A possível formação de um Super El Niño acende um alerta para o mercado agrícola e para o comportamento dos preços dos alimentos nos próximos anos.
Segundo projeções da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), o fenômeno climático tem 82% de probabilidade de ocorrer entre maio e julho e 96% de chance de se consolidar entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Além disso, as estimativas apontam para mudanças importantes no regime de chuvas e temperaturas em diversas regiões do Brasil.
De acordo com as projeções, o fenômeno tende a aumentar o volume de chuvas na Região Sul. Por outro lado, o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos mais prolongados de estiagem.
Como consequência, a produção agrícola pode sofrer impactos relevantes, principalmente em culturas mais sensíveis às condições climáticas.
Conforme o economista da FGV Agro, Felippe Serigati, os reflexos sobre os preços dos alimentos devem ser mais perceptíveis em 2027.
“Pensando na safra brasileira, um El Niño ao longo deste segundo semestre deve gerar impactos sobre os preços dos alimentos mais intensos em 2027 do que agora, em 2026”, afirma.
Alimentos podem registrar aumento de preços
Entre os produtos mais vulneráveis aos efeitos do El Niño, destacam-se os grãos, hortaliças, frutas, leite e carnes.
Ao passo que, o fenômeno pode provocar o encarecimento de commodities como milho e soja, que influenciam diretamente os custos da produção pecuária através da ração animal.
Por isso, especialistas acompanham com atenção a evolução do cenário climático e os possíveis efeitos sobre a cadeia de abastecimento.
Fenômeno ainda em fase de formação
De acordo com o meteorologista Willians Bini, o El Niño permanece em fase de formação no Oceano Pacífico.
“Mesmo quando existe um padrão histórico, os efeitos não se repetem exatamente da mesma forma em cada evento. É preciso cautela ao interpretar os impactos do fenômeno”, realça.
Impactos variam conforme a região do país
A CEO da Agrymet, Bárbara Sentelhas, explica que os efeitos do fenômeno climático não ocorrem de maneira uniforme em todo o território nacional.
No Sul do Brasil, por exemplo, o aumento das chuvas pode provocar inundações, erosão do solo e maior incidência de doenças nas lavouras.
Como resultado, o excesso de água favorece a proliferação de pragas e pode reduzir a produtividade agrícola.
Já no Nordeste, a tendência é de redução dos índices pluviométricos.
Nesse cenário, podem ocorrer períodos mais prolongados de seca, degradação das pastagens e diminuição da disponibilidade de água para irrigação.
Segundo a especialista, as culturas mais vulneráveis nessa região são o feijão e o milho.
Por isso, a evolução do fenômeno é acompanhada com atenção pelo setor agropecuário.
No Centro-Oeste, os efeitos diretos do El Niño costumam ser menos intensos. Ainda assim, as temperaturas mais elevadas podem prolongar os períodos secos e aumentar o risco de incêndios.
Consequentemente, as condições climáticas podem gerar desafios adicionais para a atividade agropecuária e para a gestão dos recursos naturais.
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