A formalização dos negócios elevou o rendimento médio dos empreendedores brasileiros ao maior patamar da série histórica. No quarto trimestre de 2025, donos de empresas com CNPJ receberam, em média, R$ 6.409 por mês, enquanto os empreendedores informais registraram rendimento médio de R$ 2.186, segundo levantamento do Sebrae com base na PNAD Contínua.
Assim, o rendimento dos empreendedores formalizados ficou quase três vezes acima do registrado entre os informais. Além do ganho financeiro, o movimento acompanha uma mudança no perfil de quem empreende no país, com avanço da escolaridade e maior profissionalização dos negócios.
Escolaridade avança entre empreendedores
Nesse sentido, a educação aparece como um dos fatores associados à formalização. Entre 2015 e 2025, a parcela de donos de negócios informais com ensino médio completo ou superior passou de 34% para 52%, um avanço de 18 pontos percentuais.
Ao mesmo tempo, o grupo com baixa escolaridade recuou. A participação de empreendedores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto caiu de 49% para 32% no período. Entre os empreendedores que já possuem CNPJ, por sua vez, 81% têm ensino médio completo ou mais, enquanto 9,9% têm até o ensino fundamental incompleto.
Segundo o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a formalização amplia o acesso dos empreendedores a diferentes oportunidades. Entre elas estão compras públicas, emissão de nota fiscal, crédito e benefícios previdenciários.
CNPJ amplia diferença de rendimento
A diferença também aparece conforme a posição ocupacional. Um empreendedor informal que trabalha por conta própria recebe, em média, R$ 2.028 mensais. Já o empregador formalizado alcança R$ 9.666, quase quatro vezes mais.
Além disso, o rendimento médio dos empreendedores formalizados avançou 22% nos últimos dez anos, enquanto a renda dos informais cresceu 16,5%. Dessa forma, os dados indicam uma relação entre formalização, qualificação e maior capacidade de geração de renda.
Por fim, o levantamento mostra que a entrada no empreendedorismo ainda ocorre, em muitos casos, pela informalidade. No entanto, educação e formalização aparecem como fatores importantes para a evolução da atividade, especialmente à medida que o negócio busca ampliar sua escala, acessar crédito e alcançar novos mercados.
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