Potencial em energias renováveis pode ser caminho para encontrar soluções inovadoras no segmento e garantir impactos econômicos positivos para o Estado. (Foto: Freepik)

Energias renováveis impulsionam inovação no setor elétrico do Ceará

Por: Maria Babini | Em:
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A inovação tem dado largos passos no setor de energia elétrica no Ceará. E essa trajetória conta atualmente com a participação do Projeto Ciência e Inovação em Políticas Públicas, nome oficial do Programa Cientista-Chefe, criado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). Nessa parceria, a proposta é a construção de mecanismos de integração entre academia, poder público e indústria, visando a mudança do perfil da economia do Estado através da Indústria do Conhecimento, segundo Fernando Antunes, cientista-chefe em Energia e professor titular do Departamento de Engenharia Elétrica (DEE) da Universidade Federal do Ceará (UFC).


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De acordo com Antunes, desde o final de 2018, o Cientista-Chefe em Energia tem trabalhado com a Coordenação de Energia e Telecomunicações (Coete) da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra) na eficientização e monitoramento das utilidades, como energia elétrica, telecomunicações, água e gás, buscando reduzir os gastos do Ceará com esses serviços. Outro ponto de trabalho com a Seinfra e também a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) é a concepção de projetos de Sistemas Fotovoltaicos (FV) para escolas estaduais, consumidores de baixa renda e rurais, considerando a grande incidência solar no Estado.

“Além de uma licitação realizada para instalação de Sistemas FV em 32 escolas estaduais, ações estão sendo feitas junto a cooperativas produtivas no interior do Ceará para reduzir os gastos com energia elétrica de associação de produtores rurais, através de Sistemas FV instalados nessas cooperativas”.

Fernando Antunes, cientista-chefe em Energia

Mobilidade elétrica é mais uma das áreas de atuação do programa. A partir do estágio inicial de crescimento desse mercado, têm-se percebido oportunidades para o desenvolvimento tecnológico do Ceará e consequente geração de empregos, com novas empresas do setor instaladas no Estado. Na UFC, Fernando Antunes coordena também o Grupo de Processamento de Energia e Controle (GPEC), do DEE. O GPEC atua na proposição de soluções tecnológicas para os setores industriais e de serviço, trabalhando em parceria com a indústria nacional, concessionárias de energia e institutos de pesquisa no Brasil e no exterior.

“O GPEC desenvolve pesquisas nas áreas de eletrônica de potência, tecnologias para uso de energias renováveis e qualidade de energia visando o processamento e uso racional e eficiente da energia elétrica na indústria, comércio, concessionárias de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica e produtores de energia elétrica”, ele explica. O grupo contribui ainda na formação e qualificação de profissionais para atuação em áreas como sistemas elétricos de potência, eletrônica de potência, acionamento industrial, qualidade da energia elétrica e aproveitamento de fontes renováveis de energia para produção de energia elétrica.

Tecnologias sustentáveis

Partindo da perspectiva dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o fortalecimento do uso das energias renováveis cumpre um papel fundamental. Principalmente em um Estado que as têm em abundância. Fernando Antunes cita que essa iniciativa, inclusive, “já tem propiciado um aumento na geração de empregos, com os avanços dos sistemas de produção de energia elétrica junto à carga, conhecido como Geração Distribuída (GD)”.

Igor Batista, diretor de Inovação do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia-CE), também comenta a importância da inovação para avanços na GD. “Nesse mercado, a tecnologia é uma forte aliada do cliente que gera a própria energia. Dos equipamentos utilizados para aumentar a segurança das instalações, passando por painéis solares de alto rendimento, até softwares ultramodernos para monitorar a geração de energia, vê-se tecnologia de ponta por todo lado”, comenta

Segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), o mercado de energia solar já gerou mais de 250 mil empregos diretos, trazendo mais de R$ 1 bilhão em novos investimentos para o setor. “A economia para o cliente ‘prossumidor’, por sua vez, pode chegar a 95% da sua conta de energia elétrica”, completa Batista.

Igor Batista destaca também que, em GD solar, o Ceará figura entre os mais relevantes mercados para geração de energia de forma descentralizada. E continua: “atualmente, seguindo uma tendência mundial, o mercado cearense já se prepara para o uso da tecnologia do hidrogênio verde que, de acordo com estimativas da consultoria Hydrogen Council, poderá representar um mercado de US$ 2,5 trilhões em 2050, sendo responsável por 20% de toda a demanda de energia mundial”, analisa.

Fernando Antunes também aponta a relevância do desenvolvimento da produção de hidrogênio verde no Estado. “Países detentores de tecnologias da cadeia produtiva do hidrogênio verde têm estabelecido programas de cooperação para o desenvolvimento da produção desse hidrogênio em países e regiões possuidoras de grandes potenciais de energias renováveis, como no Ceará, que detém condições que, seguramente, serão atrativas para estabelecer esses programas de cooperação no desenvolvimento dessa cadeia produtiva em seu território”, elenca.

“A tendência mundial é o uso do hidrogênio verde como forma de descarbonizar o planeta, seja na produção de energia elétrica ou em substituição aos combustíveis fósseis. O Ceará está na liderança no desenvolvimento de políticas públicas no estado para o hidrogênio verde, inclusive sendo um HUB de hidrogênio verde pelo Porto do Pecém”.

Igor Batista, diretor de Inovação do Sindienergia-CE

Inovação em energia e startups

Outro meio de encontrar aliados no fortalecimento de soluções inovadoras para o setor elétrico é com colaborações e investimentos em startups. A multinacional EDP, que já tem mais de 20 anos de atuação no mercado, é uma das maiores empresas privadas do segmento e renovou este ano a parceria com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups).

Desde abril, ambas deram início a uma série de atividades para fomentar um ecossistema de inovação nacional com empresas empreendedoras que atuam no setor de energia. Segundo a EDP Brasil, a ideia é estimular a transição energética no Brasil mapeando oportunidades. Outra forma de encontrar essas novas possibilidades tem sido a iniciativa Starter Business Acceleration, um programa global de inovação aberta da EDP.

De acordo com informações da EDP Ceará, o Starter Business Acceleration estimula a conexão com startups e a geração de novos negócios, assim como impulsiona a inovação no setor de energia, procurando projetos em sete categorias: soluções para clientes, inovação digital, armazenamento de energia, energias limpas, redes inteligentes, acesso à energia e processos internos inovadores. No Ceará, a EDP é responsável pela UTE Pecém, em São Gonçalo do Amarante.

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