Investimento inédito em Petrolina coloca Pernambuco na vanguarda dos data centers sustentáveis

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Investimento de R$ 20 milhões em Petrolina posiciona Pernambuco como referência em data centers sustentáveis, energia renovável e inovação tecnológica. (Foto: Divulgação)

A transformação digital e a expansão acelerada da inteligência artificial estão elevando a demanda global por data centers. Nesse cenário, Pernambuco passa a ocupar uma posição estratégica ao receber um investimento de R$ 20 milhões da Axia Energia para a implantação de um data center experimental no Centro de Referência de Energia Solar de Petrolina (CRESP).

Além disso, a iniciativa é considerada inédita no Brasil por integrar geração solar de alta tecnologia, armazenamento térmico e sistemas inteligentes de refrigeração em uma única plataforma operacional.

O projeto será instalado na mesma área onde a empresa concluiu recentemente uma Planta Solar Híbrida de Torre Central de Alta Concentração Fotovoltaica (HCPV), a segunda do mundo a utilizar a tecnologia RayGen, desenvolvida por uma startup australiana.

Ao mesmo tempo, o empreendimento integra um amplo programa de pesquisa, desenvolvimento e inovação que já recebeu R$ 74 milhões em investimentos. O objetivo é transformar Petrolina em um centro de testes para soluções energéticas voltadas à nova economia digital.

Tecnologia reduz consumo energético dos data centers

O principal diferencial da iniciativa está no aproveitamento simultâneo da eletricidade e do calor gerados pela radiação solar.

Enquanto os módulos fotovoltaicos produzem energia elétrica, o calor excedente captado pelo sistema é armazenado e utilizado em aplicações industriais. Dessa forma, o projeto amplia a eficiência energética da operação.

No data center experimental, essa energia térmica será direcionada aos sistemas de refrigeração, considerados um dos maiores centros de custo desse tipo de empreendimento.

Segundo Juliano Dantas, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da Axia Energia, a proposta reduz a dependência dos sistemas convencionais de resfriamento.

“O uso de energia térmica para refrigeração permite aproveitar diretamente o calor gerado pela própria usina heliotérmica. Isso reduz a dependência de chillers elétricos tradicionais, que representam uma parcela significativa do consumo energético dos data centers.”

Além disso, a expectativa é que a tecnologia aumente a eficiência energética e reduza os custos operacionais de futuras instalações digitais no país.

Impactos para a economia de Pernambuco

Além do caráter inovador, o projeto pode gerar efeitos relevantes para a economia pernambucana.

Entre os principais benefícios previstos estão:

  • Fortalecimento de Pernambuco como polo nacional de inovação energética e digital;
  • Atração de novos investimentos em tecnologia, infraestrutura e energia renovável;
  • Geração de empregos qualificados nas áreas de engenharia, tecnologia da informação e pesquisa;
  • Ampliação da capacidade do estado para receber novos data centers e operações de computação em nuvem;
  • Estímulo à formação de mão de obra especializada em tecnologias emergentes;
  • Consolidação de Petrolina como referência em pesquisa aplicada à transição energética;
  • Maior visibilidade internacional para Pernambuco em projetos ligados à sustentabilidade e à economia de baixo carbono;
  • Desenvolvimento de uma cadeia produtiva associada à infraestrutura digital e energética.

Energia renovável com operação contínua para cargas críticas

Garantir energia ininterrupta é um dos principais desafios dos data centers. Por isso, a planta experimental de Petrolina está avaliando tecnologias capazes de transformar fontes renováveis em energia despachável, disponível inclusive nos períodos sem incidência solar.

Segundo Juliano Dantas, a combinação entre geração solar de alta concentração e armazenamento térmico de longa duração oferece uma alternativa para atender cargas críticas que exigem elevado nível de confiabilidade.

“Tecnologias capazes de fornecer energia de forma flexível são fundamentais para a expansão da infraestrutura digital. Elas permitem compatibilizar a variabilidade das fontes renováveis com a necessidade de fornecimento contínuo exigida por cargas críticas como os data centers.”

Atualmente, a planta possui capacidade elétrica de 1 MW, suficiente para abastecer aproximadamente mil residências. Além disso, conta com capacidade térmica de 2,2 MW.

No local, estão sendo avaliadas dez tecnologias distintas, incluindo armazenamento térmico, Internet das Coisas (IoT), sistemas heliotérmicos e soluções avançadas de geração fotovoltaica.

Entre os destaques estão os 247 heliostatos, que acompanham o movimento do sol e direcionam a radiação para uma torre central de 40 metros de altura equipada com módulos fotovoltaicos de alta eficiência.

Pesquisa e inovação aceleram novos investimentos

Dos R$ 74 milhões destinados ao projeto, R$ 67,9 milhões são provenientes do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Já os outros R$ 6,85 milhões correspondem à contrapartida da Axia Energia.

Para Juliano Dantas, os recursos voltados à inovação são fundamentais para acelerar a validação de novas tecnologias e ampliar a competitividade do setor energético nacional.

“Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento ajudam a validar tecnologias em escala real e encurtam o caminho entre a inovação e sua aplicação prática. Quando aplicados estrategicamente, esses recursos geram ganhos de eficiência, competitividade e sustentabilidade para o setor elétrico brasileiro.”

Além dos data centers, as soluções desenvolvidas em Petrolina poderão atender setores como alimentos e bebidas, papel e celulose, indústria química, petroquímica, dessalinização e produção de hidrogênio verde.

Pernambuco amplia protagonismo na infraestrutura digital sustentável

Ao combinar geração elétrica, produção de calor e armazenamento de energia em uma mesma estrutura, o projeto reforça o protagonismo do Nordeste na transição energética brasileira.

Além disso, a iniciativa posiciona Pernambuco como um dos territórios mais promissores do país para receber investimentos ligados à infraestrutura digital sustentável nas próximas décadas.

Dessa forma, Petrolina se consolida como um importante laboratório de inovação tecnológica, conectando energia renovável, transformação digital e desenvolvimento econômico em um único ecossistema.

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