O setor de franquias brasileiro faturou R$ 149 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado representa alta nominal de 9,7% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). No segundo trimestre, entre abril e junho, o faturamento chegou a R$ 76,3 bilhões, com crescimento de 9,3%.
Apesar do avanço, o ritmo ficou abaixo do registrado nos primeiros três meses do ano. No primeiro trimestre, o franchising cresceu 10,1%. Segundo a ABF, o desempenho ocorreu em um cenário de juros elevados, inflação pressionada, crédito restrito e maior endividamento das famílias.
Ainda assim, alguns segmentos conseguiram ampliar as receitas. Entre eles, destacaram-se as lavanderias de autosserviço, os negócios ligados a saúde e bem-estar e a alimentação. Além disso, a competição entre plataformas de delivery aumentou a oferta de cupons e descontos, o que ajudou a movimentar o consumo.
Limpeza, saúde e alimentação lideram crescimento
Entre os 12 segmentos analisados pela ABF, Limpeza e Conservação apresentou a maior alta no faturamento. O avanço chegou a 17,6% no segundo trimestre. O resultado acompanha a expansão das lavanderias expressas e de autosserviço, além do crescimento dos serviços profissionais de limpeza.
Na sequência, Saúde, Beleza e Bem-Estar avançou 15,2%. Nesse caso, a ABF relaciona o resultado à maior procura por cuidados pessoais, atividades físicas e serviços odontológicos. Além disso, instituições de longa permanência para idosos e serviços de cuidadores ganharam espaço com o envelhecimento da população.
Por sua vez, Alimentação – Food Service cresceu 13,7%. A expansão ocorre em meio à busca dos consumidores por refeições práticas e ao aumento da concorrência no delivery. Ao mesmo tempo, sorveterias e restaurantes de serviço rápido ampliaram sua participação no mercado.
Para Tom Moreira Leite, presidente da ABF, o comportamento do consumidor ajuda a explicar a resistência do setor. Segundo ele, mesmo quando as famílias reduzem gastos, continuam utilizando serviços ligados à conveniência, ao bem-estar e às necessidades recorrentes.
Veja o desempenho dos segmentos
De acordo com a pesquisa, dez dos 12 segmentos acompanhados pela ABF aumentaram o faturamento no segundo trimestre. Além disso, dez categorias também registraram crescimento no número de operações.
| Segmento | 2025 (R$ bi) | 2026 (R$ bi) | Var. faturamento | Var. operações |
|---|---|---|---|---|
| Alimentação – Comercialização e Distribuição | 7,8 | 7,5 | -3,8% | 2,2% |
| Alimentação – Food Service | 10,6 | 12,0 | 13,7% | 2,8% |
| Casa e Construção | 4,8 | 5,0 | 5,4% | -1,3% |
| Comunicação, Informática e Eletrônicos | 2,0 | 2,1 | 5,3% | -3,4% |
| Entretenimento e Lazer | 0,8 | 0,9 | 12,1% | 4,2% |
| Hotelaria e Turismo | 3,7 | 3,9 | 6,8% | 1,1% |
| Limpeza e Conservação | 0,6 | 0,7 | 17,6% | 8,0% |
| Moda | 7,3 | 7,9 | 7,9% | 5,1% |
| Saúde, Beleza e Bem-Estar | 18,3 | 21,1 | 15,2% | 1,4% |
| Serviços Automotivos | 2,4 | 2,6 | 6,4% | 1,5% |
| Serviços e Outros Negócios | 7,9 | 8,5 | 7,0% | 6,1% |
| Serviços Educacionais | 3,7 | 4,2 | 11,8% | 5,5% |
| Total | 69,9 | 76,3 | 9,1% | 3,3% |
Fonte: Pesquisa Trimestral de Desempenho / ABF
Número de franquias também aumenta
Além do faturamento, o setor ampliou sua base de operações. Ao final do segundo trimestre, o Brasil tinha 207,2 mil unidades de franquias em funcionamento. O número representa 6.652 operações a mais do que no mesmo período de 2025.
Da mesma forma, o mercado ampliou a geração de empregos. As unidades franqueadas reuniam 1,8 milhão de trabalhadores diretos, alta de 58.566 postos em relação ao ano anterior.
No entanto, a expansão não ocorreu de maneira uniforme. Comunicação, Informática e Eletrônicos reduziu o número de operações em 3,4%. Já Casa e Construção registrou queda de 1,3%.
Mesmo assim, os dois segmentos aumentaram o faturamento. Comunicação, Informática e Eletrônicos passou de R$ 2 bilhões para R$ 2,1 bilhões. Enquanto isso, Casa e Construção avançou de R$ 4,8 bilhões para R$ 5 bilhões.
Por outro lado, Alimentação – Comercialização e Distribuição teve movimento diferente. O segmento aumentou o número de operações em 2,2%, mas o faturamento caiu 3,8%. O resultado mostra que uma rede maior não significa, necessariamente, aumento da receita.
ABF mantém projeção positiva para 2026
Para o restante do ano, a ABF mantém a expectativa de crescimento entre 8% e 10% no faturamento. A entidade também projeta alta de 2% a 4% no número de redes e expansão de 1% a 3% nas operações.
Entretanto, o setor ainda enfrenta obstáculos. Entre eles estão o custo do crédito, a pressão sobre os insumos e a transição para o novo sistema tributário. Por isso, a Reforma Tributária também entra no radar das empresas.
Ainda assim, a entidade aposta na continuidade do consumo doméstico e na expansão dos serviços de conveniência. Além disso, a digitalização e o empreendedorismo devem contribuir para o desempenho das redes.
Nesse cenário, o franchising mantém espaço no consumo cotidiano. Afinal, mesmo diante de um ambiente econômico mais restritivo, serviços recorrentes e negócios associados à praticidade continuam entre as prioridades de parte dos consumidores.
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