Brasil volta a liderar ranking de maior juro real do mundo

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Brasil volta à liderança do ranking de maior juro real do mundo após decisão do Copom sobre a Selic na última quarta-feira. (Foto: Magnific)

O Brasil voltou a liderar o ranking de maior juro real do mundo após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic na última quarta-feira (16). Pela metodologia utilizada no levantamento, o juro real brasileiro chega a 8,45%.

O cálculo considera a taxa básica de juros e desconta a inflação projetada para os próximos 12 meses. Dessa forma, o indicador busca mostrar quanto os juros representam em termos reais após a expectativa de inflação.

O levantamento é realizado pela MoneYou e Lev Intelligence, sob coordenação do economista-chefe Jason Vieira. Além disso, a pesquisa compara as taxas de juros de diferentes economias para estabelecer o ranking.

Rússia aparece na segunda posição

Na sequência do Brasil, a Rússia ocupa a segunda posição. Já a Colômbia aparece em terceiro lugar, enquanto a Turquia fica na quarta colocação.

Segundo Vieira, entretanto, a posição brasileira não mudaria mesmo com uma decisão diferente do Copom. Isso porque a revisão das expectativas de inflação alterou a relação entre os juros reais das economias analisadas.

Além disso, o cenário internacional também influencia as projeções. “As perspectivas inflacionárias para os próximos 12 meses foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série significativa de juros reais mais baixos e negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio”, afirma Vieira em relatório.

Brasil ocupa quarta posição no juro nominal

Quando o levantamento considera apenas as taxas nominais, o Brasil aparece em quarto lugar, com juro de 13,45% ao ano, conforme os dados apresentados no ranking.

Nesse recorte, a Turquia lidera, com taxa de 37% ao ano. Em seguida, aparecem Argentina, com 29%, e Rússia, com 14%.

Por outro lado, o Brasil fica à frente da Colômbia, com 12%, da África do Sul, com 7%, e do México, com 6,5%.

Assim, a posição brasileira muda quando o levantamento incorpora a inflação projetada. Enquanto a taxa nominal considera apenas os juros, o juro real também leva em conta a variação esperada dos preços.

Maioria dos países manteve os juros

O levantamento também mostra um cenário de relativa estabilidade entre os países analisados. Ao todo, 72,56% dos 164 países mantiveram suas taxas de juros.

Enquanto isso, 21,34% elevaram os juros e apenas 6,10% realizaram cortes. No grupo específico de 40 países considerado no ranking, a distribuição muda pouco.

Nesse grupo, 55% mantiveram as taxas inalteradas. Além disso, 35% aumentaram os juros, enquanto 10% reduziram as taxas.

Portanto, o ranking mostra que o nível de juros reais depende não apenas das decisões dos bancos centrais. As expectativas para a inflação também exercem influência direta sobre a posição de cada país.

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