Arthur Frota: um empreendedor tecnológico

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Depois de enriquecer sua jornada com diferentes experiências profissionais, Arthur Frota partiu para a construção de algo próprio, que mudasse a realidade da sua família. (Foto: AF PRESS/Nero)

A jornada empresarial de Arthur Frota começou cedo. Depois de abrir sua primeira empresa, a Mega Sac, em 2016, fundou a Tallos, uma plataforma de atendimento digital adquirida pela RD Station/TOTVS em 2024. De uma família simples de Maracanaú, no Ceará, desde cedo entendeu que a vida exige trabalho, esforço e responsabilidade.

Foi com este olhar que planejou seu futuro, começando a trabalhar em diferentes funções. Foi operador de call center cobrando dívidas de cartão de crédito, trabalhou com tecnologia da informação e também foi professor de programação e tecnologia em uma escola técnica particular cearense. Hoje, Frota empresta sua expertise compartilhando conhecimentos com novos empreendedores como CEO e fundador da AFPAR, ecossistema voltado à tecnologia, educação e capital.

Depois de enriquecer sua jornada com diferentes experiências profissionais, ele partiu para a construção de algo próprio, que criasse valor, gerasse oportunidades e mudasse a realidade da sua família. A demissão de uma empresa onde atuava na área de tecnologia não o desanimou. Ao contrário, o desligamento virou oportunidade para empreender. Nascia assim a trajetória empreendedora de Arthur Frota, reconhecido por transformar ideias em negócios reais, escaláveis e de alto impacto, todos baseados no uso estratégico da tecnologia.

“O empreendedorismo nunca foi apenas uma carreira para mim. Sempre foi um projeto de transformação pessoal, familiar e profissional”, afirma ele, alertando que as dificuldades aparecem no caminho e precisam ser enfrentadas. No seu caso, ele destaca que o período anterior à escala foi o mais difícil, o que se intensifica considerando que o negócio proposto era inovador, em um mercado que ainda estava se formando, sem grandes referências próximas e com recursos extremamente limitados. “Não havia um manual explicando o caminho”, brinca.

Se pensou em desistir? Não, embora tenha recebido alguns conselhos para voltar ao emprego formal. “Eu acreditava que estava criando algo relevante que exigia muita resiliência, capacidade de adaptação e, principalmente, convicção”, afirma, ciente de que em se tratando de algo novo, era preciso ter fé antes mesmo que o mercado acredite.

O desafio mais marcante para Arthur Frota, entretanto, talvez tenha sido a transformação cultural feita na empresa. “Em determinado momento entendemos que, para crescer, precisávamos alinhar pessoas, valores e visão de futuro. Foi uma decisão difícil, mas necessária. Aprendi que crescimento sustentável não acontece apenas por produto ou tecnologia. Ele depende de pessoas, cultura e execução”, assegura. 

Mentalidade empreendedora

Para Arthur Frota, a construção da mentalidade empreendedora não é um processo isolado. Está no DNA familiar, mas também é fruto de formação e de muita curiosidade. Ele conta que seu pai faz parte da sua história porque carrega no sangue o traço forte do vendedor e também do comunicador com espírito desbravador.

Nesta receita, que não tem fórmula pronta, ele atribui à mãe o papel mais presente na sua formação durante a infância e adolescência e com quem aprendeu a relevância de valores como trabalho, responsabilidade, honestidade e perseverança.

“Grande parte do que construí foi impulsionado por essa convicção de honrar minhas origens, reconhecer o esforço dos meus pais e abrir caminhos para as próximas gerações da minha família”, afirma.

Foco, disciplina e construção de sistemas

Foco para planejar, disciplina para executar e construção de sistemas fazem parte desta história como princípios que fazem a diferença. Escala parece ser a mágica do sucesso. “Empresas não escalam apenas porque vendem mais. Elas escalam quando conseguem transformar conhecimento, processos e boas práticas em algo repetível”, afirma o que explica o sucesso da Tallos, que cresceu porque deixou de depender de pessoas específicas e passou a depender cada vez mais de sistemas, cultura e método.

Convicto de que a tecnologia visa eliminar tarefas repetitivas para permitir que as pessoas foquem em atividades de maior valor, o CEO da AFPAR diz que a automação de processos sempre fez parte da visão da empresa. Ele sabe, também, que a tecnologia sozinha não resolve problemas. “Nosso diferencial nunca foi apenas automação. Foi entender a jornada do cliente e utilizar tecnologia para melhorar a experiência e aumentar a eficiência operacional”, explica. Igualmente, é assim com a inteligência artificial que potencializa as melhorias, mas que requer um entendimento profundo do problema a ser resolvido.

Os aliados tecnológicos estão disponíveis, mas a cultura é um dos temas mais subestimados do empreendedorismo. Para Arthur Frota, muitas empresas acreditam que cultura é discurso. Para ele, cultura é comportamento, é aquilo que a liderança tolera, recompensa e valoriza todos os dias.

Método ESCALE

Para Arthur Frota, uma das maiores responsabilidades de um líder é garantir alinhamento entre pessoas, valores e direção. A maior dificuldade normalmente não é contratar, e sim construir um ambiente onde as pessoas certas consigam prosperar. A propósito, foi a prática que levou ao nascimento do Método ESCALE, fruto dos principais aprendizados que teve construindo a Tallos. A metodologia considera os pilares da Estratégia, Sistemas, Cultura, Aquisição, Liderança e Escalabilidade, as iniciais do método.

A AFPAR, holding que constrói, desenvolve e investe em empresas B2B para PMEs acaba de anunciar o lançamento da primeira empresa do grupo: a Escale Biz, que tem William Brito (foto) como CEO. Com a missão de transformar a maneira como pequenas e médias empresas se estruturam para crescer, a Escale Biz chega ao mercado como uma edtech voltada à escala empresarial, tendo como principal porta de entrada a sua própria plataforma.

Arthur Frota (à direita) com o CEO William Brito, da Escale Biz. (Foto: AF PRESS/Nero)

A meta da Escale Biz é atender 20 mil PMEs já ao final do seu primeiro ano de operação. Por meio de soluções desenhadas para empresas se capacitarem, aplicarem tecnologia e utilizar IA para otimizar processos, a estimativa é que as empresas de seu portfólio consigam aumentar em 55% a eficiência de seus processos e em 20% sua receita. “O problema é que muitos empreendedores ainda tentam escalar usando apenas experiência, esforço e intuição”, diz ele, acrescentando que para escalar é preciso mais do que feeling. É preciso transformar conhecimento em método, gestão, indicadores e sistemas para fazer a diferença.

Nordeste protagonista

É o caso do Nordeste que, no olhar do empreendedor Arthur Frota, já é protagonista porque tem talentos, universidades fortes, centros de inovação relevantes e empreendedores extremamente resilientes. Ele entende que estão mudando as barreiras de falta de capital, visibilidade e acesso. E lembra que a AFPAR busca negócios que resolvem dores reais, possuem potencial de escala e conseguem gerar valor de forma consistente.

“Empresas promissoras normalmente nascem dessa combinação entre dor real, execução e capacidade de distribuição”, garante ele, vislumbrando o Brasil como um país de oportunidades presentes, com enormes desafios, mas com uma capacidade extraordinária de empreender, criar soluções e construir negócios. Mas assegura que o futuro não chega sozinho. Ele é construído todos os dias por pessoas que decidem criar empresas, gerar empregos, desenvolver tecnologia e resolver problemas. “Quando mais brasileiros assumirem esse papel de construtores, estaremos cada vez mais próximos do país que desejamos ser”, finaliza.

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