Dólar sobe com tensões comerciais e impasse sobre IOF

Por: Redação | Em:
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O dólar à vista opera em alta, refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores diante das incertezas fiscais no Brasil. (Foto: Envato Elements)

O dólar à vista operava em alta nesta quarta-feira (16), refletindo o aumento da aversão ao risco entre investidores diante das incertezas fiscais no Brasil e das tensões com os Estados Unidos. Às 11h, a moeda norte-americana subia 0,47%, cotada a R$5,5858 na venda.


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Na B3, o contrato futuro com vencimento mais próximo avançava 0,61%, negociado a R$5,607. O movimento indica busca por proteção cambial, impulsionada pelo impasse entre o governo brasileiro e o Congresso em torno da cobrança do IOF, além da escalada comercial com Washington.

Na véspera, uma audiência de conciliação no STF terminou sem acordo sobre o IOF, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que aguarda uma solução rápida. Mas o cenário permanece indefinido, elevando a percepção de risco local.

Do lado externo, cresce a preocupação com o impacto da nova tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros, que deve entrar em vigor em 1º de agosto. O governo brasileiro sinalizou que buscará reverter a medida ou adiar sua aplicação.

Ameaças dos EUA elevam cautela nos mercados

A tensão aumentou após o representante comercial Jamieson Greer anunciar o início de uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil, incluindo possíveis barreiras ao comércio digital. A medida reforça o tom protecionista da gestão Trump.

Em resposta, o vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o governo trabalhará para negociar com os EUA, mas ainda sem sinal de avanço concreto. Enquanto isso, os investidores seguem monitorando a condução da diplomacia econômica brasileira.

Além das questões bilaterais, o ambiente global também pesa. A inflação nos EUA acelerou em junho, conforme esperado, o que mantém as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve até o fim do ano, mesmo com pressão de Trump por reduções mais agressivas.


Cotação do dólar reflete cenário global e local

O índice do dólar, que compara a divisa dos EUA com outras seis moedas fortes, subia 0,24%, alcançando 98,824. O movimento global reforça a valorização frente ao real, em meio à leitura de que o risco Brasil aumentou no curto prazo.

Enquanto isso, seguem as negociações entre os EUA e seus principais parceiros comerciais, como Japão e União Europeia, antes da implementação das novas tarifas. O cenário reforça a tendência global de volatilidade no câmbio.

No Brasil, o impasse político em torno do IOF soma-se à percepção de que o governo enfrenta dificuldades para articular soluções junto ao Congresso, o que acentua a incerteza fiscal no curto prazo.

Diante disso, os agentes financeiros optam por se posicionar de forma conservadora, ampliando a demanda por moeda forte e provocando nova rodada de pressão sobre o real no mercado à vista e futuro.

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