Município cearense atua na preservação da pesca artesanal de mariscos

Marisqueiras
O movimento das marisqueiras de Paracuru angariou lei municipal, e foi realizado recentemente uma conferência sobre a temática. (Foto: Coletivo Guerreiras das Águas)

O município de Paracuru planeja periodicamente serviços organizacionais para um coletivo de marisqueiras – mulheres que atuam na coleta manual de mariscos – da região.


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A cidade de Paracuru, localizada a cerca de 85 quilômetros de Fortaleza, é exemplo na preservação das tradições marítimas e manguezais. Um reflexo da conjuntura estabelece na realização de uma série de ações para discorrer acerca da vivência coletiva das pescadoras. O evento denominado de Conferência Livre ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), ocorrido no último sábado (11), é uma iniciativa da instituição local das marisqueiras do Coletivo Guerreiras das Águas.

De acordo com a coordenadora da instituição, Luíza Maria Vieira, a entidade cumpre uma função primordial para manutenção e a preservação do mangue de Paracuru, pois a subsistência da comunidade das marisqueiras advém do hábitat natural.

Ela destaca que há uma vertente ambiental de cuidado da fauna e da flora locais, por causa do alinhamento na preservação das espécies em extinção. “O mangue é o berçário do oceano, de onde várias espécies vêm desovar para dar continuidade às espécies que muitas das vezes, estão em extinção”, realça.

O movimento das marisqueiras em Paracuru angariou contornos legislativos, com a implementação de uma Lei Municipal nº 2.182/2024, que institui o Dia da Marisqueira no município de Paracuru. O propósito simboliza a valorização da categoria, além de reforçar a necessidade de defender os territórios pesqueiros tradicionais.

As espécies mais comuns encontradas no local são siri, caranguejo, aratu camarão, intan, búzios, sururu e taioba. No total, o coletivo atende 78 marisqueiras cadastradas em atuação. 

O Secretário Executivo de Pesca e Aquicultura do CearáFrança Vieira, relata que as diretrizes formalizadas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), assim como a pasta representativa estadual, nutrem incentivos aos preceitos da sustentabilidade ambiental, econômica, social e cultural da região costeira.

França Vieira, que por coincidência nasceu em Paracuru, menciona que as marisqueiras possuem um papel fundamental na conjuntura, pois, conforme ele, as pescadoras exercem uma função de “guardiãs do ecossistema ancestral”, pois a cultura da pesca artesanal é repassada dos pais para as filhas. “Vale ressaltar que, além da extração dos mariscos, elas são donas de casa, mães e esposas. Dessa forma, quero aproveitar a oportunidade para externar todo meu carinho e respeito por todas as verdadeiras marisqueiras do Ceará, em especial às de Paracuru”, acentua França.

Para Rômulo Alexandre Soares, presidente da Câmara Setorial da Economia Azul, órgão vinculado a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (ADECE), a atividade da pesca artesanal é um dos pilares do setor de economia azul no estado. Rômulo enfatiza o enquadramento das marisqueiras no panorama.   

“Sua preservação — especialmente quando protagonizada por marisqueiras — representa um caminho concreto para conciliar desenvolvimento econômico, justiça social e conservação dos ecossistemas costeiros. Iniciativas como essa mostram que fortalecer a pesca artesanal é também uma estratégia de desenvolvimento territorial, que integra inclusão produtiva, valorização cultural e proteção ambiental”, pontua Rômulo.

Associação Cearense de Imprensa (ACI) apoia a causa, e o presidente da instituição, Eliézer Rodrigues, esclarece que há 60 anos a ACI ocupa espaço físico em Paracuru com a existência da Colônia de Férias. Eliézer afirma que a respectiva gestão à frente da instituição busca também a interseção no englobamento do município junto à sociedade. “E o exemplo presente é a ACI colaborar nesta realidade e protagonismo de pescadoras e pescadores de Paracuru”, frisa.

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