As praias de Pernambuco são um dos principais cartões-postais do Estado. No entanto, há décadas, a região convive com um desafio que influencia a percepção de turistas e moradores: os incidentes envolvendo tubarões.
Embora as ocorrências sejam raras diante do grande fluxo de banhistas, os registros ao longo do tempo mantiveram a preocupação com a segurança aquática, principalmente na faixa costeira entre Olinda e o Cabo de Santo Agostinho.
Por isso, o Governo de Pernambuco ampliou os investimentos em monitoramento, pesquisa e educação ambiental. O objetivo é transformar conhecimento científico em ações de prevenção.
Entre as principais iniciativas está o Projeto Ecotuba, que começará as atividades em junho e promete inaugurar uma nova etapa na compreensão do comportamento dos tubarões no litoral pernambucano.
Entre 2023 e 2026, o Estado destinou mais de R$ 4,5 milhões para pesquisas científicas, recuperação de ecossistemas costeiros, monitoramento ambiental e ações educativas. Além disso, outros R$ 5,2 milhões foram investidos no Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar), com aquisição de embarcações, veículos, equipamentos de resgate e sinalização preventiva.
Turismo em Pernambuco enfrenta o desafio da percepção de risco
A associação entre Pernambuco e os ataques de tubarão ganhou repercussão internacional. Como consequência, algumas praias da Região Metropolitana do Recife tiveram sua imagem turística impactada.
Porém, especialistas destacam que o desafio vai além da prevenção dos incidentes. Também é necessário construir uma cultura de convivência segura com o ambiente marinho.
Segundo a secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (CEMIT), Danise Alves, a produção de conhecimento científico é essencial para reduzir riscos e orientar políticas públicas.
“Nosso objetivo é fortalecer a tomada de decisões baseada em evidências científicas, ampliando a segurança dos usuários das praias e promovendo uma convivência mais harmoniosa entre as atividades humanas e a biodiversidade marinha.”
Projeto Ecotuba vai monitorar 50 tubarões no litoral pernambucano
Coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Projeto Ecotuba atuará em cerca de 33 quilômetros de litoral entre Olinda e o Cabo de Santo Agostinho, região que concentra a maior parte dos incidentes registrados no Estado.
A iniciativa utilizará a telemetria acústica, tecnologia empregada em Fernando de Noronha há mais de uma década.
A previsão é que 50 tubarões sejam capturados, marcados e monitorados a partir de julho.
Os animais receberão transmissores acústicos implantados por equipes especializadas, seguindo protocolos internacionais de bem-estar animal. Em seguida, os sinais serão captados por cerca de 20 receptores instalados em pontos estratégicos da costa.
Segundo Danise Alves, a tecnologia permitirá identificar padrões de deslocamento, áreas de permanência e períodos de maior ocorrência das espécies monitoradas.
O que o Projeto Ecotuba pretende descobrir
Com a nova rede de monitoramento, os pesquisadores pretendem ampliar o conhecimento sobre a ecologia dos tubarões.
Entre os aspectos analisados estão:
- Rotas de deslocamento das espécies;
- Áreas de permanência mais frequentes;
- Períodos de maior presença próximos à costa;
- Influência das marés;
- Relação com as fases da lua;
- Impacto dos ventos e das chuvas;
- Condições oceanográficas e climáticas;
- Uso dos habitats costeiros.
Os estudos já identificaram espécies como tubarão-lixa, tubarão-rabo-seco, tubarão-flamengo, tubarão-azeiteiro, tubarão-galha-preta, tubarão-cabeça-chata e tubarão-tigre.
Entre elas, o cabeça-chata e o tigre recebem atenção especial porque apresentam maior potencial de envolvimento em incidentes com seres humanos.
Ciência e educação ambiental reforçam a prevenção
Além do monitoramento científico, Pernambuco também investe em educação ambiental por meio do Plano de Educação Ambiental para Segurança Aquática e Prevenção de Incidentes com Tubarões (PEAST-PE).
O programa reúne 50 ações estratégicas de conscientização.
As iniciativas incluem palestras, oficinas, exposições itinerantes, atividades em escolas e universidades, ações em comunidades pesqueiras e campanhas nas praias. Atualmente, 14 projetos já foram executados ou estão em andamento.
Para Danise Alves, a participação da sociedade será decisiva para o sucesso das iniciativas.
“O conhecimento produzido pelas pesquisas precisa chegar à população de forma acessível. A educação ambiental é uma ferramenta essencial para fortalecer a cultura da segurança aquática e ampliar a prevenção dos incidentes.”
Por fim, a expectativa é que os resultados do Projeto Ecotuba ajudem a aperfeiçoar a gestão de risco e orientem novas ações preventivas. Além disso, a iniciativa pode fortalecer a imagem de Pernambuco como um destino turístico comprometido com a ciência, a segurança dos banhistas e a preservação dos ecossistemas marinhos.
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