Porto de Suape investe em inteligência marítima para potencializar exportações

Porto de Suape
O complexo portuário pernambucano contratou uma consultoria paulista para análise de mercado e prospecção de cargas. (Fotos: Divulgação/Suape)

Em meio aos desafios logísticos que ainda travam parte do agronegócio brasileiro, Pernambuco começa a desenhar um novo caminho. No centro desse movimento está o Porto de Suape, que dá mais um passo para se consolidar como uma alternativa estratégica de escoamento da produção nacional.


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O avanço mais recente vem com a chegada da consultoria paulista Solve Shipping Intelligence Specialists, que passa a atuar diretamente no complexo com estudos de inteligência marítima, análise de mercado e prospecção de cargas. Na prática, trata-se de um reforço técnico com um objetivo claro: tornar Suape mais competitivo e conectado às grandes rotas internacionais.

A iniciativa faz parte do Pacto pelo Agro, criado em 2025 pelo Governo de Pernambuco em parceria com o Porto e a Secretaria de Desenvolvimento Agrário. Mais do que um projeto institucional, o pacto tem funcionado como um espaço de construção conjunta entre poder público, setor produtivo e operadores logísticos.

Durante encontro realizado no Recife Expo Center, o diretor-presidente de Suape, Armando Monteiro Bisneto (foto), apresentou os avanços recentes e destacou que o momento é de virada para o porto.

Da esquerda para a direita: Armando Monteiro Bisneto, diretor-presidente do Porto de Suape; Cícero Moraes, secretário de Desenvolvimento Agrário; e Pedro Lacerda, secretário executivo de Atração de Investimentos e Estudos Econômicos de Pernambuco. (Foto: Divulgação/Suape)

“Estamos concentrando esforços para destravar gargalos históricos da logística brasileira, atrair novas linhas marítimas e transformar Suape em uma base eficiente de escoamento para o agronegócio pernambucano e nacional no mercado internacional”, afirmou.

Entre os avanços estruturais, a conclusão da dragagem dos canais de navegação permite agora a operação de navios de grande porte, ampliando a capacidade do complexo. Soma-se a isso um diferencial importante: o tempo de espera para embarque, hoje inferior a um dia – um ganho relevante em comparação a outros portos do país.

O secretário de Desenvolvimento Agrário, Cícero Moraes, reforça que o Pacto pelo Agro nasce justamente da necessidade de ouvir quem está na ponta da produção. A proposta é identificar gargalos históricos e construir soluções práticas, com impacto direto na competitividade de setores como a fruticultura e a avicultura.

“Reunimos Estado, Suape e produtores em um ambiente de escuta qualificada para identificar gargalos e construir soluções concretas”, afirmou. Moraes destacou ainda que o trabalho já apresenta resultados práticos, ampliando mercados e fortalecendo a competitividade do agro pernambucano.

Já o secretário-executivo Pedro Lacerda avalia que o estado vive um momento de organização estratégica. Para ele, Suape se posiciona como peça central ao integrar infraestrutura, inteligência logística e atração de novos fluxos de exportação.

“Suape é peça-chave nessa estratégia, ao integrar infraestrutura, inteligência logística e atração de novos fluxos de exportação para o agronegócio. Estamos falando de um movimento estruturado, que conecta produção, mercado e capacidade portuária para reduzir custos, ganhar eficiência e posicionar o estado de forma mais competitiva nas rotas internacionais”, analisou.

Os cenários traçados refletem a consolidação de marcos importantes para o estado, como a abertura, em março deste ano, de uma rota de exportação para o setor avícola via Suape, com foco no mercado africano. Uma operação de R$ 2 milhões viabilizou o embarque de 5 milhões de ovos para Serra Leoa e Mauritânia, em uma iniciativa que uniu três granjas pernambucanas e a empresa DEP Export Solution — simbolizando o amadurecimento das ações do pacto.

Outro passo importante foi o acordo firmado com o polo de fruticultura do Vale do São Francisco, que busca otimizar o escoamento da produção e ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado internacional, conectando o interior à estrutura portuária.

Esse avanço também é sustentado por investimentos em infraestrutura, como o novo terminal de contêineres da APM Terminals – o primeiro totalmente eletrificado da América Latina –, além de melhorias na malha viária, a exemplo do Arco Metropolitano.

Presença

De olho na ampliação dessas oportunidades, Suape marca presença na Intermodal South America, em São Paulo, onde busca atrair novos parceiros e rotas. Os números recentes reforçam esse momento: nos dois primeiros meses de 2026, o complexo registrou crescimento de 28,5% na movimentação de cargas e aumento de 23,4% nas atracações.

Mais do que números, o cenário aponta para uma mudança de posição. Suape deixa de ser apenas uma alternativa regional e passa a se firmar como um elo estratégico na logística do agronegócio brasileiro.

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