A Rivaz, empresa norte-americana, avalia instalar uma refinaria de lítio em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará. A empresa trabalha com a perspectiva de produzir 200 mil toneladas do mineral e uma comitiva visitou o município nesta semana.
Com sede em Pasadena, na Califórnia, a companhia atua em diferentes etapas da cadeia ligada à transição energética. Além da mineração de materiais para baterias, a Rivaz também trabalha com a fabricação de ônibus elétricos.
Quixeramobim entra no radar da cadeia do lítio
O projeto ainda está em fase de estruturação. Segundo informações apresentadas pela gestão municipal, a empresa prepara o plano de negócios e avalia áreas para implantação da operação.
Caso o empreendimento avance, a unidade poderá se tornar a primeira refinaria de lítio do Nordeste. Atualmente, o Brasil possui uma planta química da Companhia Brasileira de Lítio (CBL) em Divisa Alegre, Minas Gerais, que produz compostos como carbonato e hidróxido de lítio.
Além disso, o volume projetado indica uma operação de grande escala. Por isso, a definição das áreas de exploração e da estrutura industrial será uma das próximas etapas do projeto.
O lítio ocupa posição estratégica na transição energética. O mineral é utilizado principalmente na fabricação de baterias recarregáveis para veículos elétricos, celulares e notebooks.
Ao mesmo tempo, o material também tem aplicações em sistemas de armazenamento de energia solar e eólica. Cerâmicas, vidros e lubrificantes estão entre outros mercados que utilizam o lítio.
Logística é apontada como diferencial
A localização de Quixeramobim aparece como um dos fatores considerados para o projeto. Nesse contexto, a gestão municipal destaca a combinação entre Transnordestina, Porto Seco e Zona de Processamento de Exportação (ZPE).
A infraestrutura pode favorecer tanto o transporte dos insumos quanto o escoamento da produção. Além disso, a ZPE integra a estratégia de atração de empresas voltadas ao comércio exterior.
Durante a reunião com a empresa, o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Fábio Feijó, apresentou aspectos do Ceará. Por sua vez, o grupo J. Macedo, do empresário Amarílio Macedo, apresentou o projeto da ZPE.
As negociações devem avançar, mas a empresa e os envolvidos ainda mantêm parte das informações sob sigilo por questões estratégicas. Dessa forma, detalhes sobre valores e etapas do investimento ainda não foram divulgados.
Empresa avalia áreas no Sertão Central
A Rivaz ainda não definiu a área de exploração. Entre as localidades avaliadas estão Condado, Malacaxeta e Coqué, distritos de Quixeramobim.
Além disso, a empresa analisa áreas em municípios próximos, como Senador Pompeu e Banabuiú. A companhia já identificou áreas no Ceará e solicitou licenças para estudos.
Os pedidos aguardam análise da Agência Nacional de Mineração (ANM). Enquanto isso, outras empresas também demonstram interesse na exploração de lítio no Sertão Central.
Segundo a gestão municipal, essas companhias estão em diferentes estágios de licenciamento. Nesse grupo, a Rivaz aparece como uma das empresas de maior escala em avaliação na região.
Rivaz atua da mineração à fabricação de ônibus
A Rivaz se apresenta como uma empresa de tecnologia limpa voltada à extração de materiais críticos para baterias e à fabricação de veículos comerciais de emissão zero.
Sua principal subsidiária é a ENC, antiga ElDorado National California, fabricante norte-americana de ônibus urbanos. A Rivaz assumiu a empresa após a conclusão da venda pela REV Group.
Por sua vez, a Rivaz Resources concentra a operação de mineração. A companhia mantém um portfólio nos Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina e Austrália.
No Brasil, a empresa informa atuar no Rio Grande do Norte e na Paraíba, com 14 licenças de exploração e um pedido de licença de mineração. A área total chega a 120 km², além de 150 reivindicações minerárias na província do Seridó.
Ainda segundo as informações divulgadas pela companhia, aproximadamente 200 outras propriedades estão em avaliação na região central do Ceará.
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