Escolher uma gestora de fundos apenas pela rentabilidade pode esconder um fator importante: o risco necessário para alcançar aquele resultado. Por isso, um levantamento da Moody’s Local Brasil compara o desempenho das gestoras a partir de diferentes indicadores de risco e retorno.
Com dados até junho de 2026, o ranking reúne as 10 gestoras mais bem colocadas em sete categorias. A análise considera renda fixa, crédito privado, ações brasileiras, ações no exterior, multimercados e multimercados de alta volatilidade.
Ao todo, a Moody’s avaliou um universo de 72 gestoras acompanhadas pela agência no Brasil. Para isso, a metodologia considera o desempenho dos fundos nos últimos três anos e combina diferentes métricas de risco e retorno.
Dessa forma, o ranking não representa uma lista das gestoras com maior rentabilidade absoluta. A proposta, portanto, é identificar quais casas conseguiram entregar resultados diante dos riscos assumidos.
Como a Moody’s calcula o ranking
Para chegar ao resultado, a Moody’s considera diferentes indicadores. Entre eles estão o índice de Sharpe, o maximum drawdown, o alfa e o information ratio.
O índice de Sharpe relaciona retorno e risco. Já o maximum drawdown mostra a maior queda registrada pelo investimento entre um pico e o ponto mais baixo.
Por sua vez, o alfa procura medir o retorno obtido além do esperado para determinado nível de risco. Além disso, o information ratio avalia o valor gerado pela gestão ativa em relação ao índice de referência.
No caso dos fundos de ações, a metodologia também considera o Merton Skill. O indicador procura avaliar a capacidade do gestor de identificar movimentos do mercado.
Além disso, os indicadores recebem pesos diferentes conforme a categoria analisada. O information ratio, por exemplo, representa 58% da nota nos fundos de ações e 70% nas demais categorias.
Depois de calcular a pontuação dos fundos elegíveis, a Moody’s consolida o resultado de cada gestora. Nesse cálculo, a agência também considera o volume de recursos administrado pelos fundos analisados.
Critérios excluem parte dos fundos
Antes de elaborar o ranking, a Moody’s aplica filtros sobre a base de fundos. Inicialmente, o universo reúne mais de 37 mil fundos ativos. No entanto, cerca de 14 mil atenderam aos critérios definidos pela agência.
Em geral, entram na análise fundos com pelo menos três anos de histórico e patrimônio mínimo de R$ 25 milhões. Por outro lado, fundos exclusivos e fundos master ficam fora do levantamento.
Ainda assim, uma boa posição no ranking não significa que determinada gestora ou fundo seja adequado para qualquer investidor. Afinal, produtos de uma mesma categoria podem apresentar estratégias, taxas, benchmarks e níveis de risco diferentes.
Por isso, o levantamento funciona como uma referência sobre o desempenho da gestão. A escolha de um fundo, entretanto, exige também uma análise individual do produto e do perfil de cada investidor.
Líderes aparecem em diferentes estratégias
Entre as sete categorias avaliadas, Solis Investimentos liderou o crédito privado com resgate superior a 30 dias, com nota 4,68. Já a SPX Gestão de Recursos ficou em primeiro lugar em ações brasileiras e em multimercados de alta volatilidade.
Na renda fixa, por outro lado, o primeiro lugar ficou com o Banco J Safra. No crédito privado com resgate de até 30 dias, a liderança foi da Daycoval Asset Management.
Já nas ações no exterior, o primeiro lugar ficou com a Santander Brasil Gestão de Recursos. Enquanto isso, a Vinland Capital liderou a categoria de multimercados.
Assim, o ranking mostra que a liderança varia de acordo com a estratégia. Portanto, não há uma única gestora que apareça em primeiro lugar em todas as categorias.
Renda fixa
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | Banco J Safra | 3,88 |
| 2º | SPX Gestão de Recursos | 3,83 |
| 3º | ARX Investimentos | 3,81 |
| 4º | Nu Asset Management | 3,67 |
| 5º | XP Vista Asset Management | 3,51 |
| 6º | Principal Asset Management | 3,46 |
| 7º | Franklin Templeton Brasil | 3,43 |
| 8º | AZ Quest Investimentos | 3,26 |
| 9º | Mapfre Investimentos | 3,19 |
| 10º | Caixa DTVM | 2,74 |
Crédito privado – resgate em até 30 dias
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | Daycoval Asset Management | 4,16 |
| 2º | Riza Líquidos | 3,85 |
| 3º | XP Advisory | 3,80 |
| 4º | Banco Bradesco | 3,72 |
| 5º | BB Gestão de Recursos | 3,63 |
| 6º | Somma Investimentos | 3,57 |
| 7º | Integral Investimentos | 3,55 |
| 8º | XP Gestão de Recursos | 3,50 |
| 9º | Inter Asset | 3,31 |
| 10º | AZ Quest Investimentos | 3,30 |
Crédito privado – resgate superior a 30 dias
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | Solis Investimentos | 4,68 |
| 2º | Somma Investimentos | 3,97 |
| 3º | Riza Líquidos | 3,65 |
| 4º | AZ Quest Investimentos | 3,42 |
| 5º | Ibiuna Crédito | 3,36 |
| 6º | SPX Gestão de Recursos | 2,05 |
| 7º | BRZ Investimentos | 1,94 |
| 8º | Banco Bradesco | 1,41 |
| 9º | BB Gestão de Recursos | 1,41 |
| 10º | Vinland Capital | 1,02 |
Ações brasileiras
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | SPX Gestão de Recursos | 4,70 |
| 2º | ARX Investimentos | 4,32 |
| 3º | Santander Brasil Gestão de Recursos | 4,19 |
| 4º | Navi Capital | 3,87 |
| 5º | Perfin Equities | 3,83 |
| 6º | Leblon Equities | 3,83 |
| 7º | Norte Asset Management | 3,81 |
| 8º | Vinland Capital | 3,77 |
| 9º | Bahia AM Renda Variável | 3,51 |
| 10º | Vinci Soluções de Investimentos | 3,50 |
Ações no exterior
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | Santander Brasil Gestão de Recursos | 4,72 |
| 2º | Inter Asset | 4,65 |
| 3º | Caixa DTVM | 4,60 |
| 4º | Banco J Safra | 4,08 |
| 5º | Franklin Templeton Brasil | 3,97 |
| 6º | BB Gestão de Recursos | 3,87 |
| 7º | Somma Investimentos | 3,40 |
| 8º | Real Investor Asset Management | 2,73 |
| 9º | Principal Asset Management | 2,69 |
| 10º | Alaska Investimentos | 1,55 |
Multimercado
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | Vinland Capital | 4,43 |
| 2º | AZ Quest Investimentos | 4,27 |
| 3º | XP Vista Asset Management | 4,07 |
| 4º | BRZ Investimentos | 4,06 |
| 5º | Polo Capital | 4,06 |
| 6º | ARX Investimentos | 3,99 |
| 7º | Capitânia | 3,75 |
| 8º | Somma Investimentos | 3,33 |
| 9º | Caixa DTVM | 3,30 |
| 10º | SPX Gestão de Recursos | 3,15 |
Multimercado de alta volatilidade
| Posição | Gestora | Nota |
|---|---|---|
| 1º | SPX Gestão de Recursos | 4,07 |
| 2º | BB Gestão de Recursos | 3,97 |
| 3º | Dahlia Capital | 3,92 |
| 4º | Banco J Safra | 3,79 |
| 5º | Somma Investimentos | 3,78 |
| 6º | Franklin Templeton Brasil | 3,48 |
| 7º | Principal Asset Management | 3,40 |
| 8º | Bahia AM Renda Variável | 3,40 |
| 9º | Santander Brasil Gestão de Recursos | 3,35 |
| 10º | Oceana Investimentos | 3,24 |
O que o ranking mostra ao investidor
O levantamento mostra, portanto, que risco e retorno precisam ser analisados em conjunto. Uma rentabilidade maior não significa, necessariamente, uma gestão mais eficiente.
Além disso, a liderança muda conforme a estratégia analisada. Uma gestora que se destaca em ações brasileiras, por exemplo, não necessariamente apresenta o mesmo desempenho em renda fixa ou crédito privado.
Por isso, o investidor deve observar não apenas a posição ocupada pela gestora. Também é importante avaliar a estratégia do fundo, o histórico de desempenho, a volatilidade, a liquidez, as taxas e o nível de risco.
Dessa forma, o ranking da Moody’s pode servir como um ponto de partida para a análise. No entanto, a decisão de investimento depende dos objetivos, do horizonte de tempo e do perfil de risco de cada pessoa.