O economista belga Gunter Pauli considera que os preceitos de Economia Azul se associam como base a metodologia de empreender.
Gunter aponta que o empreendedor transforma a realidade, assume riscos, possui sonhos, se dispõe a realizar projetos para a própria vida.
“Precisamos de uma nova geração de empreendedores, de empreendedores para o bem comum, que sabem fazer empreendedorismo, inovar, lançar novos conceitos, e ter um impacto planejado”, relata.
A princípio, Gunter é o criador mundial do conceito aplicável da Economia Azul, e está visitando o Ceará pela primeira vez.
Ele esteve nesta segunda-feira (8) na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) onde proferiu palestra sobre a temática.
O economista mencionou que nesta terça-feira se reunirá com entes representativos do estado para traçar um portfólio de oportunidades.
Ao passo que ressalta que a Economia Azul mobiliza no mundo mais de 5 bilhões de euros, para projetos relacionados ao tema.
“Meu objetivo principal é dialogar com os entes representativos locais, no sentido de identificar grandes oportunidades, com base nos mais de 200 projetos concretizados na Economia Azul”, pontua.
Início no Brasil visava mitigar efeitos do gás estufa
O economista belga disse que quando esteve pela 1ª vez no Brasil, em 1976, a missão naquele momento era impedir a emissão de gás carbônico.
E a possibilidade de pôr em prática a proposta ocorreu através da fundação da ZERI Brasil, que aconteceu em 1998, na parceria com o físico Lucio Brush.
“Porque através dos anos pude desenvolver uma rede de 13.000 pesquisadores, empreendedores, gente que queira fazer, não só gente que queira pesquisar por pesquisar, mas gente que tenha um compromisso com ação”, enfatiza Gunter.
Atualmente, Lucio Brush é dirigente da Fundação ZERI Brasil, e sócio-diretor de uma empresa dedicada a planos de Economia Azul, a BIOTÓPICA.
Entidade busca reaproveitamento de resíduos no Ceará
Lucio Brush que compõe a comitiva do economista belga, relatou que o Ceará se evidencia pela iniciativa de buscar fazer acontecer, e também destaca a “visão de longo prazo”.
Ele classificou a Fundação ZERI Brasil como uma entidade que se otimiza de prospectar parceiros ativos que se embrenham pelo benefício público.
Contudo, a impressão que tem do estado cearense é que as atribuições relativas a Economia Azul já está acontecendo.
“Já fizemos algumas visitas. É encantador a questão da pesca, o profissionalismo, e a internacionalização da pesca. O Ceará ser um grande produtor de alimento pro mundo inteiro, e isso não se consegue do dia pra noite”, frisa.
Lucio cita que o Ceará agrega os principais pilares do segmento como desenvolvimento local, a busca de construções baseadas na água e no alimento, o uso da terra e na produção de energia renovável.
A princípio, a proposta da Fundação ZERI Brasil no Ceará é no critério na gestão virtuosa de resíduos.
“Não se livrar, mas como aproveitar o resíduo, como fazer toda uma cadeia econômica do resíduo, como energia, água e alimento”, reforça Lucio.
Senai Ceará: único do país que oferta curso portuário de amônia do Hidrogênio Verde
O superintendente regional do SESI Ceará e Diretor Regional do SENAI Ceará, Paulo André Holanda, disse que há um preparo institucional para a pauta da Economia Azul.
O gestor afirma que o Senai CE é a única entidade do país que oferece um curso voltado para o setor operador portuário de amônia de Hidrogênio Verde.
Além disso, Paulo André salienta que há cursos de manutenção em equipamentos náuticos, voltados para a Indústria Naval do Ceará (INACE).
“Na área de alimentos voltados para o mar, temos toda uma equipe nas nossas unidades, que já tem uma linha como atuar melhor nesse setor dos alimentos que vem do mar”, aludiu.
Ele acrescentou que no segmento de energias se firmou uma parceria com a Maersk Training direcionada a energia eólica offshore.
“Nós temos mais de 20 projetos autorizados pelo IBAMA, mas ainda não poder atuar por causa da regulamentação que está para sair”, enfatiza.
A Transnordestina no contexto da Economia Azul
O secretário de Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE), Fábio Feijó, afirmou que há estudo na pasta de inserir a Transnordestina no contexto da Economia Azul.
O titular da SDE disse que o mecanismo ocorre, quando a ferrovia for inaugurada, no critério de pescado envolvendo a indústria da ração.
Feijó explica que a logística é acionada quando efetuar o retorno de vagões do porto cearense a região agroprodutora do Matopiba.
“Estamos pensando, avançado para atrair indústrias de ração aqui dentro do estado do Ceará, e usar esse frete de retorno e retroalimentar a indústria do agronegócio dessas regiões do Matopiba”, elucida.
O secretário afirmou que há tratativas de implantar um distrito de logística e indústria da pesca na região do Complexo do Pecém.
Fábio Feijó destacou que o acordo Mercosul União Europeia abriu várias frentes para os incentivos mercadológicos cearenses, frisando a indústria do pescado.
“Quando estamos vendo os Estados Unidos tarifar 25% anunciado na semana passada, se abre cada vez mais a janela de oportunidades, para encontrarmos outros mercados. Esse acordo foi providencial”, relata.
As complicações de financiamento para aquisição de embarcações
A superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil, explanou que a entidade bancária tem linha de financiamento de embarcação.
Ela acentua que os equipamentos precisam estar inseridos nos requisitos de vigilância sanitária e das certificações exigidas.
Além disso, no Ceará, o financiamento é via Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE.
Em conclusão, Eliane explica que nesse aspecto a linha de crédito da embarcação necessita de um seguro de garantia.
“Nem sempre a gente consegue fazer o seguro, e por isso não consegue ter o barco com a garantia de si mesmo. Teria que ter garantias adicionais, um imóvel, uma fiança, algo do gênero. E isso tem complicado a operação”, sinaliza.
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