Consumidores priorizariam o varejo nacional com preços competitivos

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Pesquisa da CNDL/SPC Brasil mostra que 61% dos consumidores prefeririam comprar no varejo nacional com preço e variedade semelhantes. (Foto: Magnific)

O crescimento das compras internacionais não significa que o consumidor brasileiro tenha deixado de considerar o varejo nacional. Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, 61% dos compradores escolheriam lojas brasileiras se encontrassem preços e variedade semelhantes aos das plataformas estrangeiras.

O levantamento “Comportamento de compra do consumidor em sites internacionais” foi realizado em parceria com a Offerwise. Os dados mostram que a preferência por plataformas estrangeiras está ligada, principalmente, às condições oferecidas na compra.

Na prática, o consumidor compara preço, variedade, confiança, frete e prazo de entrega antes de decidir onde comprar. Portanto, o varejo nacional ainda pode recuperar parte dessas vendas.

O preço menor aparece como principal fator para comprar em sites internacionais. Ele foi citado por 39% dos entrevistados. Na sequência, aparecem a confiabilidade da plataforma e o valor do frete, ambos mencionados por 37%.

Consumidor compara antes de importar

Além do preço, 32% dos consumidores apontam a possibilidade de encontrar produtos que não estão disponíveis no Brasil como motivo para comprar em plataformas estrangeiras.

Ainda assim, as lojas nacionais continuam no radar. Antes de finalizar uma compra internacional, 53% sempre verificam se o produto está disponível em sites brasileiros. Outros 33% fazem essa consulta algumas vezes.

A comparação também envolve o valor. Segundo a pesquisa, 49% sempre verificam quanto pagariam pelo mesmo produto em uma loja brasileira. Outros 40% fazem essa comparação eventualmente.

Com isso, nove em cada dez consumidores consultam, pelo menos em algumas ocasiões, as opções disponíveis no mercado nacional antes ou durante uma compra internacional.

Varejo nacional disputa pela conveniência

Esse comportamento cria espaço para as empresas brasileiras competirem com plataformas estrangeiras. Para isso, porém, preço e variedade continuam como pontos centrais da estratégia.

Por outro lado, o varejo nacional também pode explorar vantagens relacionadas à entrega, troca, atendimento e pós-venda. Esses fatores podem reduzir a diferença percebida pelo consumidor quando o preço não é exatamente igual.

Além disso, o custo final da importação nem sempre se resume ao valor exibido na plataforma. Frete, tributos, prazo de entrega e eventuais problemas na operação também entram no cálculo.

Assim, uma diferença moderada de preço pode não ser suficiente para levar o consumidor a comprar no exterior. Em determinadas situações, a entrega rápida e a facilidade de troca podem pesar mais na decisão.

Preço ainda define parte das escolhas

Apesar disso, a disposição de priorizar lojas nacionais não representa uma garantia de compra. O varejo precisa apresentar uma oferta competitiva, sobretudo nas categorias em que as plataformas internacionais ganharam espaço.

Entre esses segmentos estão roupas, acessórios, calçados e cosméticos. Nesses mercados, as empresas brasileiras enfrentam concorrência de plataformas que combinam preços baixos, grande variedade e alcance internacional.

Ao mesmo tempo, os dados indicam que o consumidor não busca apenas o menor preço. A confiança na plataforma, o custo do frete e a disponibilidade do produto também interferem na decisão.

Por isso, o desafio do varejo nacional envolve reduzir a distância em relação às plataformas estrangeiras sem depender apenas de descontos. Preço, variedade e conveniência formam o conjunto de fatores que pode transformar a comparação em venda.

Para as empresas brasileiras, portanto, o dado de 61% representa uma oportunidade. O consumidor ainda considera o mercado nacional. Cabe ao varejo oferecer condições capazes de converter essa preferência potencial em compra efetiva.

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