Agricultura familiar: o pequeno negócio que move o campo cearense

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Com recorde do Agroamigo no segundo trimestre, o microcrédito orientado do Banco do Nordeste reafirma seu papel no crescimento do PIB agropecuário do Ceará. (Foto: Envato Elements)

O campo cearense tem boas notícias para contar. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário do Ceará cresceu 13,88% em relação ao mesmo período de 2025. Esse resultado tem muitas mãos: a fruticultura irrigada voltada à exportação, com destaque para o melão, a melancia e a pitaia, e a produção de grãos de sequeiro, como o milho e o feijão. Há, porém, uma parte dessa história que faço questão de destacar, porque ela fala de gente: a agricultura familiar.

No Banco do Nordeste, acompanhamos de perto esse movimento por meio do Agroamigo, nosso programa de microcrédito rural produtivo e orientado. Entre abril e junho deste ano, o programa contratou R$ 3,2 bilhões com agricultores e agricultoras familiares do Ceará, um recorde, com volume 25,7% superior ao do segundo trimestre de 2025. Em termos anuais, esse montante corresponde a cerca de 46,4% do PIB agropecuário do estado. São números que revelam o peso da agricultura familiar na nossa economia e a força do crédito bem orientado para dinamizar a produção, gerar renda e movimentar as economias municipais.

Gosto de lembrar que cada agricultor e cada agricultora familiar é, também, um empreendedor. Toma decisões, assume riscos, investe, inova e busca mercado, como qualquer pequeno negócio. Quando o crédito chega acompanhado de orientação produtiva e acompanhamento técnico, esse empreendedor encontra condições para crescer com segurança. É essa combinação que faz do Agroamigo muito mais do que uma linha de financiamento: um instrumento de desenvolvimento socioeconômico no meio rural.

E não falo apenas por convicção. Estudos do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Banco do Nordeste (Etene), realizados com a Fundação Getulio Vargas (FGV), demonstram que os efeitos do programa vão além do aumento da produção. Clientes com duas ou mais operações registram crescimento adicional de 4,54% na renda total e de 3,61% na renda proveniente das atividades agropecuárias, em comparação com clientes de ingresso recente. Entre as mulheres, o crescimento da renda em atividades não agropecuárias é 4,74% superior ao observado entre os homens, sinal claro do potencial empreendedor feminino no campo.

Os ganhos chegam ao dia a dia das famílias. Os beneficiários apresentam acréscimo de 41,75% na probabilidade de acesso à internet e maior probabilidade de adquirir bens como geladeira, fogão e rádio. O programa também investe no futuro: aumenta em 20,98% a probabilidade de os filhos permanecerem na escola e em 16,82% a de participarem das atividades produtivas da família, fortalecendo o capital humano das famílias rurais.

O Agroamigo é, ainda, porta de entrada para o sistema financeiro formal. Agricultores com mais tempo no programa elevam a probabilidade de uso de conta corrente (15,67%), de poupança (27,61%) e de cartão de crédito (22,36%), o que amplia a inclusão financeira e a capacidade de investimento. E talvez o dado mais expressivo seja o da mobilidade social: clientes com duas ou mais operações apresentam cerca de 68% de acréscimo na probabilidade de ascender da classe E para outras classes de renda. São esses agricultores e agricultoras que tendem a constituir uma classe média rural, fundamental para o desenvolvimento sustentável de um campo que, hoje, reúne atividades tradicionais, inovadoras e urbanas que funcionam de forma conectada.

Esses resultados confirmam aquilo em que acreditamos no Banco do Nordeste: crédito, orientação produtiva e acompanhamento técnico, juntos, elevam a produtividade, estimulam o empreendedorismo rural e geram oportunidades de trabalho e renda. Os impactos alcançam as condições de vida, a acumulação de ativos, a inclusão financeira e a redução das desigualdades, com efeito especial sobre as mulheres e as famílias de menor renda.

O desempenho do Agroamigo reforça a importância das políticas de microfinanças voltadas à agricultura familiar e ao fortalecimento dos pequenos negócios rurais. Seguiremos trabalhando para que o crédito orientado continue chegando a quem produz, porque um Ceará que cresce com inclusão é um Ceará mais forte para todos.

Eliane Brasil é Superintendente Estadual do Banco do Nordeste no Ceará. (Foto: Acervo pessoal)

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