Como Fortaleza se preparou para a retomada do turismo

A capital foi o terceiro local mais procurado em outubro, segundo dados da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), atrás apenas de Gramado (a cidade mais buscada), Natal e Salvador (empatadas na segunda posição). (Foto: Secretaria do Turismo do Ceará)

Fortaleza é conhecida como um dos principais destinos turísticos do Brasil e não tem sido diferente agora na retomada do setor no país. A capital foi o terceiro local mais procurado em outubro, segundo dados da Braztoa (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), atrás apenas de Gramado (a cidade mais buscada), Natal e Salvador (empatadas na segunda posição).


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Segundo o presidente da ABIH-CE (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – Ceará), Régis Medeiros, há um viés de melhora mês a mês, com os números caminhando para os patamares históricos pré-pandemia. “Historicamente, até 2019, em julho nós normalmente temos 76% de hotéis ocupados em Fortaleza. Em outubro deste ano, a ocupação foi de 74%, superando a faixa histórica de 70%”.

Ele afirma que na capital há uma procura principalmente vinda de outros estados, especialmente do Sudeste e Sul. Há também uma quantidade relevante de público regional do Nordeste, mas não existe muita procura pela cidade vinda do próprio cearense do interior.

“Fortaleza investiu US$ 300 milhões ao longo desses últimos oito anos, com a nova avenida Beira-Mar, o polo gastronômico da Varjota, a nova Praia de Iracema, a Praia do Futuro e agora com um projeto para a Barra do Ceará. Foram muitos projetos de infraestrutura para a cidade”, destaca Alexandre Pereira, secretário de Turismo de Fortaleza.

O secretário ressalta ainda a construção de ciclovias e de viadutos, a duplicação de vias e a iluminação pública de luz branca. “Tudo isso tornou Fortaleza uma cidade referência para o turismo porque não há turismo sem infraestrutura. Há um tripé no turismo muito bem definido: infraestrutura, promoção do destino e a capacitação do trade turístico dentro da cidade”.

Foi criada também a Escola do Turismo com foco na capacitação dos diversos segmentos econômicos que compõem a cadeia do turismo. “São 50 setores da economia em que estamos criando estratégias de capacitação permanente através da Escola”, pontua Pereira.

Segundo o economista e mestre em turismo Álvaro Martins de Carvalho Filho, Rio Grande do Norte e Bahia são os estados do Nordeste que mais contribuem para o envio de turistas para o Ceará quando ocorre o aumento de 1% no PIB per capita desses estados. Já na região Sudeste, Minas Gerais é o estado que mais contribui para a entrada de viajantes no Ceará, gerando aumento desse índice.

No Sul, embora geograficamente mais distante do Nordeste, Santa Catarina é o estado que mais contribui com a emissão de turistas, com uma quantidade acima da de Minas. O Distrito Federal, no Centro-Oeste, é o que gera menos impacto sobre a emissão de turistas para o Ceará, embora tenha uma população com alto poder aquisitivo e seja uma cidade sem praias.

ABAV Expo & Collab

A capital recebeu, em outubro deste ano, a maior feira de negócios de turismo do Brasil, a ABAV Expo & Collab, realizada pela Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem). Suspensa no ano passado devido à pandemia, ela voltou em 2021 como o primeiro grande evento nacional do setor a ser realizado de forma presencial, estreando a retomada do formato em Fortaleza após ter se fixada em São Paulo desde 2013.

O evento foi realizado no Centro de Eventos do Ceará de forma híbrida, com ações virtuais e atividades presenciais limitadas, seguindo medidas de proteção sanitárias. A ideia foi que ele funcionasse como um teste para a reabertura das feiras e convenções.

A feira é importante por reunir toda a cadeia produtiva do setor e costuma ser uma vitrine para o lançamento de novidades e apresentação de tendências para o mercado ao reunir companhias aéreas; meios de hospedagem; operadores de turismo; empresas de cruzeiros marítimos e de segmentos especializados, como Corporativo, Luxo e LGBTIQ+, locadoras de veículos, equipamentos turísticos e fornecedores de soluções de tecnologia voltadas ao setor; além de representações de destinos e órgãos oficiais de turismo, nacionais e internacionais.

“É emblemático Fortaleza sediar um grande evento corporativo como o ABAV Expo & Collab porque ele é o primeiro desse porte na cidade neste momento de retomada do setor”, afirma o secretário de Turismo.

“A mudanças de local partiu da nossa necessidade de mostrar o Brasil ao trade e entendemos que o Ceará era um destino grandioso reconhecido no exterior. É importante ter o protagonismo do nosso produto neste momento de retomada do turismo”, afirma Magda Nassar, presidente da Abav.

Rotas do Sol Nordeste

Neste ano foram lançados dois roteiros turísticos entre o Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão. As “Rotas do Sol Nordeste”, criadas com o objetivo de integrar o turismo regional no Nordeste, fazem parte de um projeto de integração entre as capitais nordestinas e foi concebido pelo secretário do Turismo de Fortaleza, Alexandre Pereira, no final de 2019, cuja inspiração veio do turismo feito na Europa, onde é comum o viajante chegar por um país e sair por outro.

“Quando enxergamos que o turismo voltaria regional e interno no Brasil, com viagens de carro e de ônibus porque a malha aérea ainda estava muito incipiente, fizemos algumas estratégias de rotas ligando Fortaleza a outras capitais do Nordeste. Uma com Natal e outra com São Luís, passando por algumas cidades dos estados”, diz o secretário.

O primeiro trecho da Rota do Sol Nordeste, lançado em junho, une Fortaleza a Natal passando por Canoa Quebrada (CE) e Pipa (RN). Em julho, foi criada a Rota do Sol Nordeste Fortaleza – São Luís, roteiro que passa por Paracuru (CE), Jericoacoara (CE) e Tutóia (MA). Em todos os casos, a iniciativa reúne as secretarias municipais de turismo e as prefeituras dos municípios envolvidos e o deslocamento entre os destinos ocorre por meio de passeios terrestres.

“O nosso objetivo é divulgar o Nordeste brasileiro no próximo ano, quando estivermos participando de feiras internacionais, porque criamos uma estratégia na região de compartilhamento do turista”, conclui Pereira.

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