O preço das passagens aéreas no Brasil registrou alta em março de 2026, com impacto direto do cenário internacional e reflexos no custo do combustível. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) indicam que o valor médio do bilhete doméstico chegou a R$ 707,16, enquanto o avanço anual atingiu 17,8%. Além disso, o indicador de rentabilidade por quilômetro, o yield, subiu 19,4% na comparação com 2025.
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O movimento de alta ocorre em meio ao aumento do preço do petróleo, influenciado pelo conflito no Oriente Médio, que elevou o custo do querosene de aviação (QAV). Embora o valor médio do QAV tenha ficado em R$ 3,60 por litro em março, com queda de 13,7% em relação ao ano anterior, a Petrobras anunciou em abril um reajuste de cerca de 55%. Com isso, o combustível passou a representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR).
Diante desse cenário, o governo federal adotou medidas para reduzir tributos sobre o QAV, com o objetivo de conter o avanço dos preços. Ainda assim, a ABEAR alerta que o aumento do combustível pode afetar a abertura de novas rotas e reduzir a oferta de voos, o que tende a manter a pressão sobre as passagens aéreas nos próximos meses.
Demanda por transporte aéreo mantém crescimento
Apesar da alta nos preços, a demanda por transporte aéreo segue em expansão no Brasil. Em março, o país registrou 10,6 milhões de passageiros, o maior volume já contabilizado para o período, além de um recorde no primeiro trimestre.
O mercado internacional liderou o avanço, com crescimento de 8,9%, enquanto o segmento doméstico registrou alta de 1,3%. No total, o número de passageiros aumentou 3,1% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, a oferta de voos também cresceu, com expansão de 7,9% no mercado doméstico, enquanto a demanda medida em passageiros por quilômetro transportado avançou 7,8%.
No recorte por companhias, os dados mostram diferenças relevantes na evolução das tarifas aéreas entre março de 2024 e março de 2026:
- Azul Linhas Aéreas lidera os preços médios, com valores entre R$ 800 e R$ 900 e pico próximo de R$ 918 no início de 2026
- Latam Airlines apresenta maior volatilidade, com oscilações ao longo do período
- Gol Linhas Aéreas mantém os menores patamares, geralmente abaixo de R$ 700
Em março de 2026, a Azul registrou tarifa média próxima de R$ 887, enquanto Latam Airlines e Abaeté Aviação ficaram na faixa de R$ 740. Já a Gol Linhas Aéreas apresentou o menor valor médio, em torno de R$ 626.
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