As exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA) recuaram 14% em maio na comparação com o mesmo período de 2025. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e refletem a desaceleração do comércio bilateral desde o início das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
Ao mesmo tempo, a China ampliou sua participação como principal destino dos produtos brasileiros. Com isso, o país asiático reforçou sua liderança na pauta exportadora nacional e contribuiu para o avanço do superávit comercial brasileiro em 2026.
Exportações para os EUA seguem em queda
Em maio, o Brasil exportou US$ 3,09 bilhões para os Estados Unidos, valor 14% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Enquanto isso, as importações de produtos americanos somaram US$ 3,21 bilhões, com retração de 11%.
Como consequência, o comércio entre os dois países registrou déficit de US$ 121 milhões para o Brasil no mês.
Apesar do recuo, Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, afirmou que ainda não há evidências de uma mudança estrutural na relação comercial entre os países.
“É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos, com petróleo, celulose, combustível, carne, café. Tem um momento de aumento de custo, pode ser que cause retratação do fluxo, mas pode retomar rapidamente”, afirmou Brandão.
Exportações para os EUA perdem participação
Além da queda nas vendas, os Estados Unidos perderam espaço na pauta exportadora brasileira. A participação americana passou de 12% em maio de 2025 para 9,7% no mesmo mês deste ano.
Segundo Brandão, o ritmo de retração também perdeu intensidade ao longo dos últimos meses.
“Tivemos a maior queda em outubro, de 35%. Em janeiro houve redução de 26%, e essa redução vem se arrefecendo ao longo dos meses: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e 14% em maio”, declarou.
No acumulado de janeiro a maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 14,01 bilhões, uma queda de 16%. Já as importações alcançaram US$ 15,48 bilhões, com recuo de 12,6%.
China amplia liderança nas exportações
Enquanto os embarques para os Estados Unidos diminuíram, a China ampliou sua relevância para o comércio exterior brasileiro.
Em maio, as exportações para o mercado chinês cresceram 9,5% e alcançaram US$ 10,5 bilhões. Paralelamente, as importações avançaram 24,2%, totalizando US$ 6,8 bilhões.
Dessa forma, o intercâmbio comercial gerou superávit de US$ 3,7 bilhões para o Brasil apenas no mês.
Nos cinco primeiros meses do ano, as exportações para a China somaram US$ 43,26 bilhões, alta de 21,8%. Já as importações atingiram US$ 30,76 bilhões, crescimento de 4,1%.
Por essa razão, a participação chinesa nas exportações brasileiras avançou de 32,1% para 32,9% no período.
Petróleo impulsiona vendas externas
O setor de combustíveis registrou um dos principais avanços entre os produtos exportados pela indústria de transformação.
Segundo Brandão, o conflito no Oriente Médio contribuiu para elevar os preços internacionais e impulsionar as exportações brasileiras de derivados de petróleo.
Em maio, o volume exportado de óleos combustíveis cresceu 75,2%. Já o valor embarcado aumentou 49,8%.
Por outro lado, as exportações de petróleo bruto seguiram direção oposta. O valor exportado recuou 9,3%, enquanto o volume embarcado caiu 42,1% na comparação anual.
“O Brasil é muito competitivo. A questão do imposto de exportação não vai impactar a oferta brasileira para o exterior, ainda mais em um cenário de preços elevados. As empresas continuam produzindo petróleo e os investimentos seguem ocorrendo”, afirmou Brandão.
Superávit comercial
O desempenho das exportações para a China e dos produtos ligados ao setor de energia ajudou a fortalecer a balança comercial brasileira.
Nos cinco primeiros meses de 2026, o país acumulou superávit de US$ 32,662 bilhões. No mesmo período do ano passado, o saldo positivo havia alcançado US$ 24,33 bilhões.
Assim, mesmo com a redução das exportações para os Estados Unidos, o comércio exterior brasileiro manteve trajetória positiva, sustentado principalmente pela demanda chinesa e pelo desempenho das commodities.