Brasil avalia exportação de urânio enriquecido para uso pacífico

urânio enriquecido
Lula defende continuidade do programa nuclear e afirma que Brasil poderá exportar urânio enriquecido para aplicações pacíficas. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na última quarta-feira (19) que o Brasil poderá exportar urânio enriquecido para países que pretendam utilizá-lo em aplicações pacíficas, como saúde e geração de energia. A declaração ocorreu durante visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar (Cina), em Iperó (SP), onde a Marinha desenvolve o programa de submarino com propulsão nuclear.

Segundo Lula, o domínio do ciclo do combustível nuclear pode ampliar a atuação brasileira em áreas como energia, saúde e indústria, além de gerar empregos qualificados. Nesse contexto, o presidente voltou a defender a continuidade dos investimentos no programa nuclear brasileiro.

Submarino nuclear entra na agenda de investimentos

A Marinha desenvolve o submarino de propulsão nuclear, que atualmente está na etapa de montagem do reator. Durante a visita, Lula afirmou que pretende buscar recursos para concluir o projeto.

Além disso, o presidente criticou a dificuldade de projetos de longo prazo competirem por recursos no orçamento público com áreas como saúde, educação e habitação. Segundo Lula, iniciativas de pesquisa e inovação precisam de tratamento específico para evitar interrupções e ampliar a formação de profissionais especializados.

O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, afirmou que o programa ocorre em um cenário geopolítico complexo e relacionou o projeto à estratégia brasileira de soberania tecnológica.

Ciência e Tecnologia investe em reatores menores

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) informou que mantém três projetos relacionados ao desenvolvimento do programa nuclear.

O primeiro é o Atomic, voltado à análise de acidentes em operações nucleares por meio de modelagem computacional integrada. O projeto recebe R$ 88 milhões.

Além disso, o MCTI investe R$ 58 milhões no desenvolvimento de tecnologias para a produção de combustíveis nucleares destinados a reatores de pequeno porte. A iniciativa busca estruturar uma linha de produção para esse tipo de equipamento.

O terceiro projeto envolve a obtenção de gás de urânio, etapa necessária para completar o ciclo industrial do combustível nuclear. Nesse caso, o ministério destinou R$ 93 milhões.

Programa busca ampliar domínio tecnológico

Com os três projetos, o governo busca desenvolver etapas relacionadas à segurança nuclear, produção de combustível e processamento de urânio. Dessa forma, as iniciativas complementam o desenvolvimento tecnológico associado ao submarino de propulsão nuclear.

A possibilidade de exportação de urânio enriquecido mencionada por Lula também amplia a discussão para o uso comercial da tecnologia nuclear brasileira. Entretanto, qualquer utilização internacional deverá seguir as regras nacionais e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para o uso pacífico da energia nuclear.

Saiba mais:

Executivos debatem telecomunicações, data centers e energias renováveis em Brasília

El Niño pode atingir nível histórico e pressionar energia no Brasil

Quer receber os conteúdos da TRENDS no seu smartphone?
Acesse o nosso canal no Whatsapp e fique bem informado

Siga a Trends: