A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) continua concentrando a maior parte da atividade econômica do Ceará. No entanto, os municípios do interior ampliaram sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual nos últimos anos.
Segundo estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), vinculado à Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag), o interior respondeu por 38,56% do PIB estadual em 2023. Enquanto isso, a participação da RMF caiu para 61,44%, menor percentual registrado na série recente.
PIB da RMF
Em 2023, o PIB do Ceará alcançou R$ 232,23 bilhões. Desse total, a RMF respondeu por R$ 142,68 bilhões, enquanto o interior somou R$ 89,55 bilhões.
Em comparação com 2022, a participação do interior avançou de 37,09% para 38,56%. Dessa forma, a economia fora da região metropolitana ganhou 1,5 ponto percentual em apenas um ano.

Além disso, a análise de longo prazo reforça essa tendência. Em 2002, o interior representava 35,52% do PIB estadual. Desde então, a participação avançou três pontos percentuais.
Cariri, Ibiapaba e Jaguaribe lideram avanço regional
O estudo aponta que a Região de Planejamento do Cariri permanece como a segunda maior força econômica do estado, com participação de 8,04% no PIB cearense em 2023.
Ao mesmo tempo, as regiões do Sertão de Sobral e do Vale do Jaguaribe mantiveram participação superior a 4%.
Outro destaque foi a Serra da Ibiapaba. Segundo Daniel Suliano, analista de Políticas Públicas do Ipece, a região registrou ganhos consecutivos de participação e alcançou 3,1% do PIB estadual em 2023.

Municípios fora da RMF ganham relevância econômica
Além da capital Fortaleza, a RMF concentra municípios que figuram entre os maiores PIBs do Ceará, como Maracanaú, Caucaia, São Gonçalo do Amarante, Aquiraz, Eusébio e Horizonte.
Por outro lado, municípios do interior também ampliam relevância econômica. Entre eles estão Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Iguatu e Itapipoca, todos com participação superior a 1% no PIB estadual.
Nesse contexto, o estudo aponta uma diversificação gradual da atividade econômica em diferentes regiões do estado.
Diferença de renda entre RMF e interior diminui
O levantamento também analisou o comportamento do PIB per capita nas regiões cearenses. Segundo Daniel Suliano, a diferença entre interior e RMF apresentou redução ao longo dos anos.
Em 2023, a relação entre o PIB per capita do interior e da RMF chegou a 50%, indicando diminuição da desigualdade regional.
“Por outro lado, nos últimos anos, tanto a região de planejamento do Vale do Jaguaribe como também a região de planejamento do Litoral Leste tem-se destacado entre as regiões com maior PIB per capita estadual ao ultrapassar a região de planejamento do Sertão de Sobral”, afirma.
São Gonçalo do Amarante lidera PIB per capita
A Serra da Ibiapaba também avançou no ranking de renda por habitante. Em 2002, a região ocupava a 11ª posição entre as regiões de planejamento do Ceará. Já em 2023, alcançou a quinta colocação.
Da mesma forma, o Litoral Norte deixou a última posição em PIB per capita em 2002 para ocupar a décima colocação em 2023.

Por fim, o estudo destaca São Gonçalo do Amarante como o município com maior PIB per capita do Ceará. Além dele, Aquiraz, Eusébio e Maracanaú aparecem entre os dez maiores indicadores do estado.
Já no interior, Pereiro e Quixeré figuram entre os municípios com maior PIB per capita do Ceará em 2023.
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