FNE vai subsidiar estruturas específicas da Transnordestina em 2027, afirma Eliane Brasil

FNE
No total, a carteira monetária de investimentos do fundo equivale a quantia de R$ 8,141 bilhões para o próximo ano. (Foto: Joyce Santos)

A superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil, afirmou que existe uma escala de projetos de infraestrutura em andamento para subsidiar estruturas específicas da Ferrovia Transnordestina para 2027. Ao passo que os recursos estão assegurados via Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE. Isto é, para o próximo ano, o banco irá disponibilizar para a carteira monetária de investimentos do fundo a quantia de R$ 8,141 bilhões.

Além disso, Eliane aponta que o enquadramento inclui o terminal privado de Iguatu, a parceria com a Zona de Processamento de Exportação (ZPE), na aquisição de empresas. Fatores paralelos atrelados à construção da ferrovia, como por exemplo o porto seco de Quixeramobim, e a empresa MasterBoi.

“A chegada da Transnordestina no Porto do Pecém, que vai ter uma necessidade de financiar estruturas específicas. No que ocorre quando o trem chegar, descarregue, e leve até o navio. Isso tudo são vários projetos que estamos gestando dentro de casa. Algumas empresas que já vieram, então tem investimento até na área de cabotagem”, elucida a superintendente.

Ou seja, no que tange o andamento da obra da ferrovia, atualmente, em execução o lote seis, na fusão Quixeramobim-Quixadá. E no prosseguimento logístico, o lote sete, que equivale de Quixadá a Itapiúna.

FNE contabilizou aportes de R$ 26,49 bilhões até junho deste ano   

Levantamento do BNB resultou em contratações do FNE de janeiro a junho deste ano que consistiu em R$ 26,49 bilhões, contabilizando 4.209 contratações. Eliane menciona que a previsão orçamentária posterior ao ano subsequente é realizada através do histórico de cada segmento da cadeia produtiva.  

No planejamento para 2027, o setor de comércio e serviços lidera os montantes previstos, com R$ 2,44 bilhões. Na sequência surge infraestrutura, com alocação de R$ 1,82 bilhão, seguido de pecuária (R$ 1,57 bilhão); e indústria (R$ 1,53 bilhão). A proposta também prevê R$ 505,4 milhões para agricultura, R$ 245,8 milhões para turismo e R$ 17,3 milhões para pessoa física.

“Nós temos uma obrigação frente ao FNE para 2026 de financiar 62% de tudo em portes prioritários que no banco se traduz como cliente de micro a pequeno, distribuídos pela região Nordeste, preferencialmente no semiárido, que é a interiorização do desenvolvimento”, esclarece a gestora.

Predição é que a taxa de juros alcance o índice de 10% em 2028

O gerente de Ambiente de Estudos, Pesquisas e Avaliação do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), Allisson Martins, avalia que a taxa de juros recentemente aprovada já era esperada pelo mercado financeiro. “O Banco Central está fazendo uma análise realmente de toda a chamada matriz de risco, o que leva tanto à atividade econômica como também a inflação”, pontua.

Nesse ínterim, o gestor reforça que, sob a verificação da Etene, a calibração da taxa Selic permaneça. Fator que, conforme Alisson, a taxa possa atingir ao final de 2027, algo em torno dos 12%. No entanto, o gerente da Etene enfatiza que a economia é dinâmica, dependendo de lacunas que podem auxiliar ou, ao mesmo tempo, retroceder na decisão da política monetária. Ele cita, por exemplo, a questão da crise geopolítica.

“Isso traz muita incerteza, muita insegurança e volatilidade nos preços. Isso o Banco Central está observando no horizonte. A nossa expectativa é que essa taxa já para 2028, 2029 se aproxima na casa dos 10%”, vislumbra.

Configuração impactada pela taxa de juros é o critério da inadimplência. Alisson infere que o dispositivo causa efeitos de erosão financeira no caixa das empresas, e também no orçamento familiar. Além do mais, ressalta que a inadimplência também decorre de normativa do Banco Central, a resolução 4966, que provoca um efeito sobre a gestão de crédito. “A gente espera que esse fenômeno fique mais abrandado no decorrer dos próximos meses, sobretudo pela redução da taxa de juros, e também pela elevação da renda”, pontua.

Em conclusão, ao que tange o Ceará, destaca que o estado está ‘bem’ posicionado regionalmente em termos de inadimplência. O gerente da Etene relata que o Ceará tem a segunda menor inadimplência do Nordeste, ficando atrás do Piauí por 0,1%. “Nós, economistas, acreditamos que com a redução da taxa Selic, esse fenômeno da erosão da renda vá cada vez mais se dissipando, posicionando um cenário de crédito mais positivo”, frisa.

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