Exportações do agro brasileiro quadruplicam em duas décadas e chegam a US$ 166,6 bi

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Exportações do agronegócio brasileiro passam de US$ 37,7 bilhões para US$ 166,6 bilhões em duas décadas, aponta Rabobank. (Foto: Magnific)

As exportações do agronegócio brasileiro mais que quadruplicaram em duas décadas. A média anual passou de US$ 37,7 bilhões, entre 2003 e 2005, para US$ 166,6 bilhões no período de 2023 a 2025.

Os dados integram o Mapa do Comércio Global do Agro Brasileiro 2026, produzido pelo RaboResearch Food & Agribusiness, do Rabobank. Nesse intervalo, o valor médio anual das vendas externas aumentou US$ 128,9 bilhões.

A soja liderou essa expansão. Entretanto, carnes, açúcar, milho, café, celulose e algodão também ampliaram a participação brasileira no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, o levantamento aponta um desafio para o setor. Apesar da força exportadora, o Brasil mantém elevada dependência de fornecedores estrangeiros de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Soja concentra maior parcela do avanço

A soja foi responsável pela maior contribuição individual para o crescimento das exportações do agronegócio brasileiro. O complexo acrescentou US$ 41,6 bilhões à média anual dos embarques entre os dois períodos analisados.

Na sequência, o açúcar adicionou US$ 13,3 bilhões, enquanto a carne bovina contribuiu com US$ 11,4 bilhões. Já o milho acrescentou US$ 9,6 bilhões, e o café verde, outros US$ 9,3 bilhões.

Além disso, a celulose registrou aumento de US$ 7,7 bilhões. A carne de frango respondeu por mais US$ 7 bilhões, enquanto o algodão e a carne suína acrescentaram US$ 4 bilhões e US$ 2,3 bilhões, respectivamente.

Outros produtos, somados, representaram expansão de US$ 22,7 bilhões.

Dessa forma, o crescimento não ficou concentrado apenas nos grãos. Proteínas animais, produtos florestais, fibras e culturas tradicionais também ampliaram a presença brasileira no mercado internacional.

China concentra um terço das vendas

A China se consolidou como principal destino do agronegócio brasileiro. Na média entre 2023 e 2025, o país asiático respondeu por 33% do valor total exportado.

Além disso, a China representou US$ 52,3 bilhões do crescimento das vendas externas registrado entre os períodos de 2003-2005 e 2023-2025.

Por outro lado, o comércio brasileiro apresenta uma distribuição mais ampla entre outras regiões. Os demais países da Ásia responderam por 17,4% das exportações.

Já a União Europeia concentrou 14% do valor, enquanto o Oriente Médio representou 7,6%. Na sequência, apareceram África, com 7%, Estados Unidos, com 6,7%, e Mercosul, com 3,1%.

Os demais mercados reuniram 11,3% das vendas externas.

Assim, embora a China tenha papel central, o Brasil mantém presença em diferentes mercados consumidores. Essa distribuição amplia as oportunidades comerciais e, ao mesmo tempo, reduz parte da exposição a um único destino.

Ásia adiciona quase US$ 77 bilhões ao crescimento

Quando China e demais países asiáticos são considerados em conjunto, a região responde por quase US$ 77 bilhões da expansão das exportações do agronegócio brasileiro nas duas décadas analisadas.

Fora a China, os demais mercados asiáticos acrescentaram US$ 24,6 bilhões às compras de produtos brasileiros. Enquanto isso, a União Europeia contribuiu com US$ 11,2 bilhões.

O Oriente Médio adicionou outros US$ 10 bilhões. Já a África ampliou suas compras em US$ 9,4 bilhões.

Por sua vez, Estados Unidos e Mercosul contribuíram com aumentos de US$ 5,6 bilhões e US$ 3,7 bilhões, respectivamente. Outros destinos responderam por US$ 12,2 bilhões.

Portanto, o avanço das vendas externas ocorreu em diferentes regiões. Ainda assim, a concentração das exportações na China mantém o setor exposto às condições econômicas, sanitárias e geopolíticas do mercado asiático.

Brasil amplia presença nas cadeias globais

O levantamento do Rabobank também destaca a posição brasileira entre os principais fornecedores mundiais de commodities agrícolas.

Atualmente, o país ocupa posições de liderança em produtos como soja, açúcar, café, milho, carnes, celulose e suco de laranja. Com isso, o agronegócio brasileiro atende compradores na Ásia, Europa, América do Norte, Oriente Médio, África e América do Sul.

Além disso, os fluxos comerciais variam conforme cada mercado. Enquanto países asiáticos absorvem grandes volumes de soja, milho e carnes, compradores europeus e norte-americanos participam de cadeias como café, celulose e açúcar.

No Mercosul, por sua vez, o comércio inclui trigo, café, carne bovina, cevada, leite em pó, milho, arroz, papel, erva-mate, soja, malte, carne suína, cerveja e preparações alimentícias.

Fertilizantes expõem dependência externa

A força das exportações do agronegócio brasileiro contrasta com a dependência externa para o abastecimento de insumos.

Em 2025, o Brasil importou US$ 14,2 bilhões em fertilizantes. A Rússia liderou o fornecimento, com 28% do valor. Em seguida, apareceu a China, com 21%.

O Canadá respondeu por 11% das compras, enquanto o Marrocos representou 8%. Nigéria ficou com 5%, e Arábia Saudita, Estados Unidos e Israel registraram 4% cada.

Os demais fornecedores reuniram os 15% restantes.

Nesse cenário, o abastecimento depende de uma rede internacional de fornecedores de potássio, fósforo e nitrogênio. Por isso, conflitos, restrições comerciais, câmbio e problemas logísticos podem afetar custos e disponibilidade para os produtores brasileiros.

China responde por 43% dos defensivos

A dependência externa também aparece nos defensivos agrícolas. As importações brasileiras desses produtos chegaram a US$ 13,8 bilhões em 2025.

A China concentrou 43% desse valor, enquanto a Índia respondeu por 15%. Na sequência, apareceram Estados Unidos, com 11%, Alemanha, com 8%, e Suíça, com 6%.

Outros fornecedores representaram os 17% restantes.

Dessa maneira, China e Índia ganharam relevância no abastecimento da agricultura brasileira. Ao mesmo tempo, a concentração das compras deixa produtores mais expostos a alterações nos preços, na oferta e nas condições do comércio internacional.

Exportação cresce, mas insumos seguem como desafio

Os dados do Rabobank mostram uma expansão significativa da participação brasileira no comércio mundial de produtos agrícolas. Em média, o país passou a movimentar US$ 166,6 bilhões por ano em exportações agropecuárias no período de 2023 a 2025.

Entretanto, o mesmo setor depende de aproximadamente US$ 28 bilhões em importações de fertilizantes e defensivos em apenas um ano, considerando os dados de 2025.

Por isso, a segurança do abastecimento de insumos aparece como um dos desafios estratégicos para o agronegócio. A diversificação de fornecedores, o aumento da produção nacional e o uso mais eficiente de nutrientes e defensivos podem reduzir a exposição externa.

Além disso, a manutenção dos mercados atuais e a abertura de novos destinos devem influenciar o próximo ciclo de crescimento. Nesse sentido, o desempenho futuro dependerá tanto da capacidade de ampliar a produção quanto da estratégia brasileira para reduzir riscos nas cadeias de suprimentos.

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