A transição energética é uma das vertentes de debate do cenário econômico atual. O presidente da Enel Ceará, José Nunes, afirmou que a corporação utiliza a nova fonte renovável como principal matriz geradora de energia.
Segundo Nunes, ao que tange o aporte de geração do grupo, as aplicações somam atualmente mais de 6.5 GW, por opção executiva no passado em ser toda na energia renovável.
O gestor destaca que a maior gama é na eólica, atingindo 3.5 GW, seguido de solar, 1.8, e hídrica, alcançado 1.3. “Então nos preparamos para a transição energética lá atrás”, pontua.
Os esclarecimentos foram realizados nesta quarta-feira (12) na Semana do Economista 2026: O Nordeste na Agenda Global, em entrevista exclusiva concedida à Trends, na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). Nunes participou do painel: Transição Energética, Clima e Resiliência no Semiárido.
Ao passo que na ocasião o diretor da Enel esclareceu que a distribuidora possui ações focadas e também preventivas em relação ao clima.
“Nós entendemos que a descarbonização é um processo irreversível, que a natureza requer e que nós devemos e estejamos conscientes ou não, ela ocorrerá. Então devemos estar cada vez mais preparados”, relata.
Ao que tange os investimentos de fomento às energias renováveis no Ceará para a distribuição da fonte, Nunes explica que há um programa de investimento de três anos na ordem de R$ 7 bilhões. Em 2025 foram aplicados R$ 2,1 bilhões, e neste ano a previsão é da mesma variável.
Nunes menciona que o estado do Ceará tem mais geração de renovável do que capacidade para escoar, sob perspectiva de linhas de transmissão. “Isso tem levado a uma perda, da ordem de 25 a 30%, dependendo da planta”, reforça.
No entanto, conforme o gestor, ele cita que o governo estadual está buscando negociar o excedente, e compensar essa parte. Ele aponta futuramente a utilização dos Data Centers para aproveitar o potencial energético.
Economista aponta necessidade de uma transição energética acelerada
O economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Guilherme Muchale, avalia que o mundo contemporâneo está atravessando uma transformação de velocidade de acontecimentos sem precedentes.
Ele menciona os conflitos comerciais e bélicos existentes, e um cenário de necessidade de uma transição energética acelerada, em razão dos impactos causados pelo aumento das temperaturas no planeta.
Muchale enfatiza o aspecto da nova era digital ao que concerne a atribuição do avanço da Inteligência Artificial no cotidiano das pessoas, no mercado de trabalho e na organização e na atividade das empresas.
Indagado sobre o vetor industrial no Ceará, Muchale respondeu que o segmento possui uma participação expressiva na economia cearense. Ele salienta que o setor gera praticamente 1/3 dos empregos do setor privado no estado, e cerca de1/4 dos postos totais, agregando o fator público subjacente.
“Isso é puxado sobretudo na parte de empregos, pela indústria da moda, a indústria da construção, e a indústria alimentícia”, afirma.
O especialista reforça o papel do item metalmecânico sistematizado no complexo portuário industrial do Pecém, no qual ressalta que 10% do insumo produzido no país advém do equipamento cearense, destacando a função na geração de divisas motivadas pelas exportações.
“As próprias energias renováveis, que tem também um papel primordial e que irão ocupar uma função de destaque pensando no desenvolvimento futuro do Ceará como ativo inigualável, e de difícil limitação, para atrair cada vez mais uma indústria voltadas a área”, frisa.
Especialista realça que economista não pode ser monotemático
Nessa semana celebra fatores relacionados ao exercício da atividade do economista. O economista Célio Fernando avalia que a aplicação do profissional necessita de metodologia para obter perspectiva de futuro.
Além disso, Célio reforça que apesar dos acontecimentos atuais ocorrerem numa cadência acelerada, menciona que o economista necessita antever alguns movimentos.
“Nisso ele tem que ter uma cabeça com múltiplas dimensões, não pode ser monotemático, ele tem que ter a visão sistêmica muito clara, e entender que esses papéis todos hoje são muito interdependentes e conectados”, afirma.
A princípio em termos locais, o estado do Ceará, e a capital Fortaleza, o especialista aponta planejamento administrativo em panoramas teóricos aplicáveis como o Ceará 2050 e o Fortaleza 2040.
Contudo, sob uma análise conjuntural de país, Célio redimensiona sob o ponto de vista macroeconômico é necessário acreditar na reorganização dos gastos governamentais.
“Não é simplesmente o corte de gastos, isso não é um fator tão inteligente, é saber a locação dos gastos, aquilo que fornece maior eficiência e produtividade ao sistema, ao investimento público”, realça.
Ele exemplifica num modelo governamental ao que tange o investimento público ao longo prazo, a possibilidade de um maior endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
“A questão não é essa, eu tenho que ver o que é endividamento, o que pode ser custeio, que de repente só aumenta a inflação se eu tiver mais moeda, mas tenho que prever tudo isso”, relata.
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