O 26º Festejo Ceará Junino percorrerá as 14 macrorregiões do Ceará durante os meses de junho e julho, em uma programação de 47 dias que reúne 21 festivais regionais e a etapa final do campeonato estadual de quadrilhas juninas. Mais do que uma das principais manifestações da cultura popular cearense, o evento movimenta uma ampla cadeia produtiva ligada à economia criativa.
Ao mesmo tempo, milhares de profissionais atuam nos bastidores para garantir a realização dos festivais. Costureiras, bordadeiras, artesãos, cenógrafos, maquiadores, músicos, iluminadores, sonoplastas e produtores culturais trabalham durante meses na preparação das apresentações, gerando renda em diferentes regiões do estado.
Festejo Ceará Junino
Em 2026, o ciclo junino conta com o maior investimento de sua história. O Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), destinou R$ 6,8 milhões para a realização da programação.
Desse total, mais de R$ 4,3 milhões seguem diretamente para o fomento das quadrilhas juninas. Dessa forma, os recursos fortalecem os grupos culturais, ampliam a contratação de profissionais e contribuem para a manutenção das tradições populares.
Trabalho e renda
A preparação das quadrilhas começa meses antes das apresentações. Cada grupo mobiliza dezenas de profissionais em atividades que envolvem pesquisa temática, criação de figurinos, produção de cenários, ensaios e contratação de serviços especializados.
Nesse contexto, o período junino representa a principal fonte de renda anual para muitos trabalhadores da cultura, especialmente costureiras, artesãos e aderecistas.
Segundo Robertinho Saveriano, presidente da quadrilha Ceará Junino, do bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza, a festa movimenta diversos setores da economia criativa.
“A quadrilha junina movimenta uma grande rede de trabalhadores e gera renda complementar para muitas famílias. Como nos apresentamos em diferentes municípios, a demanda por serviços é ainda maior, fortalecendo a economia criativa e valorizando os profissionais que ajudam a manter viva essa tradição cultural”, destaca.
Grupos culturais
Entre 2023 e 2026, os investimentos destinados às quadrilhas registraram crescimento em diferentes categorias. A Quadrilha Junina Adulta teve o apoio ampliado de R$ 22 mil para R$ 30 mil por projeto.
Da mesma forma, a Quadrilha Junina Infantil passou de 14 para 30 projetos apoiados anualmente. Já a categoria Cultura Camponesa elevou o investimento de R$ 18 mil para R$ 28 mil e ampliou o número de projetos contemplados.
Por sua vez, a categoria Diversidade ou Iniciante também recebeu reajuste nos valores de apoio.
Segundo Gecíola Fonseca, secretária da Cultura do Ceará, os investimentos vão além da preservação cultural.
“Os festivais e apresentações fortalecem as tradições culturais, mas também impulsionam as economias locais, mobilizando comunidades inteiras e criando oportunidades para novos profissionais e novos públicos. Por isso, compreendemos a cultura não apenas como expressão da nossa identidade, mas também como um importante vetor de desenvolvimento econômico e social para o Ceará.”
Festejo Junino impulsiona economia criativa
Para Jéssica Ohara, coordenadora de Patrimônio Cultural e Memória da Secult Ceará, os festivais desempenham papel relevante na sustentabilidade econômica do setor cultural.
“Os Festivais Regionais têm uma função social e econômica no fomento à economia artística, criativa e cultural, considerando o grau elevado de informalidade do setor e dos trabalhadores da cultura. Dessa forma, contribuem para a manutenção da dinâmica da produção e sustentabilidade econômica e social dos grupos e festivais regionais de quadrilha junina do Ceará”, afirma.
Além disso, a realização dos festivais movimenta serviços de montagem, segurança, alimentação, transporte e comércio local nos municípios participantes.
Impacto para os municípios
O impacto econômico também é percebido pelas comunidades que recebem as etapas regionais. Em Fortaleza, Kátia Alves, produtora do 27º Festival Junino do Parque Oeste, destaca a relevância do evento para o bairro Pirambu.
“É um evento que fortalece a história do bairro, promove integração social e impulsiona a economia local. Muitos moradores conseguem complementar a renda durante o período, e até os donos de barracas de praia participam do evento e consideram mais positivo para os negócios do que o Carnaval”, afirma.
Já em Quixeramobim, Rafael Barbosa, Mestre da Cultura e produtor da Maravilha Junino 2026, estima movimentação econômica entre R$ 300 mil e R$ 400 mil durante os dois dias de programação.
“O crescimento do festival demonstra como cultura, geração de renda e desenvolvimento caminham juntos, fortalecendo oportunidades e impulsionando a economia de Quixeramobim e da região”, conclui.
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