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Por: Anchieta Dantas Jr.

01/10/2020, 16:50

(ATUALIZADO: 02/10/2020, 17:05)

Turismo no Ceará: as oportunidades de investimentos no setor

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Os aeroportos do Estado, os portos do Mucuripe e do Pecém e o Centro de Eventos do Ceará, além das belezas naturais, potencializam o Ceará como destino de recursos financeiros

A conexão do Ceará com o Brasil e o mundo segue em franca expansão. A infraestrutura proporcionada pela ampliação do Aeroporto Internacional de Fortaleza, a atração de um hub aéreo, a implementação de aeroportos regionais, os portos do Mucuripe e do Pecém e as rodovias estaduais reforçam essa ligação. Juntamente com os atrativos naturais do Estado, esses diferenciais, certamente, tornam o turismo um dos setores econômicos mais beneficiados. Não apenas pela maior circulação de turistas, mas também pelas oportunidades de investimentos que ainda se vislumbram no setor.

Ao lado da hotelaria, mais parques temáticos e o desenvolvimento do turismo náutico surgem, por exemplo, no leque de opções para quem pensa em investir no turismo cearense. A atividade representa, hoje, quase 11% da economia do Ceará, índice que cresce acima da média nacional (10%).

Segundo Arialdo Pinho, secretário de Turismo do Ceará, embora todos esses segmentos signifiquem grandes oportunidades para os investidores, o turismo náutico é o que detém o maior potencial de expansão. Afinal, os 573 quilômetros de litoral e os fortes ventos sopram a favor do Estado.

“E, mesmo assim, ainda exploramos muito pouco o turismo náutico, que vai muito além da prática de esportes como o kitesurfe e o windsurfe, já consolidados no Ceará. Temos aí também a exploração de atividades turísticas, em toda a costa, envolvendo vários tipos de embarcações, como os barcos a vela. A receita turística seria ainda maior. Portanto, ainda há muito o que avançar”, revela.

Ao mesmo tempo, Pinho também destaca a prática de mergulho. Nesse sentido, a inclusão de Fortaleza no Programa de Recifes Artificiais da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo) só vem a corroborar o potencial dos verdes mares cearenses com indutor do turismo estadual.

“Além de Fortaleza, nós temos, no Ceará, outros pontos de águas rasas, como Icapuí, o que facilitaria o afundamento dos equipamentos para a formação desses recifes artificiais, atraindo, assim, mais turistas interessados na atividade”, afirma.

Entre esses equipamentos, o programa da Embratur prevê, por exemplo, o afundamento de barcos e vagões de trens abandonados, dragas em desuso e tanques de guerra, respeitando os critérios e regras ambientais, a fim de que eles se tornem locais de acúmulo de peixes e virem santuários marinhos.

Em contrapartida, o maior fluxo de turistas de mergulho e interessados em atividades náuticas em todo o litoral, aponta o titular da Secretaria de Turismo do Ceará, aumentaria a demanda por outros investimentos no setor. A saber, hotéis, pousadas, restaurantes e uma gama de outros serviços que orbitam em torno da atividade turística, beneficiando diversos municípios.

Um potencial e tanto, diante do fato de que o turismo pode movimentar cerca de 54 segmentos da economia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Rotas turísticas mudam realidade dos municípios

Porém, o turismo no Ceará vai além do binômio sol e mar. A criação de distritos turísticos nas principais regiões do Estado é uma das seis estratégias do governo estadual para o desenvolvimento do turismo. Assim como a realização de melhorias na infraestrutura turística e de acesso aos principais destinos do Ceará.

Nessa direção, a aposta se concentra, atualmente, em cinco rotas turísticas, beneficiando pelo menos 32 municípios cearenses do litoral, passando pelas serras, até chegar ao sertão.

Além da já consolidada Rota das Emoções, a Rota das Falésias, a Rota do Café, dos Mirantes da Ibiapaba e ainda do Cariri, segundo a Secretaria Estadual de Turismo, compõem o cardápio turístico cearense, reforçando a expansão da atividade por todo o Estado.

“Ao desenvolver essas rotas, certamente os investimentos acompanharão a movimentação de turistas. À medida que se criar renda ao redor desses municípios, vão aparecer mais hotéis, restaurantes e outras empresas para atender à demanda”, reforça o economista e consultor na atração de investimentos internacionais, Alcântara Macêdo.Conforme disse, o turista, hoje, busca conhecer a história, viver as experiências locais.

“Consequentemente, esse interesse é capaz de criar emprego e renda. E o Interior do Ceará é muito rico nessa questão. Temos exemplos como as cidades de Juazeiro do Norte e Canindé, que se destacam no turismo religioso, e Guaramiranga, no ecoturismo. Portanto, não precisamos criar um contexto para estimular o turismo. Ele já existe no Ceará”, afirma.

De acordo com ele, investidores norte-americanos e europeus, principalmente portugueses, espanhóis e italianos, mantém sua atenção no Ceará, de olho nas oportunidades que possam surgir. “Daí a importância, da divulgação das belezas e destinos cearenses, assim como das vantagens competitivas do Estado em relação ao turismo”, completa.

Uma capital montada para o turismo

Na avaliação de Alcântara Macêdo, além de principal porta de entrada para os turistas que chegam ao Ceará, Fortaleza já é uma cidade montada para o turismo. Assim sendo, um importante polo para atração de investimentos para o setor.

Para ele, além do turismo de lazer, não se pode esquecer o turista de negócios. “Fortaleza tem, atualmente, um importante equipamento que é o Centro de Eventos do Ceará. Ele só perde em tamanho e capacidade para o do Anhembi, em São Paulo”, afirma.

Dessa forma, um equipamento dessa natureza, juntamente com o Aeroporto Internacional e o hub aéreo do Ceará, é capaz de atrair mais investimentos para o turismo. “Serviços de hospedagem, alimentação, comércio e muitos outros”, destaca Macêdo.

E a Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, a Setfor, está de olho nesses investidores. “Existe hoje uma linha de incentivo para a zona turística, principalmente mais próxima à Praia de Iracema, relativa ao IPTU e ISS”, destaca a secretária de Turismo da capital, Leiliane Vasconcelos.

Assim como o Governo do Estado, lembra ela, que também tem algum tipo de incentivo. “Acaba sendo uma estratégia. Inicia-se pela Secretaria estadual de Desenvolvimento Econômico e acaba envolvendo também outras secretarias”, conta.

Segundo a Setfor, diferentemente dos anos anteriores, 2020, dado a pandemia da Covid-19, apresentou restrições. Porém, tanto em Fortaleza, como no interior do Estado, a procura pela hotelaria e a gastronomia ainda é grande.

“Em Fortaleza, a parte de locação de veículos também cresce bastante e aí tudo que se investe na parte de turismo acaba fortalecendo a parte de serviços. Mas hoje entendo que a procura ainda é maior na parte de hotelaria e restaurantes”, relata Leiliane.

Ainda de acordo com ela, o capital investido tem origem tanto nacional como internacional. “Existe hoje um investimento de muitas pessoas do Sudeste que vêm para Fortaleza e de estrangeiros, notadamente portugueses e italianos. São os maiores mercados hoje de investimento nessa área do turismo”, afirma.

Não é à toa o esforço contínuo da Secretaria de Turismo de Fortaleza na divulgação da cidade e seus diferenciais. “A Setfor participou, no ano passado, de 14 feiras nacionais e internacionais. Essa é uma estratégia que pretendemos manter no próximo ano, caso o grupo ao qual fazemos parte permaneça na gestão da cidade. Sendo esse o caso, o investimento no turismo vai iniciar muito forte logo na parte de promoção. Temos quase R$ 15 milhões para fazer uma licitação e ser utilizado na promoção. E essa promoção acaba não só atraindo o turista, mas também os investidores”, conclui a titular da Setfor.

Por que investir no turismo do Ceará

Segundo o economista e consultor para a atração de investimentos internacionais, Alcântara Macêdo, o Ceará detém, atualmente, vantagens competitivas incomparáveis no que diz respeito ao turismo.

“O governo do Ceará tem feito o dever de casa. Tem aparelhado o Estado com a infraestrutura necessária e tem apoiado os investidores com subsídios temporários para dar mais velocidade na atração de negócios turísticos para o Estado”, justifica.

Nessa direção, o consultor elenca a concessão do Aeroporto Internacional de Fortaleza para a iniciativa privada, a ampliação do terminal e das pistas de pouso, a atração do hub aéreo, os aeroportos regionais, os portos do Mucuripe e do Pecém, o Centro de Eventos do Ceará, a malha rodoviária estadual e ainda o potencial de energia renovável. “A infraestrutura atrai investimentos e movimenta a economia”, destaca.

De fato, essa tem sido uma preocupação do governo cearense. A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e do Trabalho (Sedet) destaca a questão da infraestrutura como base das estratégias do Ceará para o turismo. Entre elas, a captação de voos nacionais e internacionais de companhias globais e a realização de melhorias na infraestrutura turística e de acesso aos principais destinos do Ceará. Além da atração de empreendimentos e empresas estrangeiras a fim de incentivar novos negócios e a geração de empregos.


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Nesse contexto, pode-se incluir o hub tecnológico do estado no suporte aos novos investimentos. Ele contempla conexões em fibra ótica, por meio do “cinturão digital”. Dados da Sedet apontam que o Brasil possui 185 cidades com mais de 75% das conexões à internet com fibra óptica, 42 localizadas no Ceará.

Ao mesmo tempo, tem-se ainda a soma dos investimentos realizados na Capital. A Setfor, destaca o trabalho feito em parceria com o governo do Estado. “A melhoria das vias de acesso ligando a zona hoteleira ao Aeroporto de Fortaleza é um ótimo exemplo”, frisa a Secretária de Turismo de Fortaleza, Leiliane Vasconcelos. Assim como, os investimentos em mobilidade urbana e uso da luz branca em toda a cidade. “Isto também agrega grande valor na hora de atrair investimentos”, acrescenta.

Nesse sentido, merecem destaque ainda, segundo ela, a requalificação da Praia do Futuro, da Praia de Iracema e a nova Beira-Mar, prevista para ser entregue em novembro deste ano.

“Agora em agosto foi entregue também o Polo Gastronômico da Varjota e está em execução a requalificação da Avenida Desembargador Moreira. Com essas obras, haverá uma conexão entre a Beira-Mar, a Avenida Dom Luís, o Polo da Varjota e novamente à Beira-Mar. A ideia é que o turista possa explorar essa área de maneira integrada e, o que é importante, caminhando”, justifica a secretária.

Ainda de acordo com ela, temos também a requalificação dos corredores turísticos de Fortaleza, que envolve importantes vias da cidade. “Já foram entregues as Avenidas Monsenhor Tabosa e Alberto Nepomuceno, além da Rua José Avelino e, atualmente, o projeto encontra-se em execução em três outras vias: a Avenida Vicente de Castro, no Mucuripe, e as Ruas Adolfo Caminha e João Moreira, no Centro”, conta.

O turismo do Ceará em números

Segundo dados da Sedet, o turismo cearense representa, hoje, quase 11% da economia do Ceará, índice acima da média nacional (10%). Nos últimos dez anos, a demanda turística via Fortaleza, conforme levantamento da Setur CE, aumentou cerca de 38% (3,71 milhões de viajantes, em 2019, ante 2,69 milhões, em 2010).

Para acomodar a esse público, o número de leitos nos meios de hospedagem saltou de 68 mil para aproximadamente 104 mil em igual período, um avanço de 53%.

Ao mesmo tempo, a maior movimentação de turistas no Estado foi responsável, por sua vez, por um aumento de quase 61% no número de postos de trabalho formais e informais na década em questão (235 mil, em 2019, ante 146 mil, em 2010). As principais ocupações foram nos segmentos de alojamento, alimentação, transportes e auxiliares, agências de viagem, aluguel de veículos e recreação e lazer.

Essas conquistas, traduzidas em termos financeiros, renderam para o Ceará, no ano passado, uma receita turística direta na casa dos R$ 11,74 bilhões, cifra, se comparada ao início da década (2010), 189% superior.
Enquanto a renda total gerada com o turismo alcançou R$ 20,54 bilhões em 2019, também contabilizando crescimento de aproximadamente 189% nos últimos dez anos.

Já a abertura de empresas de todos os portes ligadas ao turismo, de acordo com a Junta comercial do Estado (Jucec), atingiu 7,8 mil no ano passado, quase o dobro do registrado em 2010 (aproximadamente 4 mil empresas). São empresas nos ramos de hotelaria, restaurantes, lanchonetes, ambulantes, transportes, entretenimento, agências de viagem, operadores turísticos, eventos, locação de veículos entre outras.

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