IPCA-15: a desinflação está de volta?

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No acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 4,52%, aproximando-se gradualmente do intervalo compatível com a convergência para a meta. (Foto: Magnific)

O IPCA-15 de julho, de apenas 0,06%, veio significativamente abaixo do consenso de mercado, que apontava para uma alta em torno de 0,16%. O resultado reforça a percepção de que o processo de desinflação, já sinalizado pelo IPCA de junho, começa a ganhar maior consistência.

No acumulado de 12 meses, a inflação recuou de 4,80% para 4,52%, aproximando-se gradualmente do intervalo compatível com a convergência para a meta. Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, sete apresentaram desaceleração da inflação nessa base de comparação. No resultado mensal, merece destaque o comportamento dos preços de alimentação no domicílio e de alimentação fora do domicílio, que voltaram a contribuir favoravelmente para a desaceleração do índice.

Outro aspecto bastante relevante foi a expressiva redução do índice de difusão do IPCA-15, que passou de 60,22% em junho para 48,23% em julho. O indicador sugere que a desaceleração da inflação não está restrita a poucos itens, mas se dissemina por uma parcela cada vez menor da cesta de consumo. Em outras palavras, além de perder intensidade, a inflação torna-se menos disseminada, alcançando tanto os componentes tradicionalmente mais voláteis quanto aqueles que vêm apresentando maior persistência ao longo dos últimos meses.

O resultado também trouxe sinais positivos para a Região Nordeste. Embora a inflação acumulada em 12 meses permaneça acima da média nacional (4,68% ante 4,52% no Brasil), a região registrou deflação de 0,02% em julho. Chama igualmente a atenção o fato de que cinco dos nove grupos pesquisados pelo IBGE tenham apresentado queda de preços no mês, evidenciando um processo de descompressão inflacionária relativamente disseminado.

Sob a ótica da política monetária, esse conjunto de indicadores fortalece as condições para que o Banco Central dê continuidade ao processo de flexibilização da taxa básica de juros nos próximos meses, desde que o cenário fiscal e as expectativas de inflação permaneçam compatíveis com esse movimento.

Os efeitos positivos, entretanto, tendem a ir além da política monetária. A desaceleração da inflação, especialmente nos itens de maior peso no orçamento das famílias, amplia o poder de compra da renda, melhora a capacidade de pagamento das pessoas físicas e pode contribuir, ainda que de forma gradual, para a redução da inadimplência.

Por sua vez, famílias financeiramente menos pressionadas tendem a sustentar melhor seus níveis de consumo, favorecendo a geração de receitas das empresas. Esse processo reduz a pressão sobre o fluxo de caixa corporativo e, consequentemente, tende a contribuir para a diminuição da inadimplência das pessoas jurídicas, sobretudo nos segmentos mais dependentes do mercado consumidor doméstico.

Rogério Sobreira, economista-Chefe BNB. (Foto: Divulgação)

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