Déficit do Governo Central atinge R$ 44,3 bi e reverte superávit anual

Por: Redação | Em:
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O mercado esperava um resultado menor: segundo o Prisma Fiscal, analistas previam déficit de R$ 39,9 bilhões. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

As contas do Governo Central — que inclui Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — registraram déficit primário de R$ 44,296 bilhões em junho. Em termos reais, o resultado é 8,6% pior que o de junho de 2024, quando o rombo foi de R$ 38,721 bilhões.


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Esse é o quarto maior déficit para meses de junho desde o início da série histórica. O mercado esperava um resultado menor: segundo o Prisma Fiscal, analistas previam déficit de R$ 39,9 bilhões. A ausência de dividendos de estatais, como os pagos pela Petrobras e Banco do Brasil no ano passado, foi um dos principais fatores para a piora.

Com isso, o resultado acumulado do ano, que era positivo até maio, passou a ser negativo. No 1º semestre de 2025, o Governo Central teve déficit de R$ 11,46 bilhões. Apesar disso, é o melhor desempenho para o período desde 2015, frente aos R$ 67,373 bilhões de déficit no mesmo intervalo de 2024.

A meta fiscal para este ano, definida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e pelo novo arcabouço fiscal, é de déficit primário zero, com margem de tolerância de 0,25 ponto do PIB. No cenário atual, o governo ainda está dentro do limite inferior permitido, equivalente a um rombo de até R$ 31 bilhões.

Precatórios e receitas pressionam resultado

O pagamento de precatórios em julho, estimado em R$ 63 bilhões, tende a pressionar ainda mais o caixa federal. O valor foi revisto para baixo — inicialmente era R$ 69 bilhões — após reavaliação de dados pelos tribunais. Parte desses precatórios foi antecipada em fevereiro.

Segundo o Relatório Bimestral de Receitas e Despesas, o Orçamento de 2025 prevê déficit primário de R$ 74,1 bilhões. Mas ao considerar somente os gastos incluídos no novo arcabouço fiscal, o déficit projetado é de R$ 31 bilhões, exatamente o limite inferior da meta.

Na comparação com junho de 2024, as despesas cresceram mais rápido que as receitas. As receitas líquidas aumentaram 5,2% em termos nominais, mas caíram 0,1% em termos reais. Já as despesas totais cresceram 7% nominalmente e 1,6% acima da inflação.

A arrecadação federal administrada subiu 5,4% em junho, descontada a inflação, mas as receitas não administradas pela Receita Federal caíram 23,8%. O impacto foi causado pela ausência de dividendos, que no mesmo mês de 2024 haviam rendido mais de R$ 5 bilhões ao Tesouro.

Gastos com Previdência e BPC

A Previdência Social foi o principal fator de crescimento dos gastos, com alta real de 5,7% em junho. O aumento do salário mínimo e do número de beneficiários contribuiu diretamente para essa expansão.

Os gastos com servidores públicos subiram 3,2% acima da inflação, refletindo a política de reajustes salariais. Já os desembolsos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) cresceram 11,9% em termos reais, também impulsionados pela valorização do mínimo e pelo aumento da base atendida.

As despesas obrigatórias com controle de fluxo — que incluem programas sociais — aumentaram 4,3% acima da inflação. O seguro-desemprego registrou alta de 31%, representando um acréscimo de R$ 1,3 bilhão. Em sentido oposto, os gastos com o Bolsa Família caíram R$ 893 milhões (-6,1%).

Essa combinação de alta nas despesas obrigatórias e queda nas receitas extraordinárias indica que o cumprimento da meta fiscal exigirá contenção adicional no segundo semestre, especialmente diante de pressões como a judicialização dos precatórios e o cenário econômico instável.

Investimentos federais recuam no semestre

Os investimentos públicos somaram R$ 28,725 bilhões entre janeiro e junho, queda real de 14,4% em relação ao mesmo período de 2024. A variação tem sido marcada por ciclos de avanço e retração, refletindo o ritmo irregular das obras públicas.

Segundo o Tesouro Nacional, a instabilidade nos investimentos é explicada pela sazonalidade no andamento das contratações e na execução orçamentária. Apesar da queda no semestre, o governo ainda pode ampliar esse tipo de gasto no segundo semestre, caso a arrecadação surpreenda.

No contexto atual, o monitoramento contínuo do fluxo de receitas e despesas será fundamental para avaliar a margem fiscal disponível. A definição sobre eventuais contingenciamentos dependerá da evolução do quadro fiscal até o fim do terceiro trimestre.

*Com informações da Agência Brasil.

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