A combinação entre demanda crescente, avanço da habitação econômica e expansão dos lançamentos levou o mercado imobiliário do Grande Recife a registrar, entre abril e junho, o maior volume trimestral de vendas de apartamentos da série histórica acompanhada pela Brain Inteligência Estratégica para a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (Ademi-PE).
Ao todo, foram 4.018 unidades residenciais verticais comercializadas no Recife e na Região Metropolitana (RMR) no segundo trimestre. O resultado representa crescimento de 34% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 35% diante do primeiro trimestre deste ano.
Os números foram apresentados durante o Conexão Ademi, realizado no Restaurante Voar, no bairro de Boa Viagem. O ritmo de vendas foi acompanhado pela expansão da oferta. As construtoras lançaram 4.038 apartamentos entre abril e junho, alta de 44% em relação aos três primeiros meses do ano. A proximidade entre o número de unidades lançadas e comercializadas ajudou a manter o estoque do mercado praticamente estável.
Para Leonardo Pessoa de Queiroz (foto), presidente da Ademi-PE, o bom desempenho é resultado principalmente da força da habitação popular, impulsionada por programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Morar Bem Pernambuco.

“O mercado imobiliário vive um bom momento, especialmente nos segmentos de habitação popular e de luxo. O Minha Casa, Minha Vida tem sido um dos principais responsáveis por impulsionar o setor e apresenta crescimento significativo. Já o mercado de alto padrão enfrenta um cenário mais difícil, pressionado pelas taxas de juros, pela situação econômica e pela menor disponibilidade de financiamento”, afirma.
Habitação econômica acelera vendas e muda perfil do mercado
O aquecimento do mercado imobiliário do Grande Recife acontece em paralelo a uma transformação no perfil da demanda. Os imóveis voltados à habitação de entrada e ao segmento popular foram os principais responsáveis pelo desempenho recorde do trimestre.
Programas como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e o Morar Bem Pernambuco contribuíram para ampliar a demanda por apartamentos mais acessíveis, fazendo com que as unidades de menor porte ganhassem espaço nos lançamentos e nas vendas.
O dado mais expressivo aparece na tipologia. Os apartamentos de dois dormitórios responderam por 81% de todas as unidades comercializadas entre abril e junho. Enquanto o segmento econômico avançou, o mercado de alto padrão perdeu participação nos novos projetos. Os apartamentos de quatro dormitórios, que representavam 10% dos lançamentos no início do ano, passaram a responder por apenas 0,1% das novas unidades colocadas no mercado no segundo trimestre.
A mudança mostra que o crescimento do setor está sendo puxado principalmente pelo aumento da oferta de imóveis de entrada, ampliando o alcance do mercado imobiliário para novos públicos e regiões da RMR.
Queiroz também destaca que o avanço das vendas não vem acompanhado de uma alta descontrolada dos preços. “Esse cenário é positivo para o consumidor porque demonstra que não existe uma forte especulação imobiliária. O mercado está aquecido, mas os preços não avançam de forma descontrolada”, explica.
Lançamentos crescem 142% e VGV quase dobra
A força do mercado também aparece na velocidade com que as construtoras estão colocando novos empreendimentos à venda. No segundo trimestre, foram lançados 24 empreendimentos residenciais verticais na Região Metropolitana, sendo 12 no Recife e 12 nos demais municípios.
Em comparação com o primeiro trimestre, houve crescimento de 50% no número de empreendimentos lançados. Quando analisado o número de apartamentos, a expansão foi ainda mais significativa. Foram 4.038 unidades lançadas, contra 1.667 nos três primeiros meses do ano. O crescimento chegou a 142,2%.
O movimento fez o Valor Geral de Vendas (VGV) dos lançamentos mais que dobrar. O indicador passou de R$ 892 milhões no primeiro trimestre para R$ 1,88 bilhão no segundo, alta de 111,8%.
O cenário revela um mercado mais dinâmico, com construtoras ampliando a oferta justamente em um momento de forte absorção das unidades disponíveis.
Imbiribeira e Paulista despontam entre os novos polos imobiliários
O aquecimento do setor também está mudando a geografia do mercado imobiliário do Grande Recife. No Recife, a Imbiribeira liderou as vendas, concentrando 35,3% das unidades comercializadas no segundo trimestre. Na sequência aparecem Dois Unidos, com 26,2%; Jiquiá, com 21%; Várzea, com 9,3%; e Caxangá, com 8,3%.
O ranking evidencia uma característica importante do atual ciclo de expansão: bairros que não estão tradicionalmente associados ao mercado de alto padrão passaram a concentrar uma parcela significativa das vendas.
Nos lançamentos, o destaque ficou com Passarinho, que concentrou 18,9% das novas unidades colocadas no mercado. Depois aparecem Imbiribeira (18,2%), Jiquiá (13,7%), Barro (13,3%) e Boa Viagem (12,8%).
Na Região Metropolitana, Paulista ganhou força e se consolidou como o segundo principal mercado imobiliário, respondendo por 22,9% das vendas. Recife liderou, com 58%, seguido por Jaboatão dos Guararapes (6,8%) e São Lourenço da Mata (5,6%).
Camaragibe, Olinda, Igarassu e Cabo de Santo Agostinho, juntos, representaram 6,6% das unidades comercializadas.
Vendas atingem velocidade recorde
O aquecimento do mercado também aparece no Índice de Vendas sobre Ofertas (VSO). O indicador chegou a 28,9% no Recife e na Região Metropolitana, o melhor resultado de toda a série histórica. Na capital, o índice ficou em 27,9%.
Mesmo com a forte demanda, os preços permaneceram relativamente estáveis. O metro quadrado privativo no Recife fechou junho em R$ 11.255, uma variação positiva de apenas 0,3% em relação a março.
Os apartamentos de dois e três dormitórios tiveram valorização de 1,1% no trimestre. Entre os imóveis de quatro dormitórios, a alta foi de 2%.
Setor movimenta R$ 6 bilhões em 12 meses
O desempenho do segundo trimestre também reforça a força do mercado imobiliário no acumulado de 12 meses. Entre julho de 2025 e junho de 2026, foram lançadas 14.051 unidades residenciais e comercializados 13.398 apartamentos no Grande Recife.
Em valores, o VGV lançado alcançou R$ 5,8 bilhões, enquanto as vendas movimentaram R$ 6 bilhões. O estoque atual é de 9.873 unidades disponíveis, o equivalente a aproximadamente 8,8 meses de vendas no ritmo atual de comercialização.
Os números apontam para um mercado aquecido, mas ainda equilibrado, em que a demanda crescente vem sendo acompanhada pela expansão da oferta. Ao mesmo tempo, o avanço dos imóveis econômicos e a consolidação de novos bairros e municípios como polos de desenvolvimento indicam que o próximo ciclo de crescimento do setor deverá ocorrer de forma cada vez mais descentralizada no Grande Recife.
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