Brasil e Estados Unidos devem retomar, na próxima semana, as negociações sobre as tarifas aplicadas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros. A primeira reunião ocorrerá de forma virtual entre Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos.
A reunião deve ocorrer na segunda-feira (31), mas o horário ainda depende da agenda dos dois representantes. Além disso, um representante do Itamaraty deve participar das conversas, que marcam a retomada das tratativas entre os países.
O contato entre os governos avançou após uma conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última sexta-feira (21). Na sequência, Greer entrou em contato com Márcio Elias para iniciar a definição da agenda de negociação.
Governo busca ampliar lista de exceções
As negociações entre Brasil e Estados Unidos estavam suspensas desde 14 de julho, antes do anúncio oficial de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Posteriormente, em 23 de julho, o governo norte-americano anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5%.
Segundo Márcio Elias, o governo brasileiro não trabalha, neste momento, com a expectativa de reversão das tarifas. Por isso, a estratégia será buscar a inclusão de novos setores na lista de exceções.
“É óbvio que não é de se esperar que eles venham a retroagir na decisão. Não vão. Mas vamos trabalhar para que outros setores possam ser incluídos na lista de exceções”, afirmou o ministro ao GLOBO.
Além disso, Márcio Elias avaliou que Lula poderá conduzir as negociações com Trump. A conversa entre os dois presidentes durou mais de uma hora e ocorreu em tom considerado cordial pelo governo brasileiro.
Tarifas atingem empresas brasileiras
De acordo com dados do MDIC, cerca de 8,6 mil empresas brasileiras estão sujeitas às tarifas impostas pelos Estados Unidos. No entanto, a sobretaxa não atinge toda a pauta comercial brasileira.
Atualmente, 52,7% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos não enfrentam sobretaxa, enquanto os outros 47,3% estão sujeitos a algum nível de tarifa.
Nesse cenário, a retomada das negociações abre espaço para o governo brasileiro tentar ampliar as exceções e reduzir os impactos das medidas sobre setores exportadores.
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