ETFs consolidam avanço e movimentam R$ 116 bilhões no Brasil

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Os ETFs ganham espaço na América Latina. No Brasil, o patrimônio dos fundos quase triplicou e alcançou R$ 116 bilhões. (Foto: Magnific)

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) ampliam participação nos mercados financeiros da América Latina. Esse avanço ocorre porque investidores buscam novos produtos adaptados à demanda local. No Brasil, o patrimônio dos ETFs listados em bolsa quase triplicou nos últimos dois anos e alcançou cerca de R$ 116 bilhões.

Além disso, o crescimento acompanha a evolução do mercado financeiro regional. Ao mesmo tempo, investidores passaram a priorizar produtos com menor custo, maior liquidez e vantagens tributárias, principalmente na renda fixa.

Brasil lidera expansão dos ETFs

Gestoras como BTG Pactual Asset Management e Itaú Asset Management ampliaram a oferta de ETFs para atender investidores interessados em alternativas aos fundos tradicionais.

Segundo o COO da Kapitalo Investimentos, Bernardo Feijó, a expansão desse mercado é um processo natural.

“O fato de operarmos globalmente em praticamente todos os mercados e classes de ativos significa que precisamos de instrumentos líquidos, eficientes em custos e tributação, e os ETFs cumprem esse papel”, destaca

Enquanto isso, o patrimônio da divisão de ETFs do BTG ultrapassou R$ 20 bilhões, ante cerca de R$ 1 bilhão no fim de 2024. Além disso, a Investo, apoiada pela VanEck, ampliou seus ativos de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 11 bilhões em menos de dois anos.

ETFs de renda fixa concentram os aportes

Neste ano, os ETFs de renda fixa lideraram a captação. De acordo com a Anbima, esses fundos receberam mais de R$ 27 bilhões em novos recursos.

Além das taxas de administração mais baixas, esses produtos oferecem vantagens tributárias. Por exemplo, diferentemente de muitos fundos tradicionais de renda fixa, eles não estão sujeitos ao mecanismo conhecido como come-cotas, que antecipa a cobrança do Imposto de Renda duas vezes por ano.

Na Itaú Asset Management, os ETFs ligados a títulos públicos registraram a maior demanda entre os investidores.

Para Tiago Lima, sócio e chefe de distribuição da BTG Pactual Asset Management, a tendência é de expansão contínua.

“Como um ETF pode acomodar praticamente qualquer tipo de investimento, ele deve acabar se tornando a classe de ativos que atrai o maior volume de novos recursos”, aponta.

Mercado avança em outros países

O movimento também aparece em outros mercados latino-americanos.

Na Colômbia, o número de ETFs listados aumentou 24% em relação ao ano anterior. Já no Chile, a expansão chegou a 37%. No México, por sua vez, o patrimônio desses produtos subiu de US$ 14,3 bilhões para US$ 15,3 bilhões, segundo a ETFGI.

Além disso, investidores institucionais mexicanos passaram a utilizar esses fundos para ampliar a exposição a bolsas internacionais. Principalmente, eles buscam empresas americanas de tecnologia e inteligência artificial.

Região ainda tem espaço para crescer

Apesar desse avanço, a América Latina ainda representa uma parcela pequena do mercado global de ETFs.

Nos Estados Unidos, os ativos sob gestão superam US$ 15,6 trilhões. Na Europa, o patrimônio ultrapassa US$ 3 trilhões. Já na Ásia, o maior mercado é o Japão, com aproximadamente US$ 845 bilhões. Em seguida, aparecem China continental, Taiwan e Coreia do Sul.

No Brasil, os reguladores estudam autorizar estratégias de gestão ativa para ETFs. Se isso ocorrer, o mercado poderá ganhar um novo impulso a partir de 2027.

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