No aspecto de fomentar o desenvolvimento, o crescimento e a expansão de negócios de cadeias produtivas do Ceará, o Governo do Estado distribuiu por meio de edital, o pagamento de R$ 25 mil a 10 instituições selecionadas, no sentido de interceder em planos de planejamento e soluções socioambientais, é o projeto Impacto Produtivo.
O cronograma geral foi coordenado e financiado pela Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), contando com apoio do Comitê Estadual de Negócios de Impacto (CENI), órgão vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE). A secretária – executiva do CENI, Luana Bandeira, esclarece que a proposta se fortaleceu através da sanção de atribuições legislativas – Lei 17.671/21 e Decreto 36.101/2024.
“E isso já vem sendo discutido há algum tempo nessas iniciativas dos negócios de impacto. Ela vem da iniciativa do terceiro setor, através da Ticiana Rolim, e a partir disso com a criação da Somos Um, em 2018 foi criando uma combustão, principalmente com o Salmito Filho com a legislação ainda em 2021. E porque estou falando em toda essa trajetória? Porque através dessa legislação que a gente pôde fazer isso hoje e fazer a entrega deste edital que é projeto Impacto Produtivo”, elenca Luana.
O circuito programático estabeleceu durante um período de cinco meses efetivando a triagem dos projetos, através da intermediação da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece) e do Instituto de Cidadania Empresarial (ICE). A perspectiva de Luana Bandeira é que o programa se torne um eixo de exemplo para o planejamento de inovadores projetos, no âmbito conjuntural dos negócios de impacto, para criação de uma força-tarefa na busca de novos apoios institucionais.
“O Comitê de Negócio de Impacto do Estado do Ceará, ele realmente tem um papel fundamental nisso. Nós temos 17 instituições participantes, essas instituições elas vão desde o banco, o BNB e a própria academia, como a Funcap, a UFC, e também nós temos a própria Secitece, a Fecomércio, o Sebrae, então a gente consegue unir tanto o setor público, como também a parte privada, a academia, que faz toda a diferença, para que a gente possa conseguir iniciativas como essa”, enfatiza Luana.
A transformação social através de mentorias de negócios
A empresa social Empoderar-te organização que atua nas comunidades da capital cearense atendendo em 10 Regionais, e também conectada com 24 municípios do interior, possui atribuição de interagir nos territórios no sentido de modificar a estrutura social feminina, e formalizar mudança resolutivas de impactos sócio – ambiental dentro de empresas e organizações, a Empoderar – te foi uma das células selecionadas no edital da SDE.
Contabilizando cinco anos de existência, de acordo com a fundadora e gestora da Empoderar-te, Mônica Fernandes, o impacto do respectivo projeto absorveu a participação de 7.050 mulheres, causando a melhoria da renda de 49% deste contingente. Mônica reforça que com a aplicação da mentoria, em um ano, 50% do público participante feminino subiu de patamar social, automaticamente se excluindo da extrema pobreza.
Uma das metodologias consiste na atuação presencial no local, na comunicação via “boca a boca”, o qual a própria participante relata a execução programática a outras pessoas. A empreendedora explica que após a identificação territorial, há uma interlocução, intermediação e acompanhamento para a construção de atribuições resolutivas.
“E traz como pegada de inovação, e atua, dentro de uma plataforma digital de acompanhamento e mensuração do impacto gerado. Um acompanhamento longitudinal, a gente acompanha indicadores dos nossos clientes, mas também das pessoas que se beneficiam dos programas que a gente faz, em mentorias, consultorias, programas de impactos, planos institucionais, cursos, etc”, salienta Mônica.
Roupas reutilizáveis que rendem negócios
Instituição que também foi selecionada no projeto Impacto Produtivo, contando com um perfil produtivo a partir da fabricação de novas roupas e acessórios, por meio da reutilização de tecido de confecções, a Mude – me, o que conforme a diretora – executiva da empresa, Graziela Maciel, opera na produção de novas peças e comercializa a venda de produtos, estabelecendo um ativo de negócios.
“A gente atua também em parceria com a indústria, levando soluções para peças com leves defeitos, estoques parados, e até mesmo resíduo, onde a gente ressignifica aquele material da empresa quando subutilizado. E através do nosso espaço físico a gente acolhe outras pessoas, e outras iniciativas que também trabalham com isso, então como a gente não consegue absorver tudo, a gente faz isso no colaborativo, em rede de parcerias de produção e estratégia”, explica Graziela.
A sede da companhia se localiza no Centro de Fortaleza, e Graziela ressalta que a instituição propõe alinhar os objetivos como laboratório de moda circular criativa. A empreendedora menciona que pretende utilizar a verba governamental para estruturar a capacidade produtiva investindo em maquinário e no banco de tecidos.
“No começo a gente precisou muito educar o mercado, a gente falava das peças, falava em “upseller” gratuito e integrado, focado em gestão de e-commerce e marketplaces. As pessoas não entendiam muito bem o que a gente fazia, confundia muito com brechó. No começo a gente teve muito esse papel de educar, tanto que a gente faz oficina, faz workshops, e tem muito esse lado educacional, das pessoas entenderem qual o nosso trabalho. Hoje isso está muito mais palpável, as pessoas têm mais conhecimento, então é mais fácil, quando a gente fala, o que a gente faz”, frisa a empreendedora.
As declarações em entrevista foram concedidas à Trends na cerimônia de encerramento do projeto Impacto Produtivo, nesta terça-feira (12), no Palácio da Abolição.

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