgates.

Juros pressionam estoque da dívida

A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 0,31% em julho, passando de R$ 8,921 trilhões para R$ 8,948 trilhões.

No mês, o Tesouro emitiu R$ 198,14 bilhões em títulos. Desse total, R$ 124,11 bilhões estavam vinculados à Selic. Já os resgates alcançaram R$ 260,05 bilhões.

Assim, o governo retirou mais recursos do mercado do que captou. Entretanto, os R$ 89,95 bilhões em juros apropriados impediram a redução do estoque.

A apropriação registra mensalmente a correção dos juros sobre os títulos. Com a Selic em 14% ao ano, esse mecanismo aumenta a pressão sobre o endividamento público.

Por outro lado, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 2,12%. O estoque passou de R$ 347,71 bilhões para R$ 340,06 bilhões. A queda do dólar, de 1,92% em julho, contribuiu para o resultado.

Títulos ligados à Selic ganham espaço

A composição da dívida também mudou. A participação dos títulos vinculados à Selic passou de 49,32% para 51,11%.

Já os papéis corrigidos pela inflação avançaram de 25,9% para 26,02%. Em sentido contrário, os títulos prefixados recuaram de 21,04% para 19,22%.

A parcela vinculada ao câmbio também caiu, de 3,74% para 3,65%.

O movimento ocorre em um cenário de juros elevados, que aumenta a demanda por títulos atrelados à Selic. Além disso, o elevado volume de vencimentos de papéis prefixados contribuiu para a mudança na composição durante julho.

Para o fim de 2026, o PAF prevê que os títulos ligados à Selic representem entre 49% e 53% da dívida. Para os papéis indexados à inflação, a previsão fica entre 21% e 25%.

Colchão financeiro atinge maior nível

O colchão da dívida, reserva utilizada pelo Tesouro para enfrentar períodos de turbulência e concentrações de vencimentos, permaneceu em R$ 1,346 trilhão em julho.

O nível representa o maior da série histórica, iniciada em 2015. Além disso, a reserva cobre atualmente 7,81 meses de vencimentos da dívida.

Nos próximos 12 meses, o Tesouro prevê o vencimento de R$ 1,76 trilhão em títulos federais. Por isso, a manutenção de uma reserva elevada funciona como proteção para a gestão da dívida.

Prazo médio aumenta

O prazo médio da Dívida Pública Federal passou de 4,01 para 4,05 anos. O indicador mostra o período médio necessário para o governo refinanciar seus compromissos.

Quanto maior o prazo, menor tende a ser a concentração de vencimentos no curto prazo. Dessa forma, o Tesouro busca reduzir riscos associados à necessidade de refinanciar grandes volumes em momentos de maior volatilidade.

Entre os detentores da dívida interna, as instituições financeiras concentravam 31,35% do estoque em julho. Fundos de pensão respondiam por 22,73%, enquanto fundos de investimento tinham 22,23%.

Os investidores estrangeiros representavam 9,82% da dívida interna, abaixo dos 9,95% registrados em junho. A participação dos não residentes é acompanhada pelo mercado como um dos indicadores de confiança dos investidores no país.

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