A decisão unânime do COPOM de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano reflete a postura de cautela do Banco Central diante de um cenário em que, apesar dos sinais mais evidentes de desaceleração da atividade econômica, persistem riscos relevantes para a trajetória da inflação.
A manutenção dos juros ocorre em um contexto no qual a política monetária restritiva já produz efeitos importantes sobre a economia, particularmente sobre o consumo das famílias, o investimento e as condições de crédito, com reflexos sobre o endividamento e a inadimplência de pessoas físicas e jurídicas. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho permanece relativamente resiliente, embora já apresente sinais de moderação no ritmo de crescimento do emprego e dos rendimentos.
Do lado da inflação, o COPOM entende que o balanço de riscos permanece desafiador, com crescimento do viés de alta. As incertezas relacionadas (i) à política fiscal, (ii) à trajetória da taxa de câmbio, (iii) à persistência da inflação de serviços e (iv) aos possíveis efeitos do El Niño sobre os preços dos alimentos, somadas (v) às tensões geopolíticas e seus impactos sobre os preços internacionais de energia, recomendam prudência na condução da política monetária. Nesse ambiente, o processo de convergência da inflação à meta tende a ocorrer de maneira gradual e não linear.
Embora uma eventual redução das tensões internacionais decorrente da ampla vitória dos Democratas nas recentes eleições legislativas possa contribuir para aliviar as pressões sobre os preços do petróleo e, consequentemente, sobre a inflação doméstica, o Comitên entendeu que ainda não há elementos suficientemente consistentes para assegurar uma melhora sustentada do balanço de riscos inflacionários.
Nossa avaliação é de que o Banco Central deverá manter a Selic em 13,75% na reunião de dezembro, preservando uma postura cautelosa e dependente da evolução dos indicadores econômicos. Para 2027, esperamos a retomada gradual do processo de flexibilização monetária, possivelmente a partir de janeiro, condicionada à continuidade da desaceleração da atividade, à acomodação das expectativas inflacionárias e à redução das incertezas fiscais e externas. Nesse cenário, projetamos a taxa Selic em 12,00% ao final de 2027.
Rogério Sobreira, economista-Chefe do BNB
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