Os grandes bancos discutem com o Banco Central (BC) mudanças no novo modelo de crédito imobiliário, previsto para entrar em vigor em janeiro de 2027. Entre os principais pontos está o teto de 12% ao ano para os juros cobrados em financiamentos enquadrados no Sistema de Financiamento Habitacional (SFH).
Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, as instituições avaliam três alternativas. A primeira seria retirar o limite de juros. A segunda envolveria acelerar a redução dos depósitos compulsórios da poupança. Por fim, os bancos também discutem a possibilidade de adiar a entrada em vigor do novo modelo.
Bancos questionam limite de juros
O novo sistema altera a forma como os bancos utilizam os recursos da caderneta de poupança para financiar imóveis. Atualmente, 65% desses recursos precisam ser destinados ao crédito imobiliário, enquanto 20% ficam como depósitos compulsórios e 15% podem ter uso livre pelas instituições.
Com a mudança, a parcela destinada ao crédito imobiliário chegará a 80% ao longo de dez anos. Ao mesmo tempo, o compulsório cairá gradualmente até chegar a zero.
Em 2026, período de testes do modelo, o compulsório caiu de 20% para 15%. A partir de 2027, a redução prevista será de 1,5 ponto percentual por ano.
Funding pode elevar custo do financiamento
A mudança também altera a composição das fontes utilizadas pelos bancos para financiar o setor. Atualmente, a poupança representa a principal fonte de recursos e tem custo menor para as instituições.
Com a transição, entretanto, LCIs e mercado de capitais terão participação maior. Como essas fontes acompanham mais de perto as condições do mercado, os bancos avaliam que o custo de captação pode aumentar em períodos de juros elevados.
Nesse cenário, as instituições questionam a manutenção do teto de 12% ao ano. Além disso, argumentam que o limite pode reduzir a flexibilidade para ajustar as taxas de financiamento às condições de mercado.
SFH concentra principal restrição
Para utilizar os recursos da poupança dentro do novo modelo, os bancos terão de direcionar 80% dos valores ao SFH. O sistema contempla imóveis de até R$ 2,25 milhões e estabelece limite de juros de 12% ao ano.
Por outro lado, o modelo permite que os bancos utilizem recursos equivalentes aos valores destinados ao crédito imobiliário em outras modalidades. Com isso, a mudança busca estimular as instituições a ampliar os financiamentos habitacionais para obter maior liberdade na aplicação de recursos.
Banco Central admite ajustes
O Banco Central reconheceu que o limite de juros pode representar um desafio em períodos de taxas elevadas. A avaliação ocorreu durante evento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Segundo a autoridade monetária, o novo modelo permanece em avaliação durante o período de testes e também após o início da vigência. Dessa forma, eventuais ajustes poderão considerar os efeitos produzidos pelo sistema e as condições do mercado de crédito.
A discussão ocorre enquanto a taxa Selic permanece em patamar elevado, o que aumenta a diferença entre o custo da poupança e o de outras fontes de financiamento. Por isso, bancos defendem mudanças antes da implementação definitiva do novo modelo.
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