“Plataforma própria me permite customizar”, diz Rafaela Mota sobre diferencial da BSCash

Rafaela Mota sobre diferencial da BSCash
A executiva explicou como a BSCash se diferencia ao operar uma plataforma tecnológica própria que permite a customização de serviços e um controle mais rigoroso. (Foto: Divulgação)

A edição especial do Panorama desta semana recebeu Rafaela Mota, CEO da BSCash, para uma conversa detalhada sobre o atual momento de ajustes e oportunidades vivido pelas fintechs no Brasil. Fundada no Ceará pelo empresário Beto Studart e com atuação nacional, a BSCash é uma instituição de pagamento que nasceu dentro da estrutura de um grupo econômico tradicional, o Grupo BSPAR, e que carrega em seu DNA a experiência de mais de 16 anos na operação de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).


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Com as novas exigências do Banco Central (BC) relacionadas a aporte de capital e lastro para Instituições de Pagamento e Sociedades de Crédito Direto (SCD), o mercado passa por uma espécie de filtro regulatório. Para Rafaela Mota, que acumula duas décadas de experiência no mercado financeiro, este movimento de “higienização”, em vez de gerar temor, cria um ambiente de maior conforto e previsibilidade para os players que já nasceram com governança sólida e capital próprio.

Durante a conversa, a executiva explicou como a BSCash se diferencia ao operar uma plataforma tecnológica própria que permite a customização de serviços e um controle mais rigoroso sobre as transações, um diferencial competitivo apontado por ela como essencial para garantir a segurança exigida tanto pelas empresas quanto pelo regulador. Atuando fortemente na gestão de folha de pagamento para pessoas jurídicas, a fintech conecta empresas a um ecossistema digital que atende desde o operador de Recursos Humanos (RH) até o trabalhador desbancarizado ou de baixa renda, público-alvo prioritário na estratégia da companhia.

Com mais de 120 mil contas ativas e uma operação que já se espalhou por quase todos os estados brasileiros em pouco tempo de existência, a BSCash exemplifica o novo momento das fintechs: o de consolidação. A seguir, a íntegra da entrevista concedida a Carla Matos, CEO da Trends.

Carla Matos: Rafaela, com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, qual o teu ponto de vista acerca do momento atual que as fintechs estão vivenciando no Brasil?

Rafaela Mota: A gente está no mercado brasileiro, que tem uma regulamentação super rígida. A gente sabe disso, que o Brasil é uma grande referência no mercado financeiro, mas que realmente está passando por um momento de ajustes. Eu enxergo esse mercado em um momento super positivo, confesso a você. É um momento em que o Banco Central está fazendo uma série de ajustes de tamanho de patrimônio e algumas exigências, que trazem para a gente um conforto muito grande, porque a BSCash, embora seja uma empresa relativamente nova, já nasceu num grupo muito forte, o grupo BSPAR. Então a gente nasce trazendo essa solidez do grupo, a gente nasce com esse DNA de expertise no mercado financeiro por conta do braço financeiro do grupo. É muito confortável estar numa instituição onde eu tenho todo esse conglomerado de empresas que me cercam e que me trazem essa solidez de estar tranquilamente atendendo às expectativas do BC. Então eu acho que é um momento de muitas oportunidades, porque acaba que dá uma higienizada no mercado e que realmente as fintechs que têm uma solidez, as fintechs que, assim como a gente, têm uma condição de se manter e não levar nenhum risco para o mercado financeiro, acabam se destacando e tendo uma tendência a um grande crescimento.

C.M.: Essas regulações do Banco Central vão entrar em vigor até meio do ano ou até final do ano?

R.M.: Olha, o Banco Central tem sido bastante rigoroso. Todo dia sai alguma alteração, envolvendo principalmente o Pix, mas ele já definiu algumas necessidades de aporte de capital para as SCDs já estabelecidas de acordo com os serviços que elas prestam, já no período pré-estabelecido. Então, há uma necessidade de volumetria até junho deste ano para as instituições de pagamento que estão entrando no BC até maio. Até 2027, elas precisam ter um lastro, precisam ter um capital já pré-definido pelo Banco Central e vão ter que se ajustar e já justificar a origem desse recurso.

C.M.: Como é que surgiu a BSCash?

R.M.: A BSCash, só para contextualizar, é uma instituição de pagamento regulamentada pelo Banco Central. Nós somos uma fintech, uma plataforma digital que nasceu num grupo muito consolidado, que é o grupo BSPAR, grupo muito forte. E nascemos a partir de um desejo do nosso presidente, Dr. Beto Studart. O grupo tem um braço financeiro já há mais de 16 anos, através dos FIDC de crédito. A gente tem os FIDC que operam, principalmente, com a base no Ceará, Bahia e Pernambuco. E, de alguns anos para cá, o Dr. Beto trouxe esse desejo de se fazer presente também com a pessoa física, não só com empresas e de forma 100% digital. Então, a BSCash surge para atender esse desejo do nosso presidente, que é extremamente visionário. E para também atuar no mercado onde a gente enxerga que muitas pessoas não têm acesso a serviços financeiros. A gente está falando de desbancarizados, com um olhar muito forte para a classe C, D, E, pessoas que não têm tanto acesso e, quando têm, às vezes não é de uma forma tão justa, não atende às necessidades, então a gente chega para ocupar essa lacuna.

C.M: Com pouco tempo no mercado, a BSCash já conseguiu crescer e expandir sua operação em quase todos os estados do Brasil. São mais de 120 mil contas pessoas físicas, mais de 400 empresas. A que você atrela esse crescimento?

R.M.: Dr. Beto é uma pessoa muito respeitada no nosso estado, foi presidente da FIEC, então, o que é que a gente imaginou? Vamos dominar o Ceará por completo. Foi a nossa primeira ambição, digamos assim. Mas a gente entendeu que tecnologia não funciona assim. Então, a gente estava em São Paulo numa feira e fechamos com uma empresa de mais de 15 mil funcionários e, com 3 anos, já estava em todo o Brasil. Então, a tecnologia não delimita território. Agora mesmo, abrimos uma filial em São Paulo para efetivamente fincar a bandeira nas regiões sul e sudeste, mas nós já estamos lá há muito tempo porque tecnologia é isso.

C.M: Quando a gente pensa em posicionar uma fintech que tem um nome forte por trás, um grupo forte, que tem capital, isso faz a diferença quando vocês estão conversando com um possível cliente?

R.M.: Com certeza. O mercado se torna cada vez mais exigente e é nesse momento que a gente consegue expor o grupo e toda a nossa solidez, é com muita tranquilidade, e a gente não capta recurso. Então, assim, as empresas são nutridas por FIDC de funding próprio, são fundos fechados, monocotistas, e isso traz uma tranquilidade para as empresas operarem com a gente, porque, de certa forma, a empresa aporta o recurso aqui para eu pagar os funcionários nas contas digitais da BSCash. Mas assim, solidez é o básico e essencial. A segurança está em primeiro lugar. A gente sempre esteve muito atento a compliance, regulamentação, risco de imagem. É algo que a gente preza muito, está no nosso DNA. Isso também leva tranquilidade para o cliente.

C.M: Ter uma plataforma própria traz mais segurança à operação?

R.M.: Sem dúvidas. A plataforma própria me permite customizar e ter um maior controle do que passa internamente. Então, tudo transacionado na BSCash é de clientes nossos, clientes validados pela nossa área de compliance. Isso traz uma segurança para o mercado, além de possibilitar mudanças mais rápidas, inovação e produtos. A gente visita um cliente e, às vezes, surge ali uma necessidade que os grandes bancos não conseguem atender e que muitas vezes os clientes nem sabem que podem ter essa facilidade. Então, ter a plataforma própria, ter uma equipe desenvolvendo, tendo todas as camadas de segurança que a gente precisa ter, traz para a gente uma tranquilidade. Isso é refletido, inclusive, na nota do nosso aplicativo, que hoje é 4.7 de 5.

C.M: O colaborador já desmistificou receber o seu salário por meio de uma empresa que não é um banco?

R.M.: Eu diria que, quando a gente iniciou a operação, a gente investiu muito na nossa área de UX. A plataforma tinha que ser muito intuitiva, porque a gente sabia que ia atuar no mercado em que as pessoas não têm um nível de esclarecimento cultural. Mas as fintechs são muito usadas, amplamente usadas no nosso país. A pandemia trouxe algumas práticas que independem de classe social, de nível de escolaridade. O que a gente percebeu é que os grandes bancos hoje viraram conta de passagem de salário. A própria portabilidade trouxe isso. Então, antes, o meu salário cai no Banco Santander e de lá eu faço uma portabilidade para o Nubank, de lá eu faço uma portabilidade para o Inter. Isso já era uma prática no mercado, tanto que os próprios bancos não conseguiram atuar de forma tão agressiva com a gestão de folha de pagamento. E a gente entra exatamente tirando esse cotovelo, digamos assim. A gente leva a praticidade para RH e DP que ele faz a gestão dessas contas numa plataforma digital e a pessoa já recebe numa conta digital. Eu confesso que a gente não teve essa resistência de forma alguma.

C.M: A BSCash vem ampliando também o seu portfólio. Tem um produto novo que vocês também estão começando a trabalhar, que é o Seguro Pix. Como é que funciona esse produto?

R.M.: Para o Seguro Pix, a gente fez em parceria com a Generali plataforma, este ano. Eu diria para você que vai ser um ano de incremento de muitos produtos e serviços. Já tinha outros planos odontológicos, que são fáceis de contratar, muito simples, recarga de celular, recarga de Uber. Todos muito utilizados e agora a gente lançou o Seguro Pix, que é um seguro que cobre o seu CPF, independentemente de onde você esteja. É um valor baixíssimo, anual e você fica segurado e também concorre a prêmios. Todo mês tem sorteios. Então assim, eu diria que é um produto que teve muita aderência. Outros produtos que estão sendo lançados ainda neste mês de abril, mas esse ano vai ser só incremento mesmo, porque o principal produto hoje, que é a gestão da folha, e está muito bem consolidado. Agora é incrementar e enriquecer a plataforma.

C.M: O setor de RH é um pilar importante. Como é que vocês têm trabalhado esse público para estar perto da empresa?

R.M.: É o grande canal, é a minha persona. No primeiro momento, nascemos com o intuito de atuar com a pessoa física, mas o meu canal inicial é a pessoa jurídica. E dentro das empresas, uma das áreas mais sensíveis do nosso negócio é o RH e o DP. Não adianta levar um bom serviço para o B2C, se no B2B eu não faço uma boa entrega. Então, a gente investe muito no board, no portal do nosso cliente, porque é o RH e o DP que vão fazer a gestão das contas. Quando a gente está falando de empresas que têm muitos funcionários, gente espalhada em todo o país ou então empresas que têm um alto nível de turnover, a gente leva uma grande solução. O RH sobe uma planilha ou no portal do seu RM, os dados dos funcionários e as contas são ativadas. São abertas e ativadas pelos funcionários que concluem o onboard e a documentação. É um processo muito simples. Eu fecho uma empresa de 10 mil funcionários, com 10 dias, uma semana, a gente abre, faz toda a gestão dessa folha, porque é possível abrir contas em lote, sobe o arquivo e todas as contas estão abertas. Então isso leva muita praticidade.

C.M: Hoje, quais são as principais demandas da área de RH quando o assunto é soluções financeiras?

R.M.: A gente vê aí a própria resolução NR01, que é voltada muito para a saúde mental dos funcionários. Então, o salário é muito sensível. Mas com RH, eu vou dizer para você, as inovações a gente acaba absorvendo na conversa, nas visitas, mas a grande demanda é uma excelência na entrega do serviço, porque como a gente lida com salário, que é algo tão sensível das empresas, é algo que não pode ter falha. A gente prima muito por isso e é isso que o RH e DP esperam. Os funcionários são atendidos pelo nosso 0800 humanizado, mas, de toda forma, ele resolve tudo pelo app. Mas para RH e DP, eu tenho uma área de relacionamento que atende. O que a gente sente de demanda é desse acolhimento, é desse olhar, porque como é algo muito sensível, eles precisam se sentir acolhidos e a gente, embora digital, não abre mão do pessoal e isso é fundamental.

C.M: Quais são os planos da BSCash de crescimento, de expansão, de projeção para os próximos anos?

R.M.: A gente iniciou a nossa operação de São Paulo recentemente. Estamos ampliando a equipe lá. O nosso produto é muito inovador para o nosso país e não tem grandes bancos atuando nesse formato. A gente enxerga um mercado muito carente. Você vê empresas na região Norte, na região Sul, Sudeste, pagando funcionários com Pix um por um. Isso é um risco altíssimo para a empresa, é muito trabalho. Então, eu diria que eu tenho o Brasil inteiro para absorver, para conquistar. Para além disso, a gente vê um movimento muito grande da pejotização e a gente sabe que é um público que também precisa de um olhar e a gente já tem alguns planos em relação a isso. Então eu diria que o ano de 2026 é um ano em que a BSCash tende a expandir bastante, porque ela está pronta para isso e consegue enxergar onde vai ser uma solução muito importante para as empresas.

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