Compromissos florestais do Brasil aparecem entre os mais rasos

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Pesquisa da FGV cria índice global para medir profundidade de compromissos florestais em acordos comerciais de 213 países. (Foto: Envato Elements)

Uma pesquisa publicada na World Development propõe uma nova metodologia para medir a profundidade dos compromissos florestais presentes em acordos comerciais internacionais. O estudo analisa 778 acordos preferenciais firmados entre 213 países entre 1947 e 2021.

Além disso, o trabalho desenvolve o Forest Provisions Depth Index (FPDI), índice anual que varia de 0 a 100 e mede o grau de profundidade das cláusulas florestais presentes nos tratados. Quanto maior a pontuação, mais robustos são os compromissos ligados à proteção florestal.

FPDI mede compromissos florestais

O índice foi desenvolvido por Rodrigo Fagundes Cezar, professor da Escola de Relações Internacionais da FGV (FGV RI), em parceria com Michelle Márcia Viana Martins, da Universidade Federal de Viçosa, e Alan Leal, da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP).

De acordo com os pesquisadores, o FPDI separa cláusulas florestais específicas de cláusulas ambientais genéricas. Assim, acordos com estruturas ambientais amplas, mas sem menções diretas às florestas, deixam de receber pontuações elevadas automaticamente.

Além disso, o índice organiza os tratados em três dimensões:

  • cláusulas florestais explícitas
  • capacidade de implementação e cumprimento
  • cooperação e princípios ambientais

União Europeia lidera ranking

Os dados mostram ampla variação entre países na profundidade dos compromissos assumidos. A União Europeia lidera o ranking com média de 80,3 pontos.

Em seguida aparecem:

  • Timor-Leste, com 66,7 pontos
  • Guiné-Bissau, com 61,4 pontos
  • Costa do Marfim, com 60,5 pontos

Segundo a pesquisa, esses países concentram acordos comerciais firmados com a União Europeia que replicam cláusulas ligadas à conservação florestal.

Brasil registra compromissos mais rasos

A análise indica que países com maior capacidade de governança tendem a firmar compromissos florestais mais profundos. Ao mesmo tempo, economias que importam mais produtos de madeira também costumam negociar cláusulas mais densas, sobretudo por exigências de legalidade e rastreabilidade.

Por outro lado, países sob maior pressão de desmatamento e expansão da fronteira agrícola apresentam compromissos considerados mais rasos. Segundo o estudo, esse é o caso do Brasil.

Os pesquisadores apontam que o resultado é “contraintuitivo”.

“O resultado é contraintuitivo e sugere que os acordos comerciais tendem a aprofundar menos a questão florestal justamente nos contextos em que compromissos mais robustos seriam mais necessários”, aponta.

Pesquisa amplia debate climático

Segundo os autores, os resultados têm implicações para as agendas de comércio exterior e política climática. Além disso, o estudo aponta que cláusulas ambientais genéricas não substituem compromissos florestais explícitos.

A pesquisa também afirma que compromissos mais ambiciosos dependem de capacidade institucional doméstica para monitorar e implementar as medidas previstas nos acordos.

Nesse sentido, o FPDI funciona como uma ferramenta comparativa para negociadores, investidores e sociedade civil acompanharem a profundidade dos compromissos assumidos por cada país.

Projeto reúne instituições internacionais

A pesquisa integra o projeto “Making Autonomous Sustainable Trade Regulations Work for Everyone”, parceria entre a FGV RI e o Geneva Graduate Institute.

Além disso, a iniciativa conta com apoio da Swiss Network for International Studies. O projeto também sediou, em São Paulo, a Consulta Pré-COP30 sobre comércio sustentável em outubro de 2025.

O encontro reuniu representantes da FAO, Banco Interamericano de Desenvolvimento, WWF-Brasil, Embrapa e Pacto Global da ONU, entre outras instituições.

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