Exportações de lagosta do Ceará somam US$ 4,6 mi no 1º tri de 2026

exportações de lagosta
Exportações de lagosta do Ceará crescem 12,9% em 2026, com mudança no perfil do produto e novos mercados como Austrália e China. (Foto: Magnific)

O Ceará registrou avanço nas exportações de lagosta no primeiro trimestre de 2026, com vendas externas que somaram US$ 4,6 milhões, segundo levantamento do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). O resultado representa alta de 12,9% frente ao mesmo período de 2025, enquanto fevereiro e março concentraram o melhor desempenho, indicando recuperação da demanda internacional ao longo do trimestre.


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Os dados apontam que o crescimento das exportações do crustáceo ocorre em paralelo a uma mudança no padrão do mercado, já que o setor passa por um processo de reposicionamento estratégico. “Os dados mostram que, mais do que um crescimento pontual, há uma mudança no padrão das exportações de lagosta do Ceará. Observamos um movimento de ajuste ao perfil de demanda internacional, tanto em relação ao tipo de produto quanto aos mercados atendidos”, avalia Karina Frota, gerente do CIN.

Nesse cenário, o desempenho recente reflete decisões alinhadas à dinâmica internacional, já que produtores e exportadores ajustam suas estratégias para atender novas preferências de consumo e exigências logísticas, enquanto buscam manter competitividade em um ambiente de maior seletividade de mercados.

O levantamento mostra que o avanço das exportações de lagosta está ligado à maior participação de produtos processados, que somaram US$ 2,84 milhões e cresceram 63%. Por outro lado, as lagostas inteiras registraram US$ 1,74 milhão, com queda de 25%, o que indica mudança no perfil da demanda e maior busca por itens com valor agregado.

“Esse movimento indica uma preferência crescente por cortes específicos e produtos de maior valor agregado, o que tende a exigir adaptação da cadeia produtiva, especialmente nos processos industriais e logísticos”, afirma Karina Frota.

Além disso, houve reconfiguração relevante nos destinos das vendas externas, com destaque para a Austrália, que liderou as importações ao atingir US$ 2,18 milhões e crescimento de 63%. Em contrapartida, os Estados Unidos registraram US$ 986 mil (-15%), enquanto a China avançou para US$ 935 mil (+17%).

O estudo indica que esse movimento revela mudança no eixo global de consumo, já que o crescimento das exportações de lagosta não ocorre de forma homogênea, mas por meio da redistribuição entre mercados. A análise também aponta elevada concentração em poucos destinos, o que mantém o setor exposto a oscilações externas.

“Esse cenário reforça a importância de decisões orientadas por inteligência de mercado. Embora haja avanço nas exportações, o setor ainda apresenta concentração em poucos destinos, o que exige estratégias voltadas à ampliação de mercados e à agregação de valor aos produtos”, conclui Karina Frota.

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