O Banco Central (BC) divulgou nesta segunda-feira (31) o Boletim Focus, com as projeções do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira. Para 2026, a mediana da taxa Selic permaneceu em 13,75% ao ano, mantendo-se estável há pelo menos quatro semanas.
Já a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,95% para 1,92%, a segunda queda consecutiva no indicador. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também caiu, de 5,02% para 5,01%. Por outro lado, o câmbio permaneceu estável, com o dólar projetado em R$ 5,20 ao fim do ano.
Com a Selic mantida em patamar elevado, o custo do crédito segue pressionado para empresas e famílias. Esse cenário reforça o diagnóstico de juros estruturalmente altos no país, apontado recentemente em relatório do Banco do Nordeste (BNB), que identificou fatores fiscais domésticos e pressão global como responsáveis pela persistência das taxas.
Inflação tem trajetória mista entre os prazos
Para o IPCA de 2027, a estimativa subiu de 4,25% para 4,28%, após quatro semanas em 4,22%. Trata-se da terceira alta consecutiva na projeção. Para 2028 e 2029, no entanto, a expectativa permaneceu em 3,80%, nível mantido há pelo menos um mês.
O IGP-M seguiu direção oposta em 2026: a projeção caiu de 4,55% para 4,38%, revertendo a alta registrada na semana anterior. Para 2027, a estimativa avançou de 4,09% para 4,10%, interrompendo duas semanas de queda.
Os preços administrados, por sua vez, permaneceram em 4,69% para 2026. Já para 2027, a projeção recuou de 3,86% para 3,83%, a terceira queda seguida.
Crescimento econômico perde força
A estimativa de PIB para 2026 caiu pela segunda semana consecutiva, agora em 1,92%. Para 2027, a projeção ficou estável em 1,50%. Já para 2028, houve leve recuo, de 2,00% para 1,98%, repetindo o movimento da semana anterior. Para 2029, o mercado manteve a expectativa em 2,00%.
A desaceleração projetada para o crescimento tende a afetar diretamente setores como indústria, comércio e serviços. No Ceará, esse cenário reforça a importância de investimentos em infraestrutura e logística como fator de sustentação da atividade econômica local, diante de um ambiente nacional de crescimento mais moderado.
Câmbio e juros de longo prazo seguem estáveis
A projeção para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,20, repetindo o nível das últimas semanas. Para 2027 e 2028, a estimativa ficou em R$ 5,30, enquanto para 2029 o mercado projeta R$ 5,36.
No caso da Selic, a estabilidade também prevalece nos prazos mais longos. A projeção para 2027 segue em 12,00% ao ano, enquanto para 2028 permanece em 10,50%. Para 2029, a expectativa foi mantida em 10,00% pela décima sétima semana consecutiva, sinal de que o mercado não antevê mudanças bruscas na trajetória dos juros no curto prazo.