Movimento NOLT revoluciona envelhecimento

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Nascido nas redes sociais, o conceito de NOLT contraria os estereótipos limitantes e propõe autonomia, engajamento e propósito a partir de uma vida ativa. (Foto: Envato Elements)

O Brasil envelhece em ritmo acelerado, ocupando a 5ª ou 6ª posição no ranking das maiores populações idosas do mundo até 2030, com mais de 32 milhões de pessoas acima de 60 anos. Segundo o Censo IBGE de 2022, esse contingente já representa 15,8% da população, devendo saltar para 30% até 2050. No mundo, serão 2,0 bilhões de pessoas nesta faixa etária, que respondem por 13% a 15% do total ou um quinto dos habitantes do Planeta.


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O desafio da longevidade para os governantes é avançar em ações de suporte na mesma velocidade. Isto envolve adaptações na Previdência e aumento de políticas públicas capazes de atender as necessidades por maiores cuidados.

Quem não quer esperar por isto são os idosos ativos que rejeitam rótulos tradicionais de envelhecimento e se interpõem à passagem do tempo. Eles integram o Movimento NOLT (New Older Living Trend), onde os anos não pesam, só somam. Nascido nas redes sociais, o conceito contraria os estereótipos limitantes e propõe autonomia, engajamento e propósito a partir de uma vida ativa, bem distante do pijama e do sofá.

O Movimento NOLT se consolidou entre 2025 e o início de 2026.Os adeptos não se definem pela idade cronológica, mas por uma mentalidade ativa, rejeitando rótulos de idosos e terceira idade, inativos e contemplativos. Ao contrário, o termo descreve pessoas com mais de 60 anos que mantêm o controle sobre suas vidas e que ainda têm projetos envolvendo aprendizagemeformação. Longe do isolamento social, eles se conectam perfeitamente com gerações mais novas em busca de atualização técnica e comportamental. Também marcam presença no empreendedorismo Sêniorcontribuindo com sua experiência.

Desafios da maior longevidade

Carlota Esteves (foto), fundadora do Movimento Longevidade Brasil (MLB), diz que os desafios são significativos diante do aumento da expectativa de vida dos brasileiros projetada pelo IBGE em 76,8 anos.

Carlota Esteves, fundadora do MLB. (Foto: Arquivo pessoal)

Empreendedora social, ela diz que o fato reflete melhorias nos pilares identificados para a ação do MLB que são Saúde e Bem-Estar, Educação e Cidadania, Voluntariado e Empreendedorismo, Tecnologia e Inovação, além de Arte e Cultura. São eixos de atuação sugeridos pelos moradores de Copacabana, em pesquisa realizada pelo Projeto Reavivar Copacabana.

Para o MLB – que atua na democratização de informações e práticas voltadas à longevidade saudável, com foco na prevenção e na integração intergeracional – há avanços. Carlota cita alguns como a legislação brasileira que protege a população idosa, a Lei 8.842/1994, que instituiu a Política Nacional do Idoso. Também o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003) foi um passo importante. Ela aponta ainda alguns programas como pontos positivos. É o caso do Patrulha 60+, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que oferece cuidado para pessoas idosas no município carioca, além de outras iniciativas municipais e estaduais voltados para Saúde e Bem-Estar dos idosos no Rio de Janeiro.

Em termos nacionais, a especialista cita a Política Nacional de Cuidado, lançada em 2024, para assistir pessoas idosas com dificuldades em atividades cotidianas. A par dos avanços, persistem desafios como a questão das doenças crônicas e degenerativas; o aumento da população idosa pressionando o sistema previdenciário; e a necessidade de inclusão de idosos no mercado de trabalho.

Para Carlota Esteves, “de um modo geral, o Brasil não se preocupa com a divulgação das ações planejadas, dificultando a sua execução nos diferentes níveis – nacional, estadual e municipal – além de ampliar a necessidade de recursos para desenvolvimento das iniciativas nos diversos níveis de governo”.

Apesar disso, no caso da Pessoa Idosa, existe uma integração dos diferentes níveis – nacional, estadual e municipal – que contribui para melhoria da gestão e planejamento das ações voltadas para a longevidade da população rumo aos 100 anos.
A experiência adquirida com o Movimento Longevidade Brasil nos nove anos completados em 2026, com o lema: “Conectando gerações, construindo Longevidade”, possibilita recomendar investimentos em Educação e Saúde Preventiva, com foco na qualidade de vida para todas as idades. “Prevenção é o melhor remédio”, finaliza.

Famílias sanduíche

A percepção de Roberta França (foto), médica especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental, sobre a política nacional voltada à longevidade no Brasil é de que ela ainda é extremamente incipiente. Muitas vezes, segundo ela, se deixa de olhar verdadeiramente para o Brasil que envelheceu. Ela se questiona sobre o que será feito com os idosos diante da falta de políticas claras voltadas a eles.

Roberta França, médica especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental. (Foto: Divulgação)

Ela lembra que cada vez mais se vê o que chamou de “famílias sanduíche”. São pessoas na faixa dos 40 ou 50 anos, economicamente ativas, inseridas no mercado de trabalho, que ainda têm filhos adolescentes ou entrando na faculdade e, ao mesmo tempo, pais extremamente idosos que necessitam de cuidados especiais. Sem estrutura física e financeira nem para cuidar dos pais, essas famílias precisam lidar com filhos que ainda demandam atenção e com a sua própria rotina.

“Não vemos políticas públicas discutindo essas questões, nem voltadas às pessoas extremamente envelhecidas que precisam de cuidadores, assistência médica e cuidados diários”, afirma a médica. Para ela, o debate muitas vezes se concentra apenas na parcela saudável da população idosa, que necessita de academia, atividade física e serviços públicos que estimulem a longevidade, a criatividade e a manutenção da mente ativa.

Celebramos o aumento da longevidade, mas sem debater, de fato, como vamos lidar com uma população cada vez mais idosa”, reforça ela, preocupada com a população brasileira gigantesca acima dos 60 anos. E acrescenta que um paciente idoso sem acompanhamento rotineiro tem maior risco de sofrer um infarto ou um AVC, gerando custos ainda maiores ao demandar não apenas o socorro médico, mas também os serviços de enfermeiro, técnico de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional. Também há falhas no sistema para receber pessoas com dificuldade de mobilidade.

Movimento NOLT

Mais do que um caminho espontâneo para enfrentar a falta de uma política adequada de envelhecimento, o Movimento NOLT, para a médica Roberta França, é parte de um contexto em que o mundo está envelhecendo e em que discussões sociais vêm ganhando espaço, inclusive nas redes sociais, que ajudam a trazer debates reais para a problemática.

Ela aproveita para trazer à discussão o fato de o envelhecimento ser um processo. “Ninguém dorme com 20 anos e acorda com 70”, afirma, defendendo a necessidade de as pessoas iniciarem as práticas mais saudáveis bem antes dos 60. “Mais do que a busca de um corpo saudável, a academia é uma alternativa para construir uma ‘poupança muscular’, garantindo maior autonomia”, ilustra.

“Vejo o Movimento NOLT como algo atrelado à compreensão de que estamos todos envelhecendo e viveremos cada vez mais”, afirma ela, acreditando que os filhos que convivem com pais em envelhecimento patológico, com processos demenciais ou sequelas de doenças graves, se vejam nesse “espelho” e passem a olhar para a própria velhice de outra forma, buscando alternativas mais saudáveis.

Lugar certo para envelhecer

Sabendo-se que a chamada “Economia Prateada” ou geração grisalha movimenta no Brasil nada menos do que R$ 1,6 trilhão por ano, pode-se imaginar o potencial a ser explorado por um mercado maduro que impacta muitos setores, como o mercado imobiliário.

Morar bem na maturidade não deveria ser uma concessão tardia, mas uma escolha consciente”, afirma Daline Hällbom (foto), CEO da Söderhem Senior Living, empresa 100% focada nesse novo estilo de morar e viver. Inspirada por modelos nórdicos de moradia e longevidade especialmente da Suécia, referência global em qualidade de vida, a Söderhem nasce com a proposta de traduzir os princípios do NOLT para a realidade brasileira.

Daline Hällbom, CEO da Söderhem Senior Living. (Foto: Divulgação)

Diferente da ideia de permanecer na mesma casa a qualquer custo, o NOLT amplia o conceito de aging in place ao reconhecer que o “lugar certo” para envelhecer muda ao longo da vida. O foco deixa de ser o apego ao imóvel e passa a ser a qualidade da experiência de morar

Principais setores impactados

  • Mercado imobiliário com imóveis inteligentes adaptados para as necessidades desta faixa etária
  • Saúde onde a tecnologia desponta como aliada importante, permitindo monitoramento à distância
  • Turismo com oferta de viagens de experiência e culturais
  • Seguro que remeta para a prevenção

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