O turismo de experiência vai muito além dos circuitos tradicionais. Ele busca proporcionar aos visitantes uma vivência aprofundada em uma determinada cultura. (Foto: Rogério Lima)

Vivências brasileiras: a experiência como diferencial turístico

Por: Sara Café | Em:
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Quando se fala em turismo no Brasil, as belezas naturais e a cultura pulsante do país ficam na mira dos holofotes. No entanto, pouco se fala sobre o brasileiro como turista. Por isso, é preciso reforçar: as viagens estão cada vez mais presentes nos planos dos brasileiros.


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Alexandre Pereira, Secretário do Turismo de Fortaleza, ressalta que proporcionar experiências ao turista é cada vez mais importante e fundamental para que um destino se consolide entre os preferidos dos viajantes, já que ao longo do tempo, o perfil do turista e a forma dele fazer turismo foi se modificando.

O turismo de experiência vai muito além dos circuitos tradicionais. Ele busca proporcionar aos visitantes uma vivência aprofundada em uma determinada cultura, a conexão entre as pessoas em prol da troca de conhecimentos e visões de vida, momentos de prazer que permanecerão na memória e onde o elemento central é o envolvimento emocional, o propósito, o fazer sentido.

“Entregar ao turista algo que ele não pode obter de forma virtual é o que vai fazer o diferencial. E isso seria justamente a experiência. Quando falo experiência me refiro a uma grande variedade de vivências: gastronômicas, sonoras, esportivas, entre outras. O turismo de experiências veio para ficar e quem ainda não entendeu isso vai ficar para trás”, pontua Alexandre Pereira.

Para Fabiana Gizele, articuladora do Sebrae/CE na região do Maciço de Baturité, a necessidade dos usuários se voltou para a satisfação de novidades que estimulem seus sentidos e sentimentos. “Trata-se de proporcionar experiências, quer seja pelos ativos simbólicos, histórias, ofícios, ritos e tradições. Sem perder a autenticidade das vivências envolvendo o turista e provocando a experimentação.”

Da crise ao otimismo

De acordo com o Guia para a Retomada Econômica do Turismo, lançado pelo Ministério do Turismo em novembro de 2021, o turismo doméstico e de curta duração para lugares próximos aos grandes centros urbanos será importante nessa retomada da mobilidade pós-vacinação contra a Covid-19.

O documento, inclusive, sugere investir no ecoturismo como modalidade que ganhou força a partir da pandemia e ainda indicou que Fortaleza figura como um dos destinos mais buscados para o ano.

A Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor) vem mostrando que a Capital tem muito mais do que sol e mar, e quem visita a cidade tem se surpreendido de maneira positiva. “Muitos ficam encantados com nossa Beira-Mar e a infinidade de esportes que se pode praticar no local, tanto na água, quanto na areia e no calçadão”, confirma o Secretário de Turismo.

E isso se reflete em números: Fortaleza recebeu cerca de 500 mil visitantes, entre nacionais e internacionais, na alta estação, definida entre os meses de dezembro de 2021 e janeiro de 2022. A vinda representa uma injeção de mais de R$ 1,4 bilhão na economia da capital cearense.

Já o Governo do Ceará vem investindo mais de R$ 17 milhões para o setor de turismo, segundo o Balanço Geral de Monitoramento dos Acordos de Resultados. Em 2021, o Estado recebeu a demanda de 105 mil turistas internacionais, 89% de satisfação dos turistas em relação aos atrativos naturais e 73% de satisfação com a infraestrutura e os serviços de apoio ao turista.

Essa expansão se justifica porque o público está cada vez mais conectado e em busca de experiências que façam sentido. O Sebrae/CE registra que esse consumidor tem de 35 a 50 anos e os serviços oferecidos tendem a ter um preço entre 10% e 50% maior do que os tradicionais.

Para aproveitar esse nicho de mercado, é preciso ser criativo e inovador. É o que defende Fabiana Gizele: “o conceito da experiência pode ser inserido em espaços naturais e rurais, Ecoturismo, turismo pedagógico e turismo histórico.”

Rota da Cachaça

Que a cachaça é uma paixão nacional que agrada os mais diversos paladares, o fortalezense já sabe. Mas a partir de agora, é também uma aposta do turismo para fomentar a economia de experiência no pós-pandemia. A quarta-feira entra no calendário social de Fortaleza como o dia da Rota da Cachaça.

“Temos investido também em roteiros de experiências gastronômicas e culturais, com a recém-lançada Rota das Cachaça. E estamos desenvolvendo também novos projetos de turismo religioso e de base comunitária, levando o turista a ter experiências diretas com a religiosidade local e os moradores de comunidades raízes da cidade”, destaca o secretário de Turismo de Fortaleza.

Em abril, a Setfor lançou o roteiro que reúne a degustação de diferentes tipos do destilado harmonizados com petiscos regionais. Alexandre Pereira explica que “a Rota da Cachaça Fortaleza é uma parceria com a Abrasel-CE, que proporciona ao turista e ao fortalezense uma experiência gastronômica e cultural em cinco bares e restaurantes da cidade. Às quartas-feiras, os estabelecimentos contam com uma pessoa à disposição para falar sobre a história e curiosidades da bebida, que é uma das mais populares do Brasil.”

A Rota da Cachaça é uma iniciativa da Secretaria do Turismo de Fortaleza e apresenta vários rótulos para degustação. (Foto: Rogério Lima)

O lançamento da Rota também incentivou a assinatura de um termo de cooperação entre a Setfor e a Associação do Turismo Rural para que as atividades se expandam para o interior do Estado. Anya Ribeiro, presidente da Associação, explica que a parceria pretende aliar o roteiro de Fortaleza com a experiência do turismo rural: “será realizada uma série de eventos com essa conexão entre Cariri, Ibiapaba, Aquiraz, conectando os pontos de lá e integrando o turismo, porque a ruralidade está em todo o território do Ceará”.

Nova tendência

Tendência do turismo nos dias atuais, os roteiros e projetos de experiências têm sido foco da Setfor, que já vem trabalhando nesse sentido há algum tempo. Um bom exemplo é o projeto Pôr do Sol Fortaleza, que aposta na experiência de escutar música ao vivo, à beira-mar, nos finais das tardes de domingo.

Para quem gosta de conhecer a cultura regional, a religiosidade, os aspectos geológicos e as riquezas naturais do Ceará, um roteiro que impulsiona o fluxo turístico na região é a Rota Cariri. O projeto é da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur), em parceria com a Secretaria da Cultura do Estado (Secult) e o Sebrae/CE, que contempla mais de 50 pontos turísticos como Geoparque, Estátua de Padre Cícero e Casa do Patativa do Assaré.

A Assembleia Legislativa aprovou projeto que institui a Rota das Falésias como o novo circuito turístico do estado do Ceará, em junho de 2021. A rota trabalha 35 praias e cerca de 600 empreendimentos espalhados por 215 km de litoral. A ideia é amplificar o binômio “sol e praia” com itens como gastronomia, artesanato, trilhas em manguezais e atividades de windsurf e kitesurf, potencializando a atração de visitantes interessados no ecoturismo, turismo esportivo e de lazer. 

E para os viajantes que querem conhecer um Ceará além do litoral, o Sebrae/CE vem construindo, desde 2013, práticas para o desenvolvimento sustentável da Região do Maciço de Baturité. É um cenário interiorano que interliga os caminhos da Rota Verde do Café, onde se encontra o Café Sombreado. “O Sebrae, ao idealizar essa rota, considera a sustentabilidade, a experiência e a interação dos turistas com a prática que impulsionou o turismo regional como um destino inteligente”, finaliza Fabiana Gizele.  

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